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Colheita mecanizada requer uma série
de desafios
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Em artigo publicado originalmente na Revista Mega
Máquinas, o professor Oscar Braunbeck, coordenador do Laboratório
de Projetos de Máquinas Agrícolas da Unicamp, expõe que “a cana–de–açúcar
demanda anualmente a retirada de aproximadamente 80 t/ha de colmos,
quantidade 20 vezes maior que os cereais mais plantados. Entretanto,
a colheita mecânica da cana é menos desenvolvida. A mecanização representa
a melhor oção tanto do ponto de vista ergonômico quanto econômico,
principalmente em relação ao meio ambiente, já que apenas o corte
mecânico viabiliza a colheita da cana sem queima prévia. No entanto,
a colheita manual tem predominado ao longo da existência da cana e
continua sendo aplicada em 80% dos canaviais brasileiros, com auxílio
da queima de aproximadamente 50 milhões de toneladas de palha como
recurso de limpeza prévia à entrada da mão–de–obra no canavial. O
Brasil teve, nas décadas de 70 e 90, dois surtos de crescimento da
colheita mecânica que pareciam dar início a um processo rápido e contínuo
de implantação do corte mecânico, em ambos os casos, o processo perdeu
força e apenas estabilizou a mecanização num patamar mais elevado.
Os dois fatores mais freqüentemente apontados para justificar o adiamento
da colheita mecanizada são: o aproveitamento da mão–de–obra disponível
e a inadequação dos canaviais à tecnologia de colheita existente.
O primeiro fator não parece ser determinante já que no decorrer dos
séculos XIX e XX observou–se um processo contínuo de substituição
da mão–de–obra por processos mecanizados ou robotizados, na medida
que estes foram se tornando suficientemente eficientes e competitivos
com relação aos processos manuais. Este é o caso da colheita de cereais
cuja tecnologia encontra–se consolidada por mais de meio século. A
adequação das lavouras às colhedoras tem sido amplamente debatida
e melhorada durante os últimos 25 anos de operação no Brasil, do que
pode-se concluir que os esforços nesse sentido não poderão conseguir
ganhos significativos, além dos já conseguidos. Existem ainda fatores
importantes ligados à qualidade e às perdas de matéria–prima, fatores
esses mais diretamente dependentes das colhedoras, que estão atualmente
dificultando a disseminação da colheita mecanizada. Avaliações recentes
mostram que as perdas de matéria–prima permanecem na faixa de 6 a
15% e que a contaminação da matéria–prima com terra, folhas e ponteiros
permanecem em quantidades muito superiores às observações historicamente
com a colheita manual de colmos inteiros.
Os princípios utilizados nas funções básicas das colhedoras australianas
tem permanecido inalterados desde 1957. Nesse “campo” é que existe
o maior potencial de ganho no futuro próximo. Trata–se de quatro funções
básicas relacionadas juntamente com suas principais deficiências funcionais
apresentadas no quadro a seguir. Conclusão: Torna–se prioritária a
procura de soluções para as limitações intrínsecas dos princípios
de colheita: isto implica na proposta de novas soluções com base nas
características das lavouras brasileiras assim como viabilizar os
trabalhos de desenvolvimento com participação multidisciplinar de
especialistas das áreas agronômica, projeto mecânicos, simulação e
otimização virtual, confiabilidade mecânica, fabricação e vendas.
A coordenação dessa equipe representa um grande desafio cujo sucesso
depende de uma participação equilibrada das referidas áreas. As soluções
para os problemas descritos são economicamente necessárias, tecnicamente
possíveis, humanamente difíceis mas não impossíveis de implementar”.
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| Professor Braunbeck: colhedoras têm quatro
deficiências básicas |
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Funções básicas
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Corte de ponteiros – Os ponteiros representam
a principal fonte de impurezas vegetais da matéria–prima
Deficiência – Os elevadores helicoidais (pirulitos) não conduzem
os colmos inclinados até a área de ação do cortador de pontas
e consequentemente os ponteiros não são eliminados. |
Corte de base: A terra incorporada pelo cortador
de base à matéria–prima inclui sílica e microorganismos que
prejudicam o processamento industrial e a qualidade do açúcar.
Deficiência – O perfil frontal dos discos, encarregados de efetuar
a varredura do solo e o corte dos colmos, não é plano; essa
configuração geométrica exige penetração dos discos no solo
para efetuar o corte rente ao mesmo; a terra movimentada contamina
os colmos, demanda maior potência e desgasta o equipamento.
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Picagem – Os colmos cortados em rebolos com
comprimento de 200 a 250 mm permitem seu manuseio a granel utilizando
esteiras convencionais.
Deficiência – O paradigma da picagem surgiu inicialmente para
eliminar o custo de carregamento dos colmos inteiros. As dificuldades
encontradas posteriormente com a compactação do solo e a logística
de gerenciamento da interface colheita–transporte demandaram
a introdução do transbordo com custo similiar ao carregamento
e sem resolver totalmente os problemas para os que foi criado.
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Ventilação – As impurezas contidas na matéria–prima,
na forma de folhas, ponteiros e terra são parcialmente retiradas
através de um processo de ventilação.
Deficiência – Para compensar a falta de espaço e tempo de residência
na unidade de limpeza são utilizadas velocidades de ar altas,
do que resultam perdas importantes de matéria–prima. |
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Na Edição Impressa
Nº 66 – Mar/Abr de 2001
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