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Usinas jogaram 237 MW no lixo em
2001, diz Cenbio
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De acordo com levantamento técnico do Cenbio - Centro
Nacional de Referência em Biomassa, o setor sucroalcooleiro, nos projetos
de cogeração aprovados esse ano, jogou 237 MW no lixo. O número poderá
ser ainda maior se os investimentos continuarem a ser canalizados
para projetos menos eficientes de cogeração de energia. O Bio.com
foi apresentado durante o Fórum de Geração de Energia a partir da
Biomassa da Cana–de–Açúcar, que marcou a abertura da Fenasucro 2001.
Os dados levantados pelo Cenbio, em aproximadamente 50 usinas do país
num prazo de três meses, resultaram no trabalho bio.com, que foi encaminhado
à Superintendência de Recursos Hídricos da Aneel. Segundo o documento,
o potencial energético do setor sucroalcooleiro é de 4 mil MW até
2005, porém, o BNDES está financiando caldeiras de alta e baixa pressão
com as mesmas taxas de juros. Soma-se a isso o fato da Aneel não privilegiar
o valor da energia gerada por equipamentos mais eficientes.
“O valor da energia gerada com equipamentos eficientes é o mesmo gerado
com equipamentos menos eficientes. Pode-se observar que há um estímulo
para projetos com tecnologias menos eficientes porque é mais barato”,
pontua o engenheiro Carlos Eduardo Machado Paletta, responsável pelo
levantamento de dados do documento que foi apresentando na abertura
da Fenasucro 2001. Colocando tudo na ponta do lápis dá para perceber
facilmente que, com tecnologias mais baratas, o retorno do investimento
é muito maior. Paletta acredita que não é necessário grandes mudanças
para perceber o impacto da transformação nessa conta. Apenas 0,5%
de diminuição nas taxas de juros para já causaria uma significativa
diferença nos projetos que estão no papel, ou em andamento. A crítica
do engenheiro não é seguida como regra pelo setor. Algumas Usinas
estão partindo para projetos mais audaciosos como é o caso da Santa
Adélia que está comprando duas caldeiras de alta pressão (60 kgf/cm²).
Paletta, que andou por várias usinas do país, acredita que o empresário
do setor de açúcar e álcool não está pedindo nada de mais, apenas
uma adequação nos juros cobrados por uma energia mais eficiente. Ele
acredita que o governo tende a reconhecer o projeto porque há três
anos ninguém queria energia elétrica gerada pelo bagaço de cana, mas
agora a realidade é outra. O projeto bio.com do Cenbio será agora
readequado para os setores que trabalham com resíduos de madeira,
papel e celulose e casca de arroz.
Como a venda de excedentes de energia elétrica é um campo novo, algumas
particularidades desse processo estão queimando os neurônios de muitos
empresários. No Paraná, por exemplo, onde há muita umidade, em geral,
o preço ofertado de energia elétrica não passa da casa dos R$ 30 o
MW/h, metade do que é oferecido em Estados como Minas Gerais e São
Paulo. Já no Nordeste, onde a seca é a principal característica da
região, o poder de barganha das Usinas é muito maior. “Se analisarmos
o nível tecnológico das Usinas do Paraná equipara-se com as melhores
Usinas de São Paulo”, diz Paletta lembrando que este nível tecnológico
não é valorizado. Caso haja um descompasso entre as Usinas desses
dois Estados, por exemplo, o poder de barganha do Paraná será menor
ainda no futuro.
Plínio Nastari, consultor da Datagros já é da opinião de que se não
houver mercados saudáveis para o álcool e para o açúcar de nada adianta
discutir os excedentes de energia elétrica. “Não haverá bagaço, pontas
ou palhas para se fazer a cogeração”, prevê. Na sua visão, no caso
do álcool, a recuperação não enfrenta tantos obstáculos, principalmente,
na parte de distribuição e capacidade de produção. O teor de álcool
na gasolina, que deve ser elevado para 26% a partir de maio de 2002,
já é uma das medidas eficazes a curto prazo. O aumento é admitido
pela indústria automobilística para a frota atual. |
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Especificamente para o hidratado, sua recuperação
poderia acontecer paulatinamente. Isto porque uma retomada em grande
escala, como de 1986, quando 95% dos carros produzidos eram a álcool,
não traria certezas de abastecimento. Principalmente se levarmos em
consideração que a produção atual hoje é de 1,3 milhão de veículos.
“Será que o setor sucroalcooleiro iria atender a essa demanda de combustível?”,
pergunta Nastari. No segmento de táxis, a política de venda de carros
a álcool poderia ser implementada com muito sucesso e muito pouco
desgaste, mas com grande benefício para a sociedade. Em números de
hoje, significa algo perto de 125 mil véiculos/ano ou 10% das vendas
totais de veículos. Nastari é da opinião de que recuperar esse mercado
depende única e exclusivamente de uma decisão política. Nessa Revista,
no entanto, o leitor já acompanhou, por diversas vezes, teóricos que
aconselham: “O governo nunca age, reage”.
Durante a abertura da Fenasucro, outro ponto levantado foi quanto
ao etanol, fabricado a partir dos resíduos do álcool e açúcar, que
também deve ser considerado. Esta foi uma solução pensada no passado,
mas os obstáculos tecnológicos interroperam vários projetos. Hoje,
os Estados Unidos, através das pesquisas no Departamento de Energia,
já superaram muitos desses obstáculos e também é ponto que deve ser
considerado. “Quem não investir nisso vai ficar para trás. Chegou
o momento em que as pessoas precisam tomar um série de decisões”,
avisa Nastari.
Os recursos advindos da venda de excedentes, da alta do açúcar, ou
da venda de anidro, estão levando os empresários do setor sucroalcooleiro
a se perguntarem se é viável diminuir o nível de endividamento das
empresas para torná-las mais seguras às intempéries do país.
As informações levantadas pelo Cenbio foram contestadas por algumas
pessoas que estavam presentes no evento. O técnico de um banco que
não quis ter o nome revelado disse que o assunto não tem nada de complicado.
“Basta o empresário desse setor investir mais que irá gerar mais energia
e, desta forma, terá mais retorno”, explica. Ele também acredita que
o setor sucroalcooleiro está investindo em caldeiras de alta pressão,
contrapondo o que o Cenbio disse no evento. |
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