Impurezas fizeram surgir sofisticados equipamentos nas usinas e destilarias para tratamento de caldo
Indústria ganhou mais impurezas com o advento da colheita mecanizada
Com as usinas mais capitalizadas e o aceno do governo federal para os derivados da cana como o álcool combustível, diversas células dentro de uma unidade industrial estão recebendo atenção especial. Muitas tecnologias, antes restritas a setores industriais mais capitalizados, começam a ser trazidas por fornecedores de equipamentos, produtos e serviços.

Essas inovações tornam–se extremamente importantes, uma vez que está havendo uma mudança no processo de fabricação de álcool e açúcar, principalmente, se levarmos em consideração a entrada de uma maior quantidade de impurezas no processo com o aumento da colheita mecanizada. Essas impurezas acabam por saturar o processo de fabricação de açúcar, pois, comprometem a qualidade do produto final. As impurezas também prejudicam o bom funcionamento dos decantadores, os quais, acabam por quebrar as palhetas até chegar às paradas e é onde perde–se açúcar.

Na parte de equipamentos, a utilização de filtros com esteiras é uma das novas tecnologias que está despertando interesse no setor. Por um bom tempo, as usinas utilizaram e ainda usam muito o filtro a tambor. O filtro de esteiras prensa as tortas de filtros e, basicamente, trabalham no seguinte conceito: as tortas de filtro são prensadas entre duas esteiras de lonas que são “esmagadas” por vários cilindros pesados. A torta de filtro faz esse “passeio” várias vezes até ficar com umidade de menos de 2%. Essa tecnologia, como muitas na área de filtro nasceu na área de papel e celulose. Também na parte de filtros, uma outra tecnologia que encontra–se em desenvolvimento é o sistema gravitacional sem auxílio de vácuo forçado. O sistema apresenta novidades na parte de descarga de material particulado retido e é indicado para a filtragem de grandes volumes de líquidos com baixa concentração de sólidos.

Em algumas usinas, como é o caso da Batatais, situada na cidade de mesmo nome, a introdução de um fundo com inclinação maior nos decantadores (junto com o filtro prensa) permitiu interromper o processo de lavagem de cana. A deposição de materiais no fundo do decantador acontece mais rapidamente e de forma mais uniforme. Para acelerar o processo de decantação algumas usinas estão lançando mão dos decantadores sem bandeja. Segundo alguns técnicos o tempo de retenção é bem menor que o convencional.

Na Usina Batatais, outra novidade foi o controle de vazão em função do inversor de bomba centrífuga de caldo para a fábrica permitindo um controle linear da vazão. Antes da inovação, o controle de vazão era feito por uma válvula de controle. Essa lógica de controle na área de tratamento de caldo também possui novidades em outras unidades produtoras. Na Usina Diamante (Jaú/SP), através de bombas helicoidais, foram interligados a retirada de lodo (em função da densidade), o nível de trabalho da caixa de lodo, a rotação dos filtros prensa existentes e a dosagem de polímero utilizado no lodo.
lidade do produto final
Nesta unidade industrial, outras lógicas de controle em tratamento de caldo também estão presentes. Destacam–se o controle automático de pH do caldo, temperatura do caldo aquecido e a dosagem de polímero floculante relacionado à vazão de caldo admitido. Foi empregado ainda o controle de admissão de caldo clarificado nos pré–evaporadores.

O tratamento de caldo também está recebendo alguns equipamentos novos. Alguns deles atuam na decomposição de sais fazendo a separação de metais e dos seus radicais passando-os da sua forma cristalina para a amorfa. Aos poucos, os sais vão perdendo o poder de fixação.
Muitos dos equipamentos da área de papel e celulose são usados em usinas e destilarias
Produtos químicos

O ácido fosfórico e o enxofre são os dois produtos mais largamente utilizados para a clarificação de caldo. Tanto o enxofre como o ácido fosfórico auxiliam na neutralização das cargas superficiais e formação de colóides. O fênomeno acontece devido a turbidez elevada do caldo. Uma das inovações nessa área é a adição de polietrólito para fazer a mesma função que o enxofre e o ácido fosfórico: aglomerar impurezas do caldo.

Entretanto, a adição de polietrólitos tem dispensado o uso de cal para neutralização de acidez. A cal é um produto que contribui para formação de sólidos o que acarreta maior incrustação nos aquecedores e evaporadores sendo necessária a limpeza num intervalo médio de 10 a 15 dias. Os polietrólitos atuam como agentes pré–coagulantes reduzindo o teor de sólidos do caldo, mas aumentando os intervalos de limpeza entre 20 a 25 dias
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