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Treinamento de mão-de-obra e preparação
do terreno estão entre os segredos para o sucesso de uma colhedora
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Passado mais de 25 anos da chegada ao Brasil das primeiras
colhedoras, o setor sucroalcooleiro ainda carece de um grande trabalho
de conscientização para que essas máquinas tenham um excelente desempenho
no campo. Dados de fabricantes de colhedoras apontam para um índice
de 46% de mecanização na região de Ribeirão Preto, apesar do número,
o setor ainda tem muito o que aprender sobre o uso dessas máquinas.
À primeira vista parece que é uma simples troca: colocar a cargo de
uma máquina, um serviço que é executado por homens e mulheres. Mas,
do ponto de vista da produtividade, esta “simples troca” requer uma
atenção muito especial, principalmente, quando compara–se as perdas
resultantes da colheita mecanizada e àquelas encontradas na colheita
manual. “Existe uma falta de treinamento de equipes e de preparo da
área”, observa Janir Matos, coordenador do Grupo de Mecanização do
Setor Sucroacooleiro (GMSS), entidade que congrega 20 usinas do país
e que realiza uma reunião mensal para discutir e sugerir a introdução
de colhedoras e plantadoras. Janir atribui essa falta de treinamento
de equipes e de preparo do terreno à própria usina. Segundo ele, a
área de recursos humanos de algumas usinas deixam a desejar porque
não trabalham a equipe para receber a colhedora. “O trabalho na base
é muito importante porque é uma mudança na filosofia da empresa de
colher cana” ressalta ele. Em tom de frustração, Janir disse que,
recentemente, ouviu o seguinte “absurdo” de um gerente agrícola: “Estamos
reduzindo o trabalho da colhedora porque ela perde muito a cana”.
Apesar das críticas, que diga–se de passagem, são construtivas, Janir
acredita que algumas usinas que fazem parte do GMSS estão num bom
estágio de desenvolvimento.
Janir, que foi um dos primeiros brasileiros a conhecer e operar uma
colhedora, cita, dentro do preparo da área, diversas ações que precisam
ser tomadas, antes do terreno receber uma colhedora. A limpeza da
área, por exemplo, é uma ação extremamente importante para se ter
um bom desempenho da máquina. Como experiência, Janir recomenda que,
após uma colheita manual de cana crua, seja feito o que ele chama
de “operação pente fino”, ou melhor, o recolhimento de materiais com
a ajuda de um pequeno trator com uma caçamba acoplada.
“É um absurdo o que pode ser encontrado em uma lavoura de cana” diz
ele. Ele mesmo já teve a oportunidade de encontrar: de rodas de motocicleta
à tocos de árvore passando por restos de automóveis e pedaços de instrumentos
agrícolas. Todo esse tipo de material é extremamente prejudicial ao
bom desempenho da colhedora. Em alguns casos, quando a máquina suga
alguns desses materiais perde–se até um dia inteiro de serviço para
o concerto. Além da limpeza do terreno, as usinas devem estar atentas
a uma série de outros itens fundamentais para o bom desempenho da
colhedora. Entre eles destacam–se ainda a topografia do terreno; variedade
de cana que está sendo trabalhada; e o treinamento da equipe. Janir
começou a trabalhar com colhedora de cana em 1973. Na época, então
funcionário do Grupo Atalaia, teve a oportunidade de conhecer as colhedoras
da marca Dalmisi (primeiras a chegar no país) e as colhedoras da Massey
Fergusson, que hoje já não existem mais.
Ex–gerente agrícola da Usina Albertina, Janir destaca o excelente
trabalho que foi realizado nesta unidade para que fosse implantado
o sistema de colheita mecanizada. Ele lembra que no primeiro dia de
trabalho cada uma, das três colhedoras existentes, totalizou 600 toneladas
de cana colhida. “No primeiro ano de trabalho cada uma das colhedoras
cortou e coletou um total de 128 mil t/c”, lembra ele. Este índice
não é uma regra geral das usinas. No que diz respeito às perdas provocadas
pelas colhedoras, o próprio GMSS sugeriu aos fabricantes uma série
de melhorias que, segundo Janir, foram atendidas pelas empresas. “Colhedoras
como Cameco e Case evoluíram muito tecnologicamente” disse um técnico
de uma Usina do Centro–Sul que não quis ter seu nome revelado. Segundo
esse técnico, apesar da evolução as perdas ainda são muito questionadas
pelos usuários. |
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Na Edição Impressa
Nº 66 – Mar/Abr de 2001
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