Edição 107 – 2006
A Sombra do Petróleo
Álcool: bloco europeu deve importar 3 bilhões de litros de nos próximos oito anos
Governo e produtores amadurecem a hegemonia do etanol no mercado de biocombustíveis

Procura-se o substituto viável para o petróleo. Em declínio, o combustível fóssil perde espaço frente às evoluções biocombustíveis como o etanol e ao biodiesel. A commodity flutuando na casa dos US$ 60 para cima e a alta emissão de gases poluentes à atmosfera são motivos conhecidos que acentuam a sua crise potencial.

Considerado a principal fonte de energia, sobretudo para os transportes, o consumo do petróleo ainda aumenta nos Estados Unidos e nos emergentes China e Índia, num momento em que o produto se depara ao etanol e o biodiesel, que ainda registram 1,1% do consumo mundial, em 2006, de acordo com a Agência Internacional de Energia – AIE.

A procura do etanol pelo comércio global deverá crescer seis vezes até 2015 – o superávit de mais de 6 bilhões de litros de etanol nesse período é projetado pela F.O.Licht GmbH.

A quantidade a ser produzida na América Latina deverá ser escoada, principalmente a partir do Brasil. A empresa revela que só o bloco europeu deve importar 3 bilhões de litros de nos próximos oito anos - atualmente são 500 milhões. Nessa relação de países europeus importadores, a Alemanha introduzirá a mistura compulsória em combustíveis automotivos de 2% para o etanol e 5% para o biodiesel. A União Européia pretende contar com 5,75% de biocombustível em todos os combustíveis automotivos comercializados em sua região até 2010.

País já bem posicionado nessa promissora a abertura de mercado, no Brasil a tendência do etanol se vê na indústria automotiva – que registra 80% das vendas de veículos leves tipo flexfluel, conforme o dados da AliceWeb/MDIC. “Por aqui também se autoriza o aumento do anidro na gasolina C de 20% para 23%, sem contar a adoção da mistura de álcool à gasolina em vários países”, conta o presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

Estrutura brasileira

No campo brasileiro a energia renovável representa 45% de nossa matriz energética – no mundo são 14% e nos países da OCDE 16%, segundo a AIE. Atualmente há 347 usinas em operação no Brasil. Em fase de montagem e com operação iniciada em 2006, existem 46 unidades novas, além de outras 44 em etapa de projeto aprovado.

O total de investimentos previsto para o segmento dentro de oito anos (até 2015) é de US$ 8,4 bilhões. “A cana é a cultura ideal para produzir açúcar e etanol, seja em produtividade por área, custo de produção, balanço energético e até por sua capacidade de gerar emprego”, disse o presidente da Udop, Antonio Cesar Salibe, durante evento Clube da Cana 2006.

Reflexo dessa demanda justifica-se pela estrutura interna distribuída por usinas concentradas na região Centro – Sul, compreendida pelas regiões Centro - Oeste, Sudeste e Sul. “Na última safra, a região Oeste Paulista foi responsável por esmagar cerca de 22% de toda a cana processada no País, sendo que 35% de toda a cana produzida vem do Estado de São Paulo. São 3,7 bilhões de litros de álcool e 5,5 milhões de toneladas de açúcar”, afirma Salibe.

“O Oeste Paulista tem importante papel no fornecimento de cana. Reunirá 40 das 70 novas unidades previstas para se alocarem no País, cada uma produzindo dois milhões de toneladas de cana, 80 milhões ao todo”, conta Salibe. De acordo com a Udop, o investimento para esta implantação será de R$ 14 bilhões. “Nesse eixo, o corredor conhecido como a nova rota verde do setor, margeada pela Rodovia Marechal Rondon, ligará Jundiaí (SP) à divisa de Mato Grosso por onde já funcionam 17 unidades produtoras e oito novas unidades serão instaladas no trajeto. Entre a safra de 2006/2007 as unidades em funcionamento deverão produzir 85 milhões de toneladas.”

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