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Destilaria Libra poderá ser o marco
de uma nova fase na preparação e moagem de cana
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Quem trabalha no setor sucroalcooleiro e gosta de
pescar, agora, tem um motivo a mais para visitar o Estado de Mato
Grosso. É que a Destilaria Libra, situada na cidade de São José do
Rio Claro (MT), acaba de introduzir um novo conceito de preparação
e moagem de cana. O fato está despertando a curiosidade de gerentes
industriais e fabricantes que querem saber como que uma Destilaria,
que possui uma moenda de quatro ternos, consegue ter eficiência de
extração acima de Usinas com moendas de seis ternos. Além disso, a
Destilaria está conseguindo uma produção de álcool acima de 100 litros
por tonelada de cana. “O setor está muito carente hoje de resultado.
Fala–se muito em implantar instrumentação, mas o básico está sendo
deixando de lado” avalia o gerente industrial da unidade, Hélio Humberto
Oliveira, que esteve à frente de todas as mudanças no preparo e moagem
da cana.
De antemão, adianto ao leitor que não foi possível relevar o “Ovo
de Colombo” como gostaria, entretanto, foi possível buscar informações
que poderão ser valiosas na sua próxima parada para manutenção. As
mudanças no preparo e moagem da cana da Destilaria Libra aconteceram
em dois pontos principais: na placa do desfibrador e na regulagem
dos ternos da moenda. Na primeira parte, a Destilaria mexeu com os
tradicionais valores que determinam o cálculo de abertura da moenda,
ou seja, quanto estará sendo processado em uma safra e como será feita
a montagem do equipamento.
É nesse cálculo que encontra–se o “x” da questão. “Geralmente, o pessoal
trabalha com peças um pouco mais fechadas a cada terno” disse o gerente
industrial. A regulagem dos ternos foi realizado pela Promoen, empresa
com sede em Sertãozinho e de propriedade do projetista mecânico João
Alberto, ex–funcionário da DZ. “O trabalho realizado em Mato Grosso
foi inovador e a iniciativa e disposição do gerente industrial da
Libra foi primordial para o sucesso do projeto. Queremos testar nossa
nova tabela de cálculos em outras Usinas para ter a certeza absoluta
de que dá certo” observa Alberto.
Segundo ele, a equipe envolvida trabalhou duas regulagens para as
moendas: uma tradicional e outra com valores alterados para se obter
mais eficiência de extração. “O Hélio aceitou, mas fizemos o trabalho
de tal maneira que, em caso de problemas na nova regulagem, não haveria
nenhum transtorno para voltar aos valores antigos”. Tanto Hélio como
João Alberto repetiram por diversas vezes que a Destilaria está a
disposição para quem quiser contestar os valores aplicados ou os resultados
obtidos. Após aplicada essa nova tabela de regulagem, com apenas quatro
ternos, a Destilaria Libra tem conseguido eficiência de extração entre
96,5% e 97%, valor semelhante ou superior encontrado em moendas de
seis ternos. Geralmente, com quatro ternos, uma moenda pode oferecer
eficiência de extração na casa dos 94%. Vale lembrar que o índice
de 97% na Destilaria Libra está associado às mudanças no desfibrador
que você verá a seguir. Apenas com a regulagem, mas com a mesma placa
de desfibrador, a Destilaria chegou no índice de 95,2%.
O fato pode mudar o que se conhece até hoje em regulagem ou fabricação
de moendas. Com quatro ternos, uma empresa reduziria de forma substancial
o consumo de óleo lubrificante, gastos com manutenção e vapor. Neste
último item, o fato torna–se ainda mais interessante uma vez que pode–se
remeter esse insumo para a cogeração de energia. |
| Nova placa do defibrador possibilitou ter
cana mais desfiada |
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| A outra ponta dessa história foi complementada por
algumas mudanças realizadas na placa do desfibrador, peça fundamental
para gerar máxima extração nas moendas. Sua instalação deve ser acompanhada
com outras modificações como a instalação de esteira rápida, separador
magnético, chutes Donelly, sistema automático de alimentação, aplicação
de solda dura e modificação do ajuste das camisas de Moenda. |
| Um dos segredos está na "tabelinha" que define
como a moenda será montada |
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Quanto melhor trabalhada a placa do desfibrador mais
consegue–se desfiar a cana que entra no processo e, conseqüentemente,
retém–se mais caldo. O que a Destilaria Libra fez foi implantar uma
nova placa com dimensões específicas de seu processo. Atualmente,
a empresa trabalha com um desfibrador Cop 5 e uma moenda 30 x 54 de
quatro ternos, moendo 150 t/c/h. Também neste caso, as alterações
realizadas na nova placa do desfibrador foram feitas de tal maneira
que não haveria nenhum problema para se voltar à placa antiga. “Acho
que é viável se trabalhar com uma placa nova” recomenda João Alberto.
Segundo ele, apesar do investimento, estimado em R$ 30 mil, tem–se
uma placa garantida por 15 anos.
Com as alterações, evitou–se o vazamento de caldo a cada terno da
moenda. Geralmente, as Usinas trabalham com esse vazamento, o que
resulta em um bagaço mais úmido no final do processo. Outro ponto
importante é que, com a placa nova, consegue-se desfibrar mais a matéria–prima
apresentando valores entre 13% e 17%. |
| Eficiência de extração em quatro ternos chega
a 97% |
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| Para a próxima safra, a Destilaria está pensando em
melhorar a eficiência de moagem ainda mais, mas não sabe ao certo
em quanto será essa mudança ou como elas irão acontecer. Por enquanto,
João Alberto acredita que, com a novidade, não dá para se pensar em
100% de eficiência em moagem de cana. O que existe de mais eficiente
é o sistema de difusão, agregado a índice de preparo, que pode apresentar
eficiência de 98%. |
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Na Edição Impressa
Nº 68 – Jul/Ago de 2001
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