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Cogeração soma R$ 300 milhões em
2001
Cana deverá agregar mais de 400 MW ao sistema
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Ainda com a trava um pouco emperrada, a cogeração
de energia a partir do bagaço, nem de longe, está explorando todo
o seu potencial disponível. Apesar dos vários investimentos que já
foram anunciados, parece que o empresário sucroalcooleiro ainda quer
ver regras mais claras para explorar todo o potencial que este setor
oferece. Veja o leitor, por exemplo, que números de várias entidades
apontam para um potencial de 12 mil MW, entretanto, menos de 1,4 mil
MW está se cogerando pelo bagaço de cana. “Vários projetos estão parados
devido à dificuldade na obtenção dos financiamentos e à falta de uma
política que ofereça garantia mínima aos investimentos”, afirma o
presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho.
Na mesma linha de pensamento, o empresário Pedro Biagi Neto, da Usina
da Pedra, acredita não ser o melhor momento para se investir em cogeração
de energia. Existe o temor de que, de uma hora para outra, a crise
energética seja resolvida e as usinas fiquem na mão com projetos paralisados.
A reclamação do passado dos empresários era a de que o preço pago
pelo KW/h era muito baixo e não compensava–se realizar altos investimentos
para a produção desse subproduto da cana. Em algumas entrevistas,
a cogeração já chegou a ser citada, no passado, até como “lucro marginal
em uma usina”. Hoje, devido a crise prevista de energia, a história
está um pouco diferente.
As empresas sucroalcooleiras estão conseguindo bons contratos de venda
de excedentes energéticos. A CPFL, por exemplo, que possui oito contratos
na região de Ribeirão Preto, paga em média R$ 55 o MW. No passado,
essa mesma energia já foi comprada por R$ 2,50. No mercado, as usinas
negociam seu KW/h até a R$ 80.
Hoje, apesar da dificuldade na obtenção de investimentos, como coloca
o presidente da Unica, a energia jogada na rede deve subir para 2
mil MW no próximo ano. Em 2001, os projetos em carteiras das Usinas
somam investimentos da ordem de R$ 300 milhões. Do montante, cerca
de R$ 220 milhões estarão sendo disponibilizados pelo BNDES. Se somado
todos os projetos de energia já aprovados, mais aqueles que tem o
gás natural como combustível, o BNDES já disponibilizou R$ 1,6 bilhão
para investimentos em cogeração de energia. A informação é do próprio
BNDES.
Os R$ 220 milhões do banco traduzem–se em oito projetos que estão
em análise, sem previsão de prazo para autorização. Se aprovados,
os oitos projetos renderão ao sistema mais 400 MW. Para o vice–presidente
da Usina Vale do Rosário, Cícero Junqueira Franco, se o investimentos
fossem feitos há dez anos, quando as usinas estavam mais capitalizadas
e melhor tecnologia, a crise energética hoje seria menor, pelo menos
no Estado de São Paulo.
A Vale do Rosário lidera o ranking de cogeração no Estado com capacidade
de 30 MW. Em segundo lugar, vem a Barra Grande (13,8 MW) e, empatados
em terceiro, com 10 MW cada, a Santo Antônio, Nova América e Moema
(veja no quadro as autorizações concedidas pela Agência Nacional de
Energia Elétrica – Aneel – nos últimos dois anos). As unidades industriais
que desejam implantar projetos de cogeração de energia precisam qualificar–se
de acordo com a Resolução nº 21 da Agência.
Potencial brasileiro é apresentado na Holanda
A experiência do Brasil com a geração de energia elétrica a partir
dos resíduos da cana foi apresentado na Holanda, durante a reunião
do International Cogeneration Alliance (ICA). Na ocasião, o Brasil
foi representado pelo diretor geral do INEE – Instituto Nacional de
Eficiência Energética, Jayme Buarque de Hollanda, que enfatizou a
disponibilidade de resíduos do processo de fabricação de açúcar e
álcool que pode atender a mais de 10% da potência instalada no país.
O ICA foi criado especificamente para estimular a cogeração no mundo,
considerando não apenas a eficiência desta tecnologia para gerar energia
elétrica mas, principalmente, pela grande contribuição que oferece
com a redução de riscos de aquecimento do meio ambiente. A Holanda,
país que hospeda a reunião do ICA, tem mais de 30% da energia elétrica
gerada com base na cogeração. Na opinião do diretor geral do INEE,
“a Holanda é um exemplo importante a ser considerado no Brasil uma
vez que, embora o país já disponha de gás natural, faltam ainda geradores
para atender a demanda”.
Na reunião do ICA, o diretor geral do INEE apresentou o potencial
brasileiro de energia a ser produzido com a queima do bagaço da cana,
além de alguns dados muito interessantes. A energia contida na cana,
por exemplo, é maior que todo o petróleo importado pelo país em 1999.
Apesar disso, a geração de energia elétrica com resíduos desta agroindústria
não tem recebido a devida importância, pois, atualmente, apenas uma
pequena fração do potencial está sendo aproveitado.
“O uso desta energia tem a vantagem de não perder divisas para o país
e de fixar empregos, uma vez que os equipamentos necessários para
a cogeração de energia elétrica são todos fabricados no Brasil”, explica.
Outra vantagem, na opinião dele, é que parte dessa energia elétrica
pode ser gerada precisamente no período das secas, que é a época em
que as hidrelétricas têm menor capacidade de geração. |
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Na Edição Impressa
Nº 68 – Jul/Ago de 2001
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