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Rio Cana - programa de reativação
do setor
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| RJ: programa especial para os derivados da
cana |
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O Governo do Estado do Rio de Janeiro criou, logo
no seu início, dois programas de incentivos agrícolas, um para as
culturas tradicionais (cana, café, leite e horticultura) e outro para
culturas emergentes como fruticultura, piscicultura, agroindústria
de base familiar e floricultura. A equipe da Secretaria de Agricultura
do Governo Anthony Garotinho, liderada por Christino Áureo da Silva,
percebeu que o Estado, apesar de ter uma área relativamente pequena,
possui um mercado consumidor generoso.
“A distinção entre emergentes e tradicionais é muito importante porque,
nos primeiros, a pequena propriedade familiar é maioria. No caso das
culturas tradicionais,com exceção da horticultura, embora existam
grande número de pequenas propriedades, os médios e grandes agricultores
dominam, com forte presença de uma indústria já estruturada. São dois
mundos diferentes”, afirma o secretário.
Os programas da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro
têm um diferencial importante: cria sistemas de proteção de preço
de forma nova e inteligente. Segundo Christino, a secretaria mapeou
o setor agrícola e sua interação econômica para desenhar os projetos.
“Essa questão da proteção é básica porque, quando existe corrosão
do preço, se ofende o princípio mais básico da atividade econômica
e nada se sustenta sem uma política que vise preservar um nível mínimo
de rentabilidade das atividades”. E o secretário vai mais longe: assume
que o Governo está assumindo o subsídio quando ele for determinante
para a continuidade da atividade agrícola. E, nesse contexto de revitalização
que passa a agricultura fluminense, o setor de álcool e açúcar se
insere de forma contundente para a região do Norte Fluminense.
Para Christino, um projeto de país que vise atuar com produtos que
sofram influência do mercado externo — e, nesse caso estamos falando
das commodities açúcar, álcool e energia — ainda que pretenda vender
apenas no mercado interno, precisa ter políticas compatíveis com as
dos países de primeiro mundo — países que praticam protecionismos
disfarçados de barreiras técnicas, sanitárias e alfandegárias. Ou
seja, a lógica do Governo é criar mecanismos de proteção do preço
e, ao proceder assim, faz um head para que o produtor mantenha um
nível de rentabilidade para se capitalizar e mesmo dispensar apoios
de crédito. “Queremos que, em pouco tempo, os produtores consigam
aprisionar parte do ganho para formar capital próprio e sustentar
a atividade, sem dependência de subsídios permanentes”.
No caso das usinas e destilarias de álcool e açúcar, a Secretaria
acredita que elas já sofreram achatamento de preços suficiente: quando
o crédito era farto, foi mal gerenciado, criando um estigma do desvio
de crédito. Num segundo momento, o crédito continuava farto mas a
inflação era proibitiva, pois, quebrava qualquer relação entre preço
e encargos. Quando a inflação foi controlada, o crédito desapareceu
para o setor: o setor sucroalcooleiro do Brasil ficou sem crédito,
sem preço, sem referências. Desde as exitações nos pagamentos das
equalizações por parte do Governo Federal — o setor reclama um passivo
muito grande na equalização de preços —, existe um grande impasse
por conta do contencioso preço versus dívidas que o setor teria com
o Tesouro. Para Christino, essa discussão impede o setor de avançar,
por isso foi deixada de lado para a criação de um programa especial
para o açúcar e o álcool, no Rio de Janeiro. |
| Christino: acordo com o setor fluminense |
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Uma rápida análise mostra o setor sucroalcooleiro
fluminense como espelho do Brasil: de 36 empresas existentes na década
de 80, restam apenas 10 em condições de operar. Essa queda deve-se
a uma conjunção de fatores que vão além do crédito, como baixos preços
e redução da produção de cana. A pressão altista dos produtores de
cana não encontrava eco nas usinas, porque elas não tinham recursos
para bancar esse aumento, muito em função da redução dos preços do
açúcar e do álcool. O momento em que os mercados internacional e nacional
sinalizaram recuperação dos preços, ainda que leve, foi o escolhido
para incentivar a retomada das atividades.
