Edição 107 – 2006
Novos tempos da lubrificação
Engrenagem de usina brasileira: lubrificante semelhante ao usado pela Sonda americana New Horizons
Processo de segunda ou até terceira categoria nas usinas no passado, atividade ganha status no setor e evidencia produtos sintéticos para permitir safras mais prolongadas sem desgastes e necessidade de manutenção

A Sonda americana New Horizons decolou em janeiro de Cabo Canaveral, na Flórida, para uma viagem inédita para o único planeta ainda inexplorado, Plutão, no limite da fronteira do sistema solar. Com a forma de um grande piano e peso de 454 kg, a nave viaja a 13 quilômetros por segundo. Após percorrer 4,8 bilhões de quilômetros e pegar carona na gravidade de Júpiter, a missão espacial alcançará o seu destino apenas em 2015.

No Centro-Sul do Brasil, uma “viagem” iniciada em março deste ano está terminando com tempo menor em relação à expedição da New Horizons – mas os resultados previstos também nunca foram antes registrados. A safra 2006/2007 de cana-de-açúcar na região será concluída com produção de 409,7 milhões de toneladas, o que representa 86% do volume total colhido no Brasil, de 475,7 milhões de toneladas.

A produção atual é 10,3% superior aos volumes processados no ciclo 2005/2006, quando foram moídas 431,4 milhões de toneladas de cana. Os dados previstos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam o registro da maior safra da história do setor sucroalcooleiro nacional.

Para conseguir processar esta safra recorde sem grandes alterações nas plantas industriais, algumas usinas brasileiras recorreram a um artifício semelhante ao usado pela Sonda New Horizons para suportar as elevadas cargas e condições de operação impostas às suas atividades: tanto a nave quanto as moendas aplicaram lubrificantes sintéticos em engrenagens para evitar desgastes e necessidade de manutenção.

Nas usinas, a preocupação incide em operar sem paradas durante períodos de safra mais longos nos últimos anos, expediente necessário para atender as demandas domésticas e externas por açúcar e álcool – a conseqüência é a redução do tempo disponível para manutenção nos parques industriais.

Em algumas usinas, o período de desmonte e reparos para próxima safra, que já foi de quase seis meses, atualmente se restringe a 90 dias. Além de menos tempo para preparação dos equipamentos, a exigência produtiva das máquinas aumentou muito. Com demandas recordes, as usinas têm que ser cada vez mais produtivas.

A capacidade de extração dos equipamentos passa a aumentar significativamente. Uma usina que utiliza seis moendas de 78 polegadas processava 5.500 toneladas de cana por dia, no inicio do Proálcool. Atualmente, a mesma máquina, com algumas melhorias de engenharia, processa 14 mil toneladas de cana/dia.

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