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O Grupo alemão Rapid Eye está investindo € 130
milhões no desenvolvimento de uma constelação
de microsatélites equipados com sensores hiperespectrais,
primeiro conjunto tecnológico especialmente voltado para
o uso agrícola e ambiental. A empresa espera lançá-los
ao espaço em 2007, quando oferecerá ao mundo imagens
de qualquer lugar do planeta com atualizações de 24
horas hoje, os sensores mais modernos têm tempo de
revisita mínimo de cinco dias.
Outros países - Coréia, Itália, Estados Unidos
e Canadá também estão preparando lançamento
de novos satélites muitos deles com sensores hiperestpectrais,
tecnologia de última geração. O Landsat, por
exemplo, tem sete canais para imageamento da Terra. Um hiperespectral
pode chegar a 220 canais e é capaz de obter informações
20 vezes mais detalhadas em relação às disponíveis
atualmente.
Estes sensores captam informações em inúmeros
comprimentos de onda, que são relacionados ao alvo observado,
como solos ou a plantas. O peso de um satélite tradicional
chega a alcançar uma tonelada, volume que caiu para 100 kg
com as novidades apresentadas. Um foguete, que lançava um
satélite por operação, já pode mandar
seis ao espaço ao mesmo tempo.
A partir do próximo ano até 2010, a comunidade científica
prevê enormes avanços na área. Neste prazo,
segundo informações do pesquisador Frederic Stiebler
Couto, diretor da Programma Computação Científica,
quase uma centena de satélites hiperespectrais serão
lançados. Os sensores serão disponibilizados em satélites,
aviões, helicópteros, tratores e até dentro
dos laboratórios.
As informações geradas darão suporte a avaliações
descritivas do uso da terra, mas também podem gerar análises
quantitativas. O beneficio será imediato na pesquisa,
que por sua vez vai interagir com agricultores, diz o pesquisador
José Alexandre Demattê, professor da Esalq, em Piracicaba.
Para o engenheiro agrônomo Caio Fortes, coordenador de Qualidade
Agrícola da Usina Iracema, o acesso a imagens de resolução
espacial e temporal e canais espectrais será muito interessante
para a agricultura da cana. Acredito que seria mais uma ferramenta
para agregar critérios para tomada de decisão localizada.
Popularização
Para Demattê, a popularização total do sensoriamento
remoto em vários setores da agricultura é uma questão
de tempo. Os benefícios abrangerão também a
qualidade do planejamento agrícola, com conseqüente
racionalização do uso de insumos agrícolas,
diminuição nos custos em análises de solo e
planta.
Outras vantagens apontadas são: detecção de
locais de ataque de pragas, vigor e variação nutricional
das plantas, textura de solos, e determinação de locais
com maior susceptibilidade ao ataque de pragas. De acordo com o
pesquisador da Esalq, todas essas decisões poderão
ser tomadas com maior precisão, por imagens vistas de cima,
com informações que o olho humano é incapaz
de observar.
Também há tendência de substituição
de determinadas análises tradicionais de laboratório
de plantas e solos por sistemas sensores um dos objetivos
inequívocos do sensoriamento remoto. No laboratório,
são utilizados produtos químicos para, por exemplo,
determinar teores de elementos no solo e na planta. Mas nem todos
os componentes podem ser quantificados. Assim, pode-se dizer
que já existe possibilidade de substituição
das análises de solo granulométricas e teores de ferro
total, afirma o pesquisador.
A inserção desta tecnologia na rotina requer porém,
mais estudos, porque muitos pontos metodológicos ainda precisam
ser analisados. As pesquisas já avaliam as análises
de nitrogênio o elemento tem alta correlação
com a energia eletromagnética refletida.
O pesquisador acredita que a médio prazo haverá a
integração de metodologias tradicionais com as de
sensoriamento remoto dentro de um mesmo laboratório. Outro
ponto que ainda retarda o desenvolvimento dos estudos na área
de sensoriamento remoto é alto custo dos equipamentos usados
na pesquisa.
Mas a recorrência de investimentos torna a tecnologia mais
popular, o que pode reduzir o custo. A popularidade aumenta
o uso e conseqüentemente os benefícios retornam,
acredita Demattê.
Antes uma imagem do satélite Landsat chegava a custar até
R$ 2 mil e hoje pode-se pagar por menos de R$ 500 e até gratuitamente
na internet. Com o aumento do número de satélites
lançados, o preço da imagem deve ser reduzido - um
enquadramento de 100 hectares será ofertado a US$ 2 dólares,
em média, segundo Couto. Dados tanto serão vendidos,
como também disponibilizados via internet.
Carência de mais investimentos
Para Demattê, o Brasil precisa investir mais em pesquisas.
O país é respeitado pela comunidade científica
mundial, principalmente em relação aos resultados
conseguidos nas áreas ambiental e agrícola.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) implementou recentemente
a distribuição gratuita de imagens obtidas pelo satélite
sino-brasileiro (Brasil-China). A medida ofereceu ao Brasil destaque
como um importante usuário da tecnologia.
Existem vários núcleos e grupos de pesquisa espalhados
pelo Brasil estudando as relações entre sensoriamento
remoto e alvos naturais como solo e planta. As culturas agrícolas
que mais investem em pesquisas sobre sensoriamento remoto no Brasil
são a cana-de-açúcar e o eucalipto.
Mas, de acordo com Demattê, ainda falta aplicação
simultânea de investimentos em alguns pontos específicos.
Um exemplo seriam os estudos comumente realizados na área
de adubação e variedades de cana, que poderiam agregar
ensaios com sensoriamento remoto. Já está provada
a eficácia em obter informações pela visão
aérea. Portanto, falta em muitos casos a visão da
aplicação do sensoriamento remoto, expõe.
Enxerga-se a tecnologia de maneira pontual, mas as suas aplicações
são ilimitadas, completa.
Demattê também alerta que os profissionais agrícolas
brasileiros não estão se preparando adequadamente
para a chegada de novas tecnologias em sensoriamento remoto. Mas
o processo já se iniciou: os conceitos básicos de
sensoriamento remoto já estão sendo passados para
alunos de nível primário e universitário. Acredito
que o Brasil tenha grupos que estão empenhados em preparar
nosso país para esta tecnologia que já chegou. Há
15 anos pouquíssimas pessoas sabiam o que era uma imagem
de satélite.
Pelo tamanho do Brasil, porém, o número de profissionais
agrícolas com conhecimentos sobre a tecnologia ainda é
pequeno. Ninguém está dizendo que os métodos
tradicionais devem ser deixados de lado, pelo contrário,
o conhecimento do alvo (solo ou planta) é a força
motriz do sensoriamento remoto. Mas as metodologias precisam se
integrar.
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