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Aguardado com a expectativa de apresentar aumento nos valores oferecidos
pela energia cogerada via biomassa da de cana, o 3º leilão
de compra de insumo proveniente de novos empreendimentos, realizado
recentemente pela Agência Nacional de Energia Elétrica,
frustrou o setor sucroalcooleiro.
O preço pago pela energia do bagaço de cana no segundo
pregão, promovido em junho, - de cerca de R$ 135 por MW/h
havia decepcionado as usinas interessadas em vender excedentes.
As mudanças nos critérios de cálculos do preço
não foram condizentes com as avaliações elaboradas
pelas usinas, que utilizavam como parâmetro os valores referentes
ao primeiro leilão, realizado em dezembro de 2005.
No leilão de junho deste ano, 21 projetos de cogeração
a partir de biomassa de cana foram contratados, mas somente quatro
aceitaram as tarifas oferecidas os critérios de pagamento
para 2006 haviam sido modificados e obedeciam o programa decenal.
O setor sucroalcooleiro esperava, entretanto, uma revisão
de valores no leilão de outubro mas novamente se desiludiu.
O 3º leilão de compra de energia nova movimentou R$
27,755 bilhões - foram contratados 1.104 MW médios
de energia. O preço médio oferecido a geração
via biomassa, foi de R$ 136,94 por MW/h. As usinas hidrelétricas
receberam oferta média de R$ 120,86 por MW/h.
De acordo com informações da Associação
Paulista de Cogeração de Energia de São Paulo
- Cogen/SP, 29 projetos de biomassa de cana solicitaram habilitação
junto à Aneel para participar do pregão 17
receberam autorização para participar da venda pública.
Mas apenas cinco usinas sucroalcooleiras fecharam contratos, 12
não venderam ou nem fizeram ofertas por considerarem o preço
sugerido desinteressante.
Segundo a Aneel, as térmicas que usarão a biomassa
como combustível somaram 61MW médios, o equivalente
a aproximadamente 5,5% do total contratado no leilão.
Além dos valores fixos não terem sofrido correções,
o resultado também não corresponde à expectativa
de definição dos critérios utilizados para
o cálculo do Custo Econômico de Curto Prazo
CEC. Este índice funciona como um adicional proposto pelo
fornecimento de energia no período de estiagem, momento em
que as hidrelétricas operam com margem de segurança
menor.
Em dezembro de 2005, o CEC alcançou R$ 22,60 por MW/h, mas
o índice caiu cinco vezes no segundo leilão, quando
oscilou entre R$ 3 e R$ 4 por MW/h. De acordo com a Cogen/SP, valores
entre R$ 15 e R$ 18 seriam considerados atrativos.
Mas o pregão de outubro último registrou apenas um
ligeiro aumento: foram pagos pelo CEC R$ 4,7 por MW/h. Somados aos
R$ 137,70 por MW/h oferecidos pela energia que produz, a Usina Bahia
Formosa, do Rio Grande do Norte, obteve o maior valor do último
leilão, R$ 145,94 por MW/h. Na média das cinco usinas,
o preço total chegou a R$ 141,54 por MW/h.
O lucro obtido com a venda de energia elétrica é particular
a cada projeto de biomassa, mas torna-se um coro no setor a necessidade
de preços mais atraentes. As usinas reclamam ao Governo Federal
uma política de incentivos mais transparente para a cogeração
a partir do bagaço da cana. É preciso haver
governança energética para estimular investimentos
em geração de energia, aponta o vice-presidente
executivo da Cogen/SP, Carlos Roberto Silvestrin.
O investimento em produção de energia limpa depende
do preço ofertado. Segundo o coordenador da Termelétrica
da Usina Pioneiros, Luiz Gustavo Scartezini, muitas das novas usinas
que estão sendo construídas não incluem investimentos
em cogeração. Para dar confiabilidade ao investidor,
as regras do negócio precisam ser mais claras.
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Silvestrin sugere que o Governo Federal divulgue a
metodologia e os critérios a serem praticados durante as audiências
públicas previstas para o leilão. É preciso
que as usinas conheçam adequadamente o setor elétrico,
assim como seria interessante que o próprio setor elétrico
conhecesse melhor a operação de cogeração
das usinas.
Além dos critérios usados para determinação
do CEC e de regras mais claras para os leilões, as usinas também
pleiteiam a pré-aprovação de linhas de crédito
para a aquisição de equipamentos utilizados em cogeração.
Tem crédito atualmente, mas o processo ainda é
muito moroso, diz Scartezini.
Os especialistas acreditam que definições precisas acerca
de financiamentos e regras claras para o comércio vão
determinar investimentos em tecnologias e o crescimento da cogeração
de energia. A diferença de custo de um sistema de energia para
uso próprio que utiliza equipamentos para baixas pressões
e temperaturas para um processo direcionado ao fornecimento
de energia é grande. Segundo o mercado, uma caldeira de alta
pressão pode custar até R$ 40 milhões e se tornar
o equipamento mais caro de uma planta industrial.
Segundo o diretor-titular adjunto da Divisão de Energia do
Departamento de Infra-estrutura Deinfra da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo, Luiz Gonzaga
Bertelli, as indústrias produtoras de açúcar
e álcool já poderiam estar vendendo em 2006 pelo menos
2 mil MW, mas o total não excede a 500 MW.
Com os valores atuais pagos pela energia, a taxa de retorno da usina
atinge, em média, entre 10% e 15%, inferiores aos aproximadamente
30% obtidos com a comercialização de açúcar
e álcool nesse panorama, os investimentos das usinas
podem preterir a energia. |