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Alagoas vai aumentar em 18,7 mil hectares na safra 06/07 a área
de irrigação complementar de cana-de-açúcar
no Estado, onde a tecnologia já está aplicada em 58
mil ha. Dos 450 mil hectares de cana cultivados anualmente, aproximadamente
250 mil ha são irrigados localizam-se principalmente
na região Sul local, permeada por áreas extensas de
tabuleiros.
Do volume total irrigado, 117,1 mil hectares são ocupados
com a técnica salvação, aplicada para garantir
a sobrevivência da planta. Mas a boa distribuição
de chuvas observada no primeiro semestre, que permitiu a recuperação
dos mananciais dos rios e o armazenamento de grandes volumes de
água nas barragens, é um incentivo à irrigação
complementar - o método oferece água para a planta
freqüentemente de cinco a seis meses por ano.
A irrigação, além da torcida por chuvas regulares,
tem sido o principal instrumento usado pelo setor sucroalcooleiro
no Estado para vencer o desafio de aumentar a produtividade agrícola,
que atualmente atinge em média de 50 a 70 toneladas por hectare.
Em 2006, São Pedro se tornou um aliado. Maio verificou índice
pluviométrico de 350,6 milímetros as taxas
históricas do período registram tradicionalmente médias
de 243,8 mm. Com o incremento da irrigação, Alagoas
prevê produzir 26 milhões de toneladas de cana na temporada
prestes a ser iniciada. Na safra passada, o Estado produziu 22,5
milhões de toneladas de cana.
Ferramenta comum aos Estados do Nordeste brasileiro, a irrigação
em cana-de-açúcar, tecnologia ainda pouco usada no
restante do País, deve auxiliar o ganho de produtividade
em mais regiões. Motivada pela expansão do setor sucroalcooleiro,
a demanda por sistemas de irrigação está registrando
aumento.
O mercado é promissor tanto para irrigação
com água quanto para a aplicação de vinhaça.
Segundo o diretor comercial da Irrigabras, Renato Barroso Jr., os
equipamentos direcionados à vinhaça são procurados
por usinas de diversas localidades do País. Já os
produtos para água devem ter maior participação
nas regiões de expansão onde houver maior déficit
hídrico. A empresa prevê aumento de pelo menos 20%
para o próximo ano nos negócios com o setor sucroalcooleiro.
O avanço das novas áreas de plantio de cana para regiões
de maior demanda evaporativa e o maior déficit hídrico
no solo motivam o aumento do interesse pela tecnologia de irrigação.
Segundo o professor Rubens Duarte Coelho, pesquisador do Departamento
de Engenharia Rural - USP/Esalq, usinas instaladas no oeste do Estado
de São Paulo, Goiás e Minas Gerais demonstram menor
resistência ao stress hídrico. São regiões
que apresentam solos normalmente álicos, que limitam o aprofundamento
radicular da cana-de-açúcar.
Outro aspecto estimulante é a questão logística
de ampliação de novas áreas de cana. O plantio
realizado em distâncias maiores entre canavial e setor industrial
da usina justifica a procura por equipamentos de irrigação.
Pois o aumento da produtividade das áreas mais próximas
da usina reduz o custo de transporte e arrendamento, explica
Duarte Coelho.
Se concretizados, os investimentos vão impulsionar as estatísticas
da tecnologia no Brasil, onde o método não possui
extensas aplicações. No País, considerando
todas as culturas, são irrigadas cerca de 5% da área
agricultável, o que corresponde a aproximadamente 3 milhões
de hectares.
A porcentagem da área irrigada com cana no país é
pequena. Como as usinas estão tradicionalmente instaladas
em regiões com precipitação pluviométrica
acima do índice considerado suficiente, de 1200 mm/ano, o
cultivo normalmente é feito sob o regime de sequeiro.
Mas, segundo o pesquisador da Esalq, a possibilidade de uso de equipamentos
de irrigação de última geração
recentemente lançados no mercado viabiliza o uso da tecnologia
em áreas antes consideradas inadequadas, o que amplia ainda
mais as possibilidades de aplicação da tecnologia
na cultura da cana-de-açúcar sobretudo nas
novas áreas de cana.
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