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Edição 104 2006
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Controle do fluxo de caixa
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| Retraída no ano passado, indústria
de válvulas baseia recuperação de negócios
na atividade petroquímica e no setor sucroalcooleiro; corrida
por produtividade na usinas exige novas soluções tecnológicas. |
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Os negócios da SMV Válvulas Industriais com o setor
sucroalcooleiro aumentaram cerca de 20% de janeiro a agosto em comparação
com o mesmo período de 2005. Mas o incremento não
representa saltos significativos no faturamento médio da
empresa apenas recupera parte dos recuos observados no ano
passado.
O caso da SMV, que também atende outros segmentos industriais,
exemplifica uma situação comum a toda a indústria
de válvulas em 2005. O câmbio tem sido um fator
determinante tanto para investimentos como para as exportações.
Além disso, o Brasil enfrenta concorrência de produtos
asiáticos. Esses problemas atingem a todos, explica
o diretor comercial da empresa, Erfides Bortolazzo.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas
e Equipamentos (Abimaq) relaciona a queda gradativa de desempenho
apresentado pela indústria de válvulas no ano passado
à valorização cambial e às altas taxas
de juros brasileiras. Foram as principais causas. Com a situação,
muitos investimentos programados foram adiados, não saíram
das pranchetas, acredita o presidente da Câmara Setorial
de Válvulas Industriais (CSVI) da entidade, Lourenço
Righetti.
Os níveis de câmbio também facilitaram a entrada
de um grande volume de equipamentos estrangeiros no Brasil, importados
principalmente da China e do Leste Europeu. São máquinas
de baixa tecnologia, com preços mais competitivos,
justifica o presidente da Abimaq, Newton de Mello. Segundo Righetti,
o custo do material fundido no Brasil é maior do que o valor
final de compra de válvulas importadas desses lugares
oferecidas a preços até 50% inferiores aos negociados
no mercado nacional.
A CSVI estima que os volumes de vendas da cadeia de válvulas
tenham retrocedido 40% no ano passado em relação ao
movimento do mercado em 2004. Este ano estamos observando
um panorama melhor. Esperamos concluir 2006 com números semelhantes
aos verificados há dois anos, prevê o presidente
da Câmara Setorial da Abimaq.
As perspectivas de recuperação estão baseadas
em investimentos no projeto de auto-suficiência da Petrobras
e na construção de novas usinas de açúcar
e álcool empreendimentos que demandam milhares de
válvulas, de todos os tipos.
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A Petrobras divulgou recentemente investimentos de
R$ 87 bilhões até 2011 - 66% deste volume serão
aplicados no mercado interno. As válvulas estão
incluídas neste contexto, comemora Righetti.
Com a ampliação da plantas atuais e construção
de pelo menos 89 novas usinas de açúcar e álcool,
o setor sucroalcooleiro também é encarado pela
indústria de válvulas como uma fonte de promissora de
negócios. As projeções da Abimaq indicam aumento
de aproximadamente de 30% na compras pelo segmento canavieiro em curto
prazo.
A movimentação deste mercado já tem sido observada.
Assim como a SMV, outras empresas registram aumento nas consultas
de orçamento e vendas finais. Segundo o engenheiro Carlos Monblanch
Motta, diretor da Thermometal Engenharia, os fabricantes que
se prepararem para o crescimento da demanda e fizerem apostas de longo
prazo deverão ter sucesso.
Para Motta, os investimentos industriais não tendem a seguir
as flutuações do mercado cambial e financeiro nos próximos
anos. Nós estamos falando da economia real, em que se
produzem artigos e equipamentos para serem consumidos por pessoas
e empresas. Se elas demandarem, alguém vai vender. Mas o fabricante
nacional deve ser eficiente técnica e economicamente,
recomenda.
Redução de IPI
Para oferecer melhores condições de competitividade
ao fornecedor nacional, a Abimaq pleiteia ao Governo Federal redução
da carga tributária imposta às empresas brasileiras.
O presidente da associação, Newton de Mello, reivindicou
ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, a isenção do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para todas as linhas
de válvulas industriais.
O Governo tem demonstrado sensibilidade ao problema. A alíquota
do IPI, que recentemente chegou a 18% para alguns modelos, agora depende
do tipo de válvula. O imposto oscila atualmente entre 4 % e
5% - a linha soleinóide já conquistou isenção.
A isenção do IPI possibilita o aumento dos investimentos
com ênfase nas áreas da produtividade, qualidade
e desenvolvimento tecnológico de novos produtos, assim como
torna menos desigual a competitividade com os produtos asiáticos,
avalia Lourenço Righetti.
Motta acredita que a redução também estimularia
os consumidores de válvulas a modernizar as plantas já
existentes, e até rever cronogramas e antecipar investimentos.
Somos grandes produtores de minério de ferro e aço,
e é triste vendermos esses insumos tão barato, para
importarmos depois em forma de válvulas. Temos que desenvolver
tecnologia aqui e exportá-la, junto com as destilarias de álcool,
complementa. |
| Válvula de bloqueio para alta pressão
(à frente) instalada na Usina Maracaí: demanda
recente |
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Atraída pelas notícias de expansão
e por contratos de fornecimento vinculados a investidores internacionais,
a presença dos fabricantes estrangeiros no Brasil tende a crescer.
Caso da canadense Velan Válvulas, que, atuante no mercado nacional
de petróleo, acaba de instituir uma representação
comercial para abordar o mercado sucroalcooleiro. O interesse estrangeiro
torna o processo de desoneração tributário ainda
mais premente.
Tecnologia nacional
Com espaço ocioso, a indústria nacional se preocupa
com aumento da concorrência estrangeira em aplicações
confiáveis. Embora tenha ocorrido recuperação
do setor nos últimos meses, os fabricantes nacionais ainda
têm capacidade ociosia. A CVSI estima o nível de utilização
da capacidade instalada em 89% trabalhando em um único
turno. |
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