Como os novos produtos químicos podem auxiliar na fabricação de álcool e acúcar
Rohn and Hass / Divulgação
Os insumos químicos, considerados como de vital importância na fabricação de álcool ou açúcar, estão ganhando novas aplicações em algumas unidades sucroalcooleiras. Já não é de hoje que toda empresa busca reduzir custos na produção, mas outras variáveis dentro do processo passaram a ter uma ênfase maior. Entre elas, destacam–se um maior rigor das legislações ambientais e a busca por tornar a empresa cada vez mais eficiente, fato que pode ser enquadrado dentro da filosofia de profissionalização do setor. Em função de um mercado internacional de açúcar, cada vez mais competitivo, as formulações do princípio ativo de alguns produtos, utilizados largamente, também estão recebendo uma nova atenção quanto ao seu grau de toxicidade, ditos como produtos amigáveis.

Lavagem de cana

Partindo da entrada do processo, a lavagem de cana está ganhando algumas novidades no que diz respeito a utilização de produtos químicos. O primeiro dado é que esta prática está tornando–se rara devido ao aumento da entrega da matéria–prima em colmos, ou seja, ao passo que aumenta–se a colheita mecanizada. O objetivo das empresas é acabar com as perdas indeterminadas onde estima–se a sacarose que não seguiu para o processo.
Além da cal, o tratamento de água de lavagem de cana está usando polímeros
Extração do Caldo

Os produtos químicos passam a desempenhar maior importância a partir da extração do caldo. É fato sabido que quanto mais tempo a cana demora para entrar no processo de moagem mais ela perde em inversão de sacarose, reduzindo seu teor. Na fase de extração do caldo, é onde começa–se a tentar neutralizar a ação de microorganismos nocivos, ou melhorar a “recuperação de sacarose”. Para isso, entram em cena agentes bactericidas para evitar a proliferação de microorganismos que não são interessantes para o processo, ou o controle bacterostático. Nessa limitação de microorganismos, geralmente, trabalha–se com razões de 106 e 107 UFC/ml.

Tratamento de Caldo

Nessa área, dependendo da região do Brasil, a utilização de produtos químicos está muito ligada ao mercado pretendido. Com isso, acontecem algumas diferenças na forma de se trabalhar com o caldo misto ou primário. Nas unidades situadas no Centro–Sul do país, o caldo primário segue para a produção de açúcar, enquanto que o caldo misto, do segundo terno em diante, segue para a produção de álcool. Geralmente, trabalha–se com dois decantadores em separado, um para o açúcar outro para o álcool. Já no Nordeste todo o caldo segue para a produção de açúcar. Com o excedente, ou o que não foi aproveitado pela fábrica, é feito o álcool a partir de uma diluição do mel final extraído das turbinas de lavagem do açúcar.
Marucci: tendência para uso de bactéricidas em usinas
Fábrica de acúcar

Na área de evaporação é onde percebe–se muito bem os resultados da utilização de substâncias na fase anterior. Agentes como os carbonatos, oxalatos e silicatos de cálcio, formam uma espécie de barreira de cristais impedindo a troca térmica no equipamento. A limpeza pode acontecer na forma mecânica ou química. Para quem dosa antiicrustantes encontra nos pré–evaporadores e evaporadores um material mais amorfo, fácil de ser eliminado. Para quem utiliza limpeza mecânica, segundo Marucci, além de ocupar um grande tempo dos operadores, expõe o mesmo a um risco muito grande quanto a sua integridade física, sem falar na perda de produção. “Se por algum motivo, no momento da limpeza houver uma má vedação da válvula que alimenta vapor para evaporação, poderá acontecer conseqüências graves”.
60% das usinas dosam antiincrustante
Destilaria

Nas Usinas situadas no Centro–Sul, o caldo misto, que na grande maioria dos casos também é clarificado, é enviado para a destilaria. Até aí, nenhuma novidade. Algumas unidades preferem ajustar o Brix do caldo diluído com água, aplicando mel final. Outras, como é o caso das Destilarias Autônomas, já produzem o caldo bruto clarificado o qual denominamos de mosto, visando a produção de álcool. Em qualquer uma das situações, o caldo passa por um processo de fermentação, onde normalmente, aplica–se produtos para multiplicação das leveduras mais conhecidas como Saccharomyces Cerevisae.
Flotação de xarope ganhou novos produtos
Cogeração e açúcar líquido ampliam o uso de resinas

Outro insumo químico que desempenha papel importante no processo de fabricação do álcool e do açúcar são as resinas. Há pouco tempo, elas encontraram novas aplicações em unidades que estão partindo para a produção de açúcar líquido. Durante muito tempo, a transformação do açúcar na forma líquida ficou a cargo das indústrias de bebidas e alimentos em geral. Entretanto, esse tipo de indústria está desativando as áreas de xaroparia para comprar o produto já na forma líquida. Nesse sentido, as Usinas estão entrando nesse mercado devido ao valor agregado que se coloca no açúcar.
Esquema de purificação de álcool
Desmineralização do álcool

Todo mundo sabe que os primeiros carros a álcool tinham problemas quanto ao revestimento de tanque e carburador. O fato acontecia porque os primeiros veículos a álcool, na verdade, eram movidos a gasolina e houve uma conversão onde foi esquecido as propriedades químicas do álcool carburante. Tempos mais tarde, as indústrias automobilísticas começaram a produzir veículos a álcool com componentes mais resistentes. O extinto Conselho Nacional do Petróleo, então, criou a especificação do álcool carburante onde ficou determinado as propriedades do álcool quanto ao pH, condutividade e teor de acidez. Esta última é que causa a corrosão, o pH mede essa corrosão e a condutividade mede os sais que podem incrustar. Para resolver o problema de incrustação e corrosão, entre os anos de 1982 e 1986, a Rohm and Haas trabalhou no desenvolvimento de resinas especiais para a desmineralização do álcool.
Na Edição Impressa
Nº 67 – Mai/Jun de 2001

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