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Os satélites hiperespectrais vão imagear, sobretudo,
imagens agrícolas do Estados Unidos, do Brasil e da Austrália.
O pesquisador Frederic Stiebler Couto acredita que a diversidade
de informações sobre o agronegócio brasileiro
de cana vai oferecer vantagens ao desenvolvimento do mercado internacional
de etanol.
O setor sucroalcooleiro nacional ainda sofre especulações
sobre a capacidade de atender as demandas internacionais. Para Couto,
o Japão, um dos interessados no álcool brasileiro,
poderá observar que a área de cana plantada está
aumentando por meio dessas imagens, atualizadas diariamente. Essa
transparência oferecerá confiança junto ao mercado
internacional.
A cultura canavieira já utiliza a metodologia do sensoriamento
remoto para analisar área cultivada e antecipar dados de
safra. O monitoramento por meio do sensoriamento remoto via satélite
é feito na região Centro-Sul por meio do programa
Canasat, projeto estruturado por uma parceria entre o Inpe, o CTC,
a Esalq e a Unica. O mapeamento da área por sensoriamento
remoto vem acontecendo há sete safras.
Com essa tecnologia, é possível identificar a quantidade
de cana colhida e produzida por um determinado município,
as proporções de área reformadas, a distribuição
da área de cana na região centro-sul, a incidência
de pragas, entre outros.
O sensoriamento remoto orbital demonstra grande potencial em levantamentos
das áreas da cultura, identificação de variedades
e estimativas de produção. Os levantamentos
de área ocupada e produtividade da cultura têm grande
importância para o planejamento e estimativa de safras,
diz o engenheiro agrônomo Caio Fortes, coordenador de Qualidade
Agrícola da Usina Iracema.
Identificação de variedades
O estudo da energia eletromagnética refletida das plantas
tem se apresentado como método alternativo e auxiliar no
planejamento agrícola. A caracterização e identificação
de variedades de cana-de-açúcar pelo sensoriamento
remoto orbital é outro foco dos estudos de sensoriamento
remoto no Brasil. o objetivo é diminuir o tempo de
avaliação e identificação de campo,
além de informar as instituições de melhoramento
genético para cobrança de royalties.
Caio Fortes, o pesquisador da Esalq Alexandre Demattê, e a
doutoranda Aline Genú testaram recentemente metodologias
para caracterizar e discriminar variedades de cana-de-açúcar
através de dados espectrais do sensor orbital ETM+, do satélite
Landsat 7.
Os resultados do estudo (publicados na seção de Artigos
Técnicos desta edição de ALCOOLbrás),
confirmaram o potencial de discriminar variedades de cana-de-açúcar
por dados orbitais através da observação das
curvas espectrais.
Segundo os pesquisadores, os métodos são interessantes
para a discriminação de variedades da mesma espécie,
e também podem ser empregados quando se pretende obter padrões
de uso do solo com a intenção de realizar censos quantitativos
de áreas de culturas e mapeamentos diversos.
Os produtores de cana e usinas serão beneficiados em
relação à identificação de áreas
de potenciais viveiros e tomada de decisão de plantio, variedades
para serem criados blocos de manejo (variedades de mesmo ciclo precoce
média e tardia), o que vem ao encontro de interesses de logística
de colheita e tratos culturais, finaliza Caio Fortes.
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