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Edição 103 2006
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Coadjuvante enérgico
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| Subproduto antes secundário, a energia
cogerada ganha status na receita das usinas, que buscam soluções
para melhorar a eficiência das plantas uma das apostas
é o evaporador Falling Film |
| Energia elétrica cogerada: ganho de
importância na matriz nacional
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Personagem principal das perspectivas de futuro para o setor sucroalcooleiro
nacional, o etanol protagoniza os investimentos que estão
sendo aplicados em expansões e novas usinas brasileiras.
Mas algumas unidades já começam a perceber que um
subproduto anteriormente secundário pode sair da sombra para
se tornar um coadjuvante importante neste cenário: a energia
elétrica.
Os projetos de algumas plantas sucroalcooleiras observam com atenção
a necessidade de economia de vapor para geração de
energia elétrica, insumo valorizado para, além de
tornar a fábrica auto-suficiente, ser vendido como um produto
adicional. A energia tende a ficar cada vez mais cara. O produto
obtido de biomassa deve assumir importância cada vez maior
na matriz energética, acredita o gerente de novos projetos
do Grupo Nova América, Hélio Piza.
As vantagens oferecidas pelo mercado de energia trazem à
evidência as operações do setor de evaporação
das usinas, onde se elimina a água do caldo clarificado,
e o vapor, utilizado em outras fases do processo industrial, é
produzido.
A evaporação é considerada, portanto, dentre
todas as operações que envolvem a fabricação
de açúcar e álcool, a etapa que possibilita
os principais ganhos em eficiência energética. É
o coração do balanço energético. Com
um bom trabalho nesta operação, a usina consegue obter
mais energia e ficar mais competitiva, completa Piza.
Mas, para conseguir a eficiência energética, o processo
de evaporação de uma planta industrial demanda projeto
de engenharia adequado e uso de tecnologias eficientes. O engenheiro
da Dedini, Antonio Sesso escreveu recentemente que hoje já
é possível reduzir o consumo específico de
vapor de uma planta industrial dos atuais 500/500 kg vapor/tonelada
de cana, para 280/300 kg vapor/tonelada de cana.
Segundo os especialistas, a busca por esses índices, porém,
passa necessariamente por um conjunto de medidas associadas: uso
de vapor vegetal na destilaria; concentração adequada
do xarope; sangrias de todos os efeitos da evaporação
para o aquecimento do caldo; recuperação do flash
dos condensados da evaporação; automação
do sistema; integração outros setores da usina (aquecimento,
cozimento, destilação, etc.); e redução
das perdas térmicas. A instalação de
equipamentos modernos também deve ser considerada,
sugere o engenheiro Luiz Roberto da Cunha, da Procknor Engenharia.
A vez do Falling Film
Para conseguir evaporação de alta eficiência,
a unidade Maracaí, do Grupo Nova América, estreou
nesta safra dois pré-evaporadores Falling Film (filme descendente),
cada um com 3 mil m² de área outro modelo igual
opera em marcha na usina desde 1999.
Os modelos Falling Film são utilizados comumente em outros
setores da indústria, as fábricas de sucos de laranja
são um exemplo. O setor açucareiro da Europa também
tem diversas aplicações do equipamento, que, embora
esteja desenvolvido há décadas, é preterido
no Brasil - mercado dominado com mais de 80% pelos produtos tradicionais,
tipo Robert.
Nas usinas nacionais, o equipamento tem sido usado como pré-evaporador,
porque permite a utilização dos antigos equipamentos
para outros efeitos da operação, caso da Maracaí/Nova
América. Concluímos que, pela tecnologia apresentada,
os modelos de filme descendente podem ter produtividade maior do
que o Robert. A idéia é conseguir com a mesma área
de troca térmica evaporação maior, explica
o gerente de novos projetos da usina.
Mas a usina Maracaí ainda não consegue expressar os
ganhos de eficiência global de troca térmica em números.
Para comparar os desempenhos, a unidade precisa observar dados obtidos
nas operações do equipamento Robert. Ninguém
mediu esse índice nos pré-evaporadores tradicionais,
diz Piza.
O único parâmetro de avaliação existente
analisa a taxa de evaporação, que compara quantos
quilos de vapor por m² de área são gerados por
cada equipamento. Para medir a eficiência global de troca
térmica, a usina está observando a quantidade de condensado
que sai da calandra e a temperatura do vapor vegetal e do vapor
de escape. De acordo com Piza, com essas medidas, é possível
registrar o coeficiente geral de troca térmica de cada aparelho.
