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O procedimento foi tradicional às atividades de manutenção
das usinas de açúcar e álcool durante décadas.
Ao final de toda safra, durante o período de desmonte do
parque industrial para reparos, era comum observar profissionais
não especializados munidos de galões de tintas maquiando
os equipamentos e estruturas das unidades sucroalcooleiras - com
mão-de-obra e material a baixos custos.
Rejeitada, a sugestão de implantação de sistemas
de pintura para partes internas das máquinas mantinha como
adversário um conceito popular entre os administradores das
usinas. Segundo a concepção, era mais vantajoso deixar
o equipamento se corroer e substituí-lo na entressafra.
As distorções sobre a finalidade da aplicação
de tintas respaldavam a idéia. A pintura tinha sua função
relacionada à decoração das usinas. As
tintas anticorrosivas eram comparadas com as tintas imobiliárias
que visam praticamente a estética. Portanto, este conceito
era visto como gasto, lembra o engenheiro químico Jader
Salomão, diretor técnico da Perfortex Tintas e Resinas.
A análise superficial e o subdimensionamento da proteção
anticorrosiva conferida às máquinas provocaram algumas
seqüelas em várias plantas industriais. Usinas chegaram
a trabalhar com níveis operacionais críticos, devido
à inadequação de equipamentos para as condições
de serviço, com conseqüente risco de segurança.
Mas a profissionalização do setor e a conscientização
acerca dos objetivos da pintura anticorrosiva estão decretando
a decadência definitiva do período conhecido como A
era dos alquídicos. Nos últimos 15 anos,
têm-se verificado que a pintura, dentro do valor global de
um empreendimento, deixou de ser marginalizada, dando lugar a uma
avaliação técnica criteriosa como forma de
assegurar operacionalmente os investimentos feitos, revela
o gerente geral de vendas da Renner Herrmann, Clayton Queiroz.
A Nardini Agroindustrial é uma das empresas que considera
o uso de tintas anticorrosivas de alta performance um investimento.
Na usina, a pintura está presente em todos os equipamentos
da fábrica de açúcar, as tubulações
em geral e as caldeiras. Hoje, tintas são investimento
na vida útil e durabilidade nos equipamentos, afirma
o supervisor de manutenção, moagem e caldeira,
Luiz Eduardo Bonsi Faggin.
A difusão do conceito, entretanto, não foi espontânea
no setor. As exigências do mercado também estimularam
a conscientização sobre os benefícios na Nardini.
O objetivo das usinas atualmente é fabricar produtos
que possam ser usados com nível alimentício. Então,
temos que trabalhar como uma empresa produtora de alimentos,
analisa. Com tintas, a usina evita corrosão e evita
partículas dos próprios equipamentos no produto final.
Aumenta o valor do produto no mercado.
Além do crescimento das exportações de açúcar
e aumento do rigor no mercado interno, as normas da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também
forçaram a mudança de pensamento as regras
tornaram-se mais severas para as condições de higiene
e a segurança sanitária das instalações
fabris das indústrias alimentícias.
Estímulos também foram oferecidos pela Copersucar.
A cooperativa passou a premiar as usinas que investissem em revestimentos
internos e na higienização de suas fábricas,
por meio de aumento nos valores pagos pelo açúcar
comercializado. O mercado somente deu importância quando
começaram a ser inspecionadas por órgãos regulamentadores.
Também começaram a sofrer inspeções
de seus clientes, no caso grandes consumidores de açúcar,
como grandes indústrias de refrigerantes e chocolate,
define Clayton Queiroz, da Renner.
O engenheiro Celso Gnecco, gerente de treinamento técnico
da Sherwin-Williams do Brasil (Divisão Sumaré), aponta
outra razão. O industrial passou a perceber que, além
de melhorar a qualidade do açúcar, a pintura é
uma grande aliada na questão de preservar o seu patrimônio.
Verificou que o investimento em melhoria das suas instalações
resulta em aumento da qualidade e lucratividade.
Foi o caso da Usina Batatais, que há 10 anos realiza pintura
anticorrosiva em cubas e dornas - recentemente, expandiu a aplicação
de tintas para vácuo, cristalizador, centrífuga, tubulações.
No prazo de 18 meses, a unidade também implantará
o procedimentos em outras cubas e tanques de mel todos os
equipamentos foram produzidos a partir de aço carbono.
Na safra 06/07, a Usina Batatais moeu 3,145 milhões de toneladas
de açúcar. A unidade exportou toda a produção
de açúcar, que somou 247,4 mil toneladas. O
investimento atual em aço inox se tornou muito caro e nós
trabalhamos com muitas substâncias abrasivas. Em vez de comprar
aço inox, é melhor fazer pintura correta dos equipamentos
de aço carbono. Assim, além de melhorar a qualidade
do açúcar, reduzimos a corrosão, explica
o supervisor de produção da Batatais, Carlos Alberto
de Abreu.
Susceptibilidade à corrosão
As fábricas de açúcar são mais agredidas
pela corrosão do que as destilarias de álcool. O aço
carbono é suscetível ao problema, caso não
seja tratado adequadamente. A presença de substâncias
no processo de produto, como o próprio açúcar,
a umidade, e as lavagens constantes para desinfecção
de determinadas áreas, são fortes agentes corrosivos.
Os fabricantes de tintas garantem que a pintura assegura a vida
útil do equipamento, impedindo a aparição da
corrosão. A durabilidade pode variar de 5 a 10 anos, de acordo
com as condições de agressividade, com a realização
da preparação da superfície e com a manutenção
preventiva.
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