Reportagem de Capa – Edição 71 de Jan/Fev de 2002
O Combate as ervas daninhas
O herbicida é capaz de controlar o aparecimento de ervas daninhas com 100% de eficiência? Quais ervas são mais resistentes a ação de produtos químicos? Essas e outras respostas você vai conferir nesta reportagem que a Revista ALCOOLbrás preparou. Coletamos depoimentos de gerentes agrícolas, professores e o consenso de 14 engenheiros agrônomos e dois técnicos agrícolas da CanaOeste/Copercana.

Uma questão que logo chamou a atenção no assunto sobre herbicidas foi quanto ao princípio ativo de produtos que foram lançados há menos de dois anos no mercado. Os usuários parecem contentes quanto ao que as grandes indústrias de herbicidas estão colocando no mercado. “Eles são excelentes, pois exigem baixas doses para um bom funcionamento e, conseqüentemente, custos mais baixos, além de boa seletividade” acredita Rubens Curi, gerente agrícola da Usina Santa Helena de Goiás, unidade que possui 17 mil ha de área própria.

Da mesma opinião compartilham os engenheiros agrônomos da CanaOeste. Eles acreditam que os herbicidas recém-lançados são produtos “altamente técnicos”, em função de suas baixas dosagens, de 80 a 100g/ha. Entretanto, segundo os engenheiros, a maioria dos produtores (hoje a CanaOeste tem quase 3 mil associados), embora conhecendo as características dos novos produtos, ainda preferem princípios ativos tradicionais. Eles temem as sub ou sobre dosagens destes novos produtos e fazem prevalecer princípios ativos tradicionais.
Professor Rolim: combate vai além do uso de herbicidas
Na região de abrangência da CanaOeste (perto de 150 mil ha), 95% dos fornecedores de cana são produtores com até 250ha de terra, responsáveis por de 20 mil toneladas. Estes produtores, quando têm operadores de máquinas, são multifuncionais, isto é, efetuam todas as operações mecanizadas, desde a de preparo de solo até à aplicação dos princípios ativos dos herbicidas. Não são operadores específicos como ocorrem nas Usinas, Destilarias, empresas prestadoras de serviços, ou ainda, nas empresas fabricantes deste insumo.

Se comparado ao controle manual e mecânico, o controle químico parece que ainda é a melhor forma de controle de plantas indesejáveis à cultura da cana. “O controle mecânico é paliativo, de pouca eficiência e momentâneo, ou seja, não