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Medidas para financiar a enegia da
cana
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O consumidor vai bancar os investimentos dos novos
projetos de energias alternativas, onde encontram–se combustíveis
como o bagaço de cana, vento e pequenos cursos d’água. Esta é apenas
uma das medidas proposta no encontro Cana & Energia, realizado em
Ribeirão Preto.
A idéia do consumidor pagar o investimento vem do próprio governo
que alega não ter recursos necessários para assumir o projeto. Seria
cobrado 0,5% na conta de energia o que renderia algo perto de R$ 150
milhões/ano, suficientes para bancar investimentos de R$ 6 bilhões.
O montante poderá bancar a geração de 3 mil MW em projetos de energia
alternativa. “Estamos propondo que quando o consumidor comprar uma
energia mais cara, parte da tarifa seja usada para financiar projeto
de cogeração de energia” disse Afonso Henriques Moreira Santos, secretário
de energia do governo.
Henriques disse que o plano do governo é ter uma matriz energética
diversificada no lugar de uma matriz baseada apenas na dependência
das chuvas e do gás natural. O bagaço de cana faria parte dos planos
do governo que pretende estudar mecanismos para aumentar a pressão
das caldeiras. “Quanto mais você gera energia do bagaço menos obras
você faz” observa ele.
Técnicos de entidades energéticas acham que o potencial da cana não
está sendo mais explorado porque todos os projetos são tratados de
formas iguais.
As condições de financiamentos, taxas de juros do BNDES e preço de
energia para o produtor são sempre os mesmos. Nesse sentido, as empresas
não se sentem estimuladas para passarem para projetos mais eficientes.
“Se comprarmos uma energia mais cara, a usina terá condições de modernizar
sua caldeira e turbina” argumenta o secretário.
Carlos Paletta, técnico do Cenbio – Centro Nacional de Referência
em Bioamassa – é um dos que concordam com o secretário e vai ainda
mais além: “Os projetos estão dando prioridades para equipamentos
de baixa eficiência” disse Paletta que esteve na Índia para conhecer
as características das usinas açucareiras do país. Na última safra,
os indianos moeram 300 toneladas de cana e possuem excedente de 300
MW na rede. O montante começou a ser esboçado em 1996, com a criação
do ministério de energias renováveis e, a adoção de políticas de incentivos.
Em 2002, o país terá mais 400 MW e, em 2003, serão mais 600 MW. “Essas
medidas adotadas na Índia também poderiam ser adotadas no Brasil porque
são medidas simples” observa Paletta. Na Índia, o governo optou por
uma equivalência nas mais diferentes formas de energia renovável.
No Brasil, Paletta diz que foi dado um certo privilégio para as energias
eólica, gás natural e PCH’s – Pequenas Centrais Hidrelétricas. |
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Na Edição Impressa
Nº 70 Nov/Dez de 2001
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