“Vou estabelecer um paralelo com o café para melhor entendimento:
o café está no pior nível de preço dos últimos 36 anos e é o momento
de se atuar no fomento da atividade porque, se a série histórica da
curva de preços está correta — e acredito que está —, certamente os
preços estarão crescendo em breve. Diferente de se aproveitar da euforia
deste ou daquele setor, lançando um programa no top das curvas de
preço, induzindo a um aumento de áreas plantadas contribuindo, assim,
para uma queda mais rápida e profunda dos preços. Eu diria que o setor
sucroalcooleiro está no momento adequado para o estímulo da produtividade.
A tragetória aponta para um cenário de maior confiança”, comenta Christino,
sem esquecer a influência da taxa de câmbio, que tanto pressiona o
país: a cana não necessita tanto de agrodefensivos cotados em dólar
e a exportação está facilitada.
Essa leitura de cenário levou à criação do Rio Cana, programa que
o Governador Garotinho lança agora, dia 18 de setembro, na região
de Campos e que deve contemplar toda a cadeia produtiva do setor sucroalcooleiro.
O Rio Cana é composto de algumas medidas que, seguramente, serão sucesso
e deverão ser levadas a outros Estados. Uma delas é o apoio ao produtor
de cana: o Banco do Brasil tem meta de aplicar R$ 20 milhões exclusivamente
direcionados à renovação e fundação de lavouras irrigadas e que usem
variedades testadas para melhorar o desempenho local.
Some-se a isso, o Sistema Moeda Verde, através do qual se institui
a equivalência produto, ou seja, o empréstimo tomado é convertido
em tonelagem do produto a ser produzido, com garantias do Governo
do Estado. Exemplificando: tomando-se 35 mil reais, ao preço de R$35/tonelada
de cana, o agricultor deve ao Banco 1.000 toneladas. Essas operações
são contratadas junto ao Banco do Brasil com taxas de juros que variam
de 4% a 8,75% ao ano, sem correção. Se, no resgate do empréstimo,
o preço estiver em R$25/t, o Governo do Estado cobre o restante, tornando
possível a quitação da dívida.
“Nesse caso, só estamos subsidiando-premiando quem produziu. Antes,
o subsídio era dado para todos, antes da safra, facilitando o desvio
e dificultando a fiscalização. No Rio Cana premia-se o trabalho, ainda
que ele sofra pressão de preços”, afirma Christino, que acredita que
esse sistema vai, no mínimo, pagar todos os custos, deixando o mutuário
com crédito para novos trabalhos.
Outro apoio do programa é que todo insumo que o produtor adquirir
pode ser transformado em crédito tributário. E, para que isso realmente
se efetive, foi criado o Crédito Prêmio de 2,1% sobre o preço pago
na tonelada de cana, ou seja, o produtor repassa esse prêmio à Usina
que o transforma em aumento do preço da cana. Como a Secretaria vai
acompanhar os envolvidos no Programa, essas transações devem acontecer
mesmo. Em caso negativo, a Usina será descredenciada do Rio Cana.
A Secretaria de Agricultura do Rio de Janeiro fechou acordo com o
setor — representado pela Firjan, Asflucan – Associação Fluminense
dos plantadores de Cana, Sindicato Rural de Campos e Sindicato dos
Trabalhadores da Indústria do Álcool e Açúcar — para a constituição
de uma equipe de assistência técnica que fará a supervisão do setor.
As Usinas e as representações dos produtores firmaram convênio com
a Fundenor – Fundação para o Desenvolvimento do Norte Fluminense para
bancar os custos da assistência técnica.
