Edição 107 – 2006
O fim da era da maquiagem
Usina com alto índice de aplicação de tintas anticorrosivas: fim da‘Era dos alquídicos’
Pintura anticorrosiva está deixando de ser marginalizada dentro um empreendimento sucroalcooleiro e passa a ser considerada ferramenta de aumento da vida útil das máquinas industriais

O procedimento foi tradicional às atividades de manutenção das usinas de açúcar e álcool durante décadas. Ao final de toda safra, durante o período de desmonte do parque industrial para reparos, era comum observar profissionais não especializados munidos de galões de tintas maquiando os equipamentos e estruturas das unidades sucroalcooleiras - com mão-de-obra e material a baixos custos.

Rejeitada, a sugestão de implantação de sistemas de pintura para partes internas das máquinas mantinha como adversário um conceito popular entre os administradores das usinas. Segundo a concepção, era mais vantajoso deixar o equipamento se corroer e substituí-lo na entressafra.

As distorções sobre a finalidade da aplicação de tintas respaldavam a idéia. A pintura tinha sua função relacionada à decoração das usinas. “As tintas anticorrosivas eram comparadas com as tintas imobiliárias que visam praticamente a estética. Portanto, este conceito era visto como gasto”, lembra o engenheiro químico Jader Salomão, diretor técnico da Perfortex Tintas e Resinas.

A análise superficial e o subdimensionamento da proteção anticorrosiva conferida às máquinas provocaram algumas seqüelas em várias plantas industriais. Usinas chegaram a trabalhar com níveis operacionais críticos, devido à inadequação de equipamentos para as condições de serviço, com conseqüente risco de segurança.

Mas a profissionalização do setor e a conscientização acerca dos objetivos da pintura anticorrosiva estão decretando a decadência definitiva do período conhecido como ‘A era dos alquídicos’. “Nos últimos 15 anos, têm-se verificado que a pintura, dentro do valor global de um empreendimento, deixou de ser marginalizada, dando lugar a uma avaliação técnica criteriosa como forma de assegurar operacionalmente os investimentos feitos”, revela o gerente geral de vendas da Renner Herrmann, Clayton Queiroz.

A Nardini Agroindustrial é uma das empresas que considera o uso de tintas anticorrosivas de alta performance um investimento. Na usina, a pintura está presente em todos os equipamentos da fábrica de açúcar, as tubulações em geral e as caldeiras. “Hoje, tintas são investimento na vida útil e durabilidade nos equipamentos”, afirma o supervisor de manutenção, moagem e caldeira, Luiz Eduardo Bonsi Faggin.

A difusão do conceito, entretanto, não foi espontânea no setor. As exigências do mercado também estimularam a conscientização sobre os benefícios na Nardini. “O objetivo das usinas atualmente é fabricar produtos que possam ser usados com nível alimentício. Então, temos que trabalhar como uma empresa produtora de alimentos”, analisa. “Com tintas, a usina evita corrosão e evita partículas dos próprios equipamentos no produto final. Aumenta o valor do produto no mercado”.

Além do crescimento das exportações de açúcar e aumento do rigor no mercado interno, as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também forçaram a mudança de pensamento – as regras tornaram-se mais severas para as condições de higiene e a segurança sanitária das instalações fabris das indústrias alimentícias.

Estímulos também foram oferecidos pela Copersucar. A cooperativa passou a premiar as usinas que investissem em revestimentos internos e na higienização de suas fábricas, por meio de aumento nos valores pagos pelo açúcar comercializado. “O mercado somente deu importância quando começaram a ser inspecionadas por órgãos regulamentadores. Também começaram a sofrer inspeções de seus clientes, no caso grandes consumidores de açúcar, como grandes indústrias de refrigerantes e chocolate”, define Clayton Queiroz, da Renner.

O engenheiro Celso Gnecco, gerente de treinamento técnico da Sherwin-Williams do Brasil (Divisão Sumaré), aponta outra razão. “O industrial passou a perceber que, além de melhorar a qualidade do açúcar, a pintura é uma grande aliada na questão de preservar o seu patrimônio. Verificou que o investimento em melhoria das suas instalações resulta em aumento da qualidade e lucratividade”.

Foi o caso da Usina Batatais, que há 10 anos realiza pintura anticorrosiva em cubas e dornas - recentemente, expandiu a aplicação de tintas para vácuo, cristalizador, centrífuga, tubulações. No prazo de 18 meses, a unidade também implantará o procedimentos em outras cubas e tanques de mel – todos os equipamentos foram produzidos a partir de aço carbono.

Na safra 06/07, a Usina Batatais moeu 3,145 milhões de toneladas de açúcar. A unidade exportou toda a produção de açúcar, que somou 247,4 mil toneladas. “O investimento atual em aço inox se tornou muito caro e nós trabalhamos com muitas substâncias abrasivas. Em vez de comprar aço inox, é melhor fazer pintura correta dos equipamentos de aço carbono. Assim, além de melhorar a qualidade do açúcar, reduzimos a corrosão”, explica o supervisor de produção da Batatais, Carlos Alberto de Abreu.

Susceptibilidade à corrosão

As fábricas de açúcar são mais agredidas pela corrosão do que as destilarias de álcool. O aço carbono é suscetível ao problema, caso não seja tratado adequadamente. A presença de substâncias no processo de produto, como o próprio açúcar, a umidade, e as lavagens constantes para desinfecção de determinadas áreas, são fortes agentes corrosivos.

Os fabricantes de tintas garantem que a pintura assegura a vida útil do equipamento, impedindo a aparição da corrosão. A durabilidade pode variar de 5 a 10 anos, de acordo com as condições de agressividade, com a realização da preparação da superfície e com a manutenção preventiva.

LEIA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO IMPRESSA

Desejando saber mais sobre a matéria: redacao@editoravalete.com.br
NA EDIÇÃO IMPRESSA

• Matéria de Capa
Escolha do lubrificante, método de aplicação e profissionais influenciam resultados
Usina do Grupo Virgulino oliveira apresenta caso de sucesso
Demada aquecida do setor compensa parte da estagnição do mercado
 

z