Edição 104 – 2006
ESPECIAL
Região pesquisa variedade de cana
tolerante à seca 
Canavial da Paraíba: seca provocou queda de quase 30% na produção do Estado durante a última safra

O desenvolvimento de uma variedade de cana-de-açúcar resistente aos períodos de estiagem está animando os produtores canavieiros do Nordeste. As pesquisas desenvolvidas pela Embrapa ainda estão no primeiro estágio, referente ao isolamento do gene que atua em situações de estresse hídrico. De acordo com Antônio Dias Santiago, pesquisador responsável pela gestão do projeto “Produção Sustentável da Cultura de Cana-de-Açúcar para Bionergia em Regiões Tradicionais e de Expansão no Norte e Nordeste do Brasil”, a previsão é de que em pelo menos cinco anos essa espécie possa ser testada em campo para validação tecnológica.

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan-PB), Raimundo Nonato Siqueira, destacou a importância do desenvolvimento dessa variedade para o fortalecimento da atividade canavieira nordestina que, ao longo dos anos, tem sido prejudicada pela escassez de chuva. “Não adianta investir em uma variedade de cana produtiva e em fertilizantes, se falta água. A Paraíba, por exemplo, teve uma redução de quase 30% na última safra por conta da seca”, comentou.

Nonato afirmou ainda que quando a espécie de cana for lançada a Asplan poderá efetuar uma parceria com a Embrapa, multiplicando a variedade na Estação Experimental de Camaratuba para depois distribuir as sementes para os produtores.

Já o superintendente do sistema OCB/Sescoop-PB (Organização das Cooperativas Brasileiras/Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo da Paraíba), José Cauby Pita, destacou a contribuição que esta espécie traria para os pequenos e médios produtores em termos de redução dos custos de produção, uma vez que apenas os grandes industriais dispõem de recursos para investir em sistemas de irrigação e captação de água.

Outras pesquisas

Os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa abrangem ainda outras questões que atingem toda a cadeia produtiva da cana. O desenvolvimento de OGM (Organismo Geneticamente Modificado) visando resistência à broca gigante, fixação biológica do nitrogênio pela cana-de-açúcar, zoneamento da cultura e previsão da safra, impactos sócio-econômicos e ambientais da cultura canavieira, irrigação, aproveitamento de resíduos e colheita de cana crua.

Na opinião do secretário-geral da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Gregório Maranhão, a aplicação das novas técnicas na cultura canavieira, no entanto, enfrenta um grande entrave: a baixa rentabilidade que a atividade tem trazido aos produtores da região. “A ausência de resultados econômicos na base primária do setor sucroalcooleiro inibe o investimento em tecnologias de produção”, afirmou Gregório.

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