O Governo destaca, ainda, 0,4% do ICMS gerado para a pesquisa e desenvolvimento,
o que Christino não considera renúncia fiscal já que não existe geração
de ICMS sem os incentivos do plano. Esse percentual será aplicado
na pesquisa de novas variedades adaptadas ao Estado do Rio, gerenciado
pela Pesagro - Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de
Janeiro.
Com a possibilidade da revitalização do setor, deve aumentar a geração
de bagaço, o que estimulará a cogeração. Considerando que a área do
Rio Cana está na mesma região produtora de petróleo e gás, a intenção
é criar um mix bagaço e gás, faltando apenas ajustes de tarifas para
gás e energia elétrica, onde o Estado também pode abrir mão de uma
parcela do ICMS a gerar. Some-se a isso, a estimulação da Frota Verde
na região e mesmo no estado, incluindo aí a revisão da frota do Governo
do Estado, ainda que Christino ressalte que a produção de álcool no
Rio não chegue a 10% do consumo estadual. “Veículos a álcool serão
um estímulo a um combustível que, além de menos poluidor, gera arrecadação
e muitos empregos”.
O programa de Reativação da Agro- Indústria Sucroalcooleira Fluminense,
mais conhecido como Rio Cana Industrial vem do Fundes — Fundo de Desenvolvimento
Econômico Social do Estado do Rio de Janeiro, o que faz com que o
programa de revitalização das Usinas seja casado obrigatoriamente
com a modernização da produção. O crédito de R$2,56/tonelada de cana
esmagada — considerando a média registrada nas safras 1998-1999, 1999-2000,
2000-2001 —, vai ser pago em até 60 meses com 9% ao ano, sem correção.
Pelos estudos da Secretaria, o valor será suficiente para esta primeira
etapa do Projeto e a série histórica será reavaliada anualmente, para
acompanhar a retomada do nível de atividade da Usina. “É bom lembrar
que o grupo que acompanhou a formação do Programa será, em conjunto
com a secretaria, o gestor do Programa, em permanente monitoramento
do setor. Por isso, não assumimos a assistência técnica, mas a supervisão
do programa”, lembra Christino. |
| Estado tem 10 usinas operando |
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Existe ainda o repasse de no mínimo 20% do valor financiado
como adiantamento de compra de cana no setor produtivo, o que significa
que a Usina tem que repassar 20% daquele empréstimo para seus fornecedores,
fazendo com que ela os monitore também. Isso será efetivado através
da Cédula de Produto Rural, um produto do Banco do Brasil, que serve
para compras antecipadas de produção. Então, uma Usina repassa 20%
do que tomou para seus fornecedores com o compromisso de retorno futuro.
Essa CPR é validada no Banco do Brasil de forma que, se ao final do
processo, uma das pontas falhar, o Banco cumpre o compromisso.
O Rio Cana está fazendo mais que estimular o setor, está criando uma
nova cultura de cooperação entre as partes envolvidas, pois através
dos compromissos financeiros se estabelece uma atitude pró ativa para
que o outro obtenha sucesso. “Acredito que o Brasil não precise chegar
ao caos argentino; temos que ter a visão de que produtores e indústria
— que sempre se viram em lados opostos — estão unidos e a briga está
lá fora, no mercado internacional. Se não agirmos agora, que existem
10 empresas com condição de retomar em bons níveis, é o fim do setor
no estado”, pontua o secretário, que acredita que o programa não depende
de um governo ou outro porque é gerenciado pela iniciativa privada,
apenas sob supervisão do Estado. Tudo depende, com certeza, do nível
de aderência das partes ao programa. Vale lembrar que o interesse
no setor sucroalcooleiro não está restrito aos brasileiros que nele
atuam, muitos estrangeiros já começam a sondar as Usinas brasileiras.
“A Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro está em condições
de fornecer dados e aproximar eventuais investidores em todas as etapas
do processo, desde o plantio até eventuais aquisições ou alianças
estratégicas com usinas do Rio, com incentivos financeiros ou tributários,
conforme os vários programas do Governo do Rio”, finaliza Christino. |
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