30% dos problemas de uma usina podem estar nos tubos
Informações levantadas durante o Sinatub – Simpósio Nacional de Tubulação – dão conta de que 30% dos problemas operacionais em uma usina sucroalcooleira são referentes a tubos. A porcentagem é confirmada por fabricantes e usuários de tubos. Luiz Cláudio Pereira da Silva, coordenador geral do evento, disse que a porcentagem foi levantada ao longo de dez anos junto a usuários e fornecedores. Também foi revelado que, gradativamente, esse índice está sendo melhorado em função da troca de informações em eventos do gênero. Os mais diferentes materiais para a confecção de um tubo estão sujeitos a problemas: PRFV, aço carbono, PVC, aço inox, fibra e outros.

Um fato que está mudando perfil das usinas é a busca por tubos de aço inox. Só para citar um exemplo, um cosedor, que trabalha bem por umas duas safras, tem diversas partes da sua tubulação comprometida tornando a troca necessária. O mercado brasileiro como um todo consome perto de 60 mil toneladas/mês de tubos de aço carbono. O montante deve–se ao fato de que praticamente quase todo grande equipamento de uma indústria necessita da interligação de tubos. O Brasil comporta perto de 20 fabricantes que trabalham com os mais diferentes tipos de tubulação. Há pouco tempo, a indústria de tubos passou por uma revolução devido à fabricação de alguns tipos de aço-liga no país pelas siderúrgicas, reduzindo o preço do produto final.

Como as usinas de álcool e açúcar encontram–se numa época de grandes investimentos, várias empresas ligadas à tubulação estão instalando–se na região de Ribeirão Preto e estão ensinando novas lições sobre o assunto. Uma delas é que o tubo não é algo estático e está sujeito às mais diversas variáveis presentes nos fluidos ou no meio externo.

“Com um bom trabalho de dimensionamento e flexibilidade é possível minimizar custos e deixar o sistema operacional seguro”, disse Hugo Osvaldo Scanavino, diretor da Flexihelp. Segundo ele, a correta especificação de uma tubulação pode minimizar os esforços de uma máquina e otimizar custos.

Ele acredita que, nós últimos anos, as usinas sucroalcooleiras estão aumentando a atenção na hora de especificar uma tubulação. Uma das bases é levar em conta as normas internacionais para cada parte do projeto que levam em conta a segurança pessoal e patrimonial. “Tudo isso tende a dar um rendimento industrial muito maior e muito mais confiável”, acredita ele. É preciso estar atento tanto para detalhes importantes como os materiais utilizados na construção de um tubo e suportes de uma estrutura. Ele é um dos que confirmam a informação de que 30% dos problemas industriais em uma usina referem-se à tubulação. Em alguns casos específicos esse percentual ainda maior. Embora seja um produto que não custa muito, se comparado com equipamentos de grande porte, o tubo pode acarretar altos custos no processo industrial. “Uma máquina de R$ 2 milhões pode ser comprometida por uma tubulação de R$ 700. A tubulação não é cara, mas compromete outros equipamentos”, lembrou ele.
Na Edição Impressa
Nº 70 – Nov/Dez de 2001

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