A Maracaí já iniciou as avaliações,
mas ainda não obteve um número médio. Os dados
preliminares indicam que o modelo Falling Film alcança entre
1500 e 2000 kg calorias/m²/h/ºC. Para Piza, o ganho estará
concretizado quando o equipamento atingir de 2500 kg a 2700 kg calorias/m²/h/ºC.
Eu acredito que, se o equipamento estiver novo e sem problemas,
podemos atingir níveis próximos ao ideal. Os
dados do modelo Robert ainda não foram calculados.
Piza justifica que, mesmo sem os números oficiais, a Nova
América continuou confiando nos evaporadores de filme descendente
porque o equipamento demonstra características que o possibilitam
atingir resultados mais expressivos, sobretudo se a engenharia aplicada
for desenvolvida adequadamente.
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Prós e contras
O engenheiro da Procknor enumera outras vantagens do equipamento sobre
o evaporador tipo Robert. Um dos benefícios apontados é
a menor área da instalação. O Falling Film pode
ser projetado para ocupar área de 1000 m² a 7000 m²
- segundo Cunha, um convencional de 7000 m² ocuparia espaço
físico maior.
Por ser auto portante, o equipamento dispensa estruturas metálicas
e obras civis. Também apresenta menor preço por
m² , porque os tubos são mais longos, e corpo, menor,
diz Cunha. Desde que bem operados, o Falling Film também pode
conseguir ciclo maior entre limpezas, de 30 a 40 dias. Pode
usar limpeza mecânica ou química, que deve ser a mais
utilizada, afirma.
A limpeza química, porém, é um dos itens que
ainda precisam ser melhores desenvolvidos no equipamento. Segundo
especialistas consultados por ALCOOLbrás, esse sistema apresenta
deficiências de engenharia e falta de insumos adequados para
a operação, o que causa aumento da incrustação
nos tubos.
Essa não representa a única imperfeição
apresentada pelos modelos Falling Film. O sistema de operação
do caldo mereceu novos projetos de engenharia. O processo de bandeja
causava seguidos entupimentos de tubos e conseqüentes incrustações
em curtos períodos.
A usina Maracaí resolveu o problema com a instalação
de bicos aspersores. Segundo Cunha, a Europa está desenvolvendo
um novo sistema de distribuição do caldo que unifica
característica da bandeja e dos bicos. A nova tecnologia
uniu as vantagens de cada sistema. Deve entrar em operação
no Brasil já na próxima safra.
Outro ponto crítico observado na Maracaí foi o arraste
de açúcar no vapor vegetal, que provocava perdas. Este
ano, a usina adquiriu separadores de arraste e solucionou a falha.
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Tendência
Mesmo com o equipamento ainda em processo de evolução,
além da Maracaí, outra unidade do Grupo Nova América,
a Tarumã, também implantou recentemente quatro modelos
Falling Film, além de outro que já operava desde 2001
todos têm 3 mil m² de área. Segundo Hélio
Piza, a companhia estuda projetos de construção de uma
ou duas usinas, para entrar em operação na safra 08/09.
Os cronogramas iniciais já consideram a instalação
de evaporadores Falling Film. Não vamos retroceder para
Robert.
A Nova América aposta que pode conseguir melhorar a evaporação
nas suas usinas, e diminuir a quantidade de vapor usado na fábrica.
Se conseguir, aumenta a produção e a venda
de energia. É mais dinheiro em caixa, destaca o
gerente.
Pelas contas de Piza, os lucros não seriam pequenos. Os ganhos
em eficiência energética, que podem parecer pouco relevantes,
se multiplicam quando a produção de cana for alta.
A Maracaí processa 16 mil toneladas por dia e economiza hoje
10 kg de vapor por tonelada moída deixa de usar, portanto,
160 ton/vapor/dia. A usina produz 4,2 MW/hora por quilo de vapor,
o que soma total de 38 4,2 MW/dia cada MW é vendido
por R$ 110. São R$ 4.000 por dia. E podemos aumentar
esse valor com tecnologias adequadas. Se conseguirmos ganhos de produtividade,
a receita vai aumentar bastante, calcula Piza.
Nesta fase de expansão sucroalcooleira, de olho no mercado,
todas as usinas em processo de construção já
investem em cogeração de energia, com cuidado na engenharia
dos processos de evaporação. Os especialistas garantem
que os modelos Falling Film fazem parte deste contexto. É
uma tendência para o futuro. Algumas usinas optam pelo Robert
por não se adaptar ao de filme descendente. Quem não
quer ter trabalho com desenvolvimento, pode perder ganhos lá
na frente, argumenta Piza. |
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