Edição 104 – 2006
Novas tecnologias aumentam possibilidades do sensoriamento na cana

Os satélites hiperespectrais vão imagear, sobretudo, imagens agrícolas do Estados Unidos, do Brasil e da Austrália. O pesquisador Frederic Stiebler Couto acredita que a diversidade de informações sobre o agronegócio brasileiro de cana vai oferecer vantagens ao desenvolvimento do mercado internacional de etanol.

O setor sucroalcooleiro nacional ainda sofre especulações sobre a capacidade de atender as demandas internacionais. Para Couto, o Japão, um dos interessados no álcool brasileiro, poderá observar que a área de cana plantada está aumentando por meio dessas imagens, atualizadas diariamente. “Essa transparência oferecerá confiança junto ao mercado internacional”.

A cultura canavieira já utiliza a metodologia do sensoriamento remoto para analisar área cultivada e antecipar dados de safra. O monitoramento por meio do sensoriamento remoto via satélite é feito na região Centro-Sul por meio do programa Canasat, projeto estruturado por uma parceria entre o Inpe, o CTC, a Esalq e a Unica. O mapeamento da área por sensoriamento remoto vem acontecendo há sete safras.

Com essa tecnologia, é possível identificar a quantidade de cana colhida e produzida por um determinado município, as proporções de área reformadas, a distribuição da área de cana na região centro-sul, a incidência de pragas, entre outros.

O sensoriamento remoto orbital demonstra grande potencial em levantamentos das áreas da cultura, identificação de variedades e estimativas de produção. “Os levantamentos de área ocupada e produtividade da cultura têm grande importância para o planejamento e estimativa de safras”, diz o engenheiro agrônomo Caio Fortes, coordenador de Qualidade Agrícola da Usina Iracema.

Identificação de variedades

O estudo da energia eletromagnética refletida das plantas tem se apresentado como método alternativo e auxiliar no planejamento agrícola. A caracterização e identificação de variedades de cana-de-açúcar pelo sensoriamento remoto orbital é outro foco dos estudos de sensoriamento remoto no Brasil. – o objetivo é diminuir o tempo de avaliação e identificação de campo, além de informar as instituições de melhoramento genético para cobrança de royalties.

Caio Fortes, o pesquisador da Esalq Alexandre Demattê, e a doutoranda Aline Genú testaram recentemente metodologias para caracterizar e discriminar variedades de cana-de-açúcar através de dados espectrais do sensor orbital ETM+, do satélite Landsat 7.

Os resultados do estudo (publicados na seção de Artigos Técnicos desta edição de ALCOOLbrás), confirmaram o potencial de discriminar variedades de cana-de-açúcar por dados orbitais através da observação das curvas espectrais.

Segundo os pesquisadores, os métodos são interessantes para a discriminação de variedades da mesma espécie, e também podem ser empregados quando se pretende obter padrões de uso do solo com a intenção de realizar censos quantitativos de áreas de culturas e mapeamentos diversos.

“Os produtores de cana e usinas serão beneficiados em relação à identificação de áreas de potenciais viveiros e tomada de decisão de plantio, variedades para serem criados blocos de manejo (variedades de mesmo ciclo precoce média e tardia), o que vem ao encontro de interesses de logística de colheita e tratos culturais”, finaliza Caio Fortes.

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