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O desenvolvimento de uma variedade de cana-de-açúcar
resistente aos períodos de estiagem está animando
os produtores canavieiros do Nordeste. As pesquisas desenvolvidas
pela Embrapa ainda estão no primeiro estágio, referente
ao isolamento do gene que atua em situações de estresse
hídrico. De acordo com Antônio Dias Santiago, pesquisador
responsável pela gestão do projeto Produção
Sustentável da Cultura de Cana-de-Açúcar para
Bionergia em Regiões Tradicionais e de Expansão no
Norte e Nordeste do Brasil, a previsão é de
que em pelo menos cinco anos essa espécie possa ser testada
em campo para validação tecnológica.
O presidente da Associação dos Plantadores de Cana
da Paraíba (Asplan-PB), Raimundo Nonato Siqueira, destacou
a importância do desenvolvimento dessa variedade para o fortalecimento
da atividade canavieira nordestina que, ao longo dos anos, tem sido
prejudicada pela escassez de chuva. Não adianta investir
em uma variedade de cana produtiva e em fertilizantes, se falta
água. A Paraíba, por exemplo, teve uma redução
de quase 30% na última safra por conta da seca, comentou.
Nonato afirmou ainda que quando a espécie de cana for lançada
a Asplan poderá efetuar uma parceria com a Embrapa, multiplicando
a variedade na Estação Experimental de Camaratuba
para depois distribuir as sementes para os produtores.
Já o superintendente do sistema OCB/Sescoop-PB (Organização
das Cooperativas Brasileiras/Serviço Nacional de Aprendizagem
do Cooperativismo da Paraíba), José Cauby Pita, destacou
a contribuição que esta espécie traria para
os pequenos e médios produtores em termos de redução
dos custos de produção, uma vez que apenas os grandes
industriais dispõem de recursos para investir em sistemas
de irrigação e captação de água.
Outras pesquisas
Os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa abrangem ainda outras questões
que atingem toda a cadeia produtiva da cana. O desenvolvimento de
OGM (Organismo Geneticamente Modificado) visando resistência
à broca gigante, fixação biológica do
nitrogênio pela cana-de-açúcar, zoneamento da
cultura e previsão da safra, impactos sócio-econômicos
e ambientais da cultura canavieira, irrigação, aproveitamento
de resíduos e colheita de cana crua.
Na opinião do secretário-geral da União Nordestina
dos Produtores de Cana (Unida), Gregório Maranhão,
a aplicação das novas técnicas na cultura canavieira,
no entanto, enfrenta um grande entrave: a baixa rentabilidade que
a atividade tem trazido aos produtores da região. A
ausência de resultados econômicos na base primária
do setor sucroalcooleiro inibe o investimento em tecnologias de
produção, afirmou Gregório.
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