Integração entre público e privado deenvolve cana paulista
O setor sucroalcooeiro de São Paulo deve muito às esposas dos integrantes do Grupo Fitotécnico da Cana-de-Açúcar. A afirmação, que aparentemente não tem nada a ver com pesquisa agronômica, é na verdade o fator que forçou a organização de um grupo que começou de maneira informal, reunindo-se em bares e restaurantes da cidade de Ribeirão Preto, e hoje é conhecido internacionalmente. A matéria foi publicada pelo Inovação Apta, informativo da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios.

O coordenador do grupo, Marcos Landell, conta que, ao assumir a coordenação do Programa de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC–APTA) no início da década de 90, se sentia isolado e frustrado por não vislumbrar a possibilidade da adoção das tecnologias geradas pelo IAC nas empresas do setor. “Comentei isso com alguns amigos que trabalham no ramo. Então decidimos nos encontrar periodicamente para discutir os assuntos pertinentes a todos nós”, conta Landell que mantém a função de coordenador do Programa de Cana do IAC. Com o passar do tempo e com o aumento do número de integrantes, o grupo abandonou os restaurantes e passou a se encontrar na sede do Programa de Cana. “Eu costumo brincar que nós só passamos a nos organizar graças a nossas esposas que estavam ficando desconfiadas, visto que chegávamos em casa tarde porque ficávamos discutindo sobre cana”, afirma.

O grupo, que vem se reunindo há nove anos, congrega técnicos tanto do setor publico quanto do setor privado. Segundo Paulo Carvalho, gerente do Grupo Colorado de Guaíra (SP) e integrante do Fitotécnico, há uma sinergia entre os técnicos nas reuniões. “O que existe é uma discussão dos problemas comuns do setor, o que faz com que haja uma maior rapidez na busca de soluções”, afirma.

Nas pautas das reuniões do Fitotécnico, já passaram temas como o amarelinho da cana, cigarrinha do colmo, técnicas culturais (calagem, adubação, etc) e assuntos como gestão e transferência de conhecimento que foram tratados em caráter excepcional.

Cigarrinha

Um dos problemas que vem sendo discutido pelos integrantes do Fitotécnico é a praga da cigarrinha. “A cigarrinha está na pauta de nossas reuniões desde 97”, afirma Landell. Para ele, o problema da cigarrinha ganhou dimensão com o avanço acelerado do processo de mecanização de colheita da cana. “Uma mecanização gradual da colheita facilitaria o combate aos possíveis efeitos colaterais que ela poderia causar”, argumenta. Carvalho concorda com o coordenador. “Mudamos da água para o vinho”, compara.

Mas, apesar das dificuldades, o Grupo Fitotécnico tem conseguido importantes avanços para o setor sucroalcoleiro paulista. E a cigarrinha não está fora dessa lista. A pesquisadora do IAC Leila Dinardo Miranda, que coordenou as reuniões sobre a cigarrinha, conta que os resultados das pesquisas com relação à praga são divulgados nas reuniões do grupo. “Estes resultados englobam estimativas de danos e eficiência de diferentes métodos de controle. Nessas reuniões, também apresentamos alguns resultados obtidos em áreas comerciais de usinas.”

Leila destaca também a importância da participação do setor privado no processo. “Além dos técnicos emitirem suas opiniões a respeito da aplicabilidade e eficiência em área comercial das medidas desenvolvidas, eles nos orientam sobre quais os problemas que precisariam ser resolvidos para um melhor desempenho das tecnologias em campo.” As esposas dos membros do Fitotécnico estão de parabéns, e a cana-de-açúcar paulista agradece. O IAC está estudando as propriedades da árvore Nim, oriunda da Índia e que tem ação repelente sobre insetos e pragas. No Brasil, a árvore já mostrou eficiência em algumas culturas como a acerola, o café e o feijão. Além disso, a Nim também funciona como substituta do mogno, atua como anticoncepcional e antiinflamatório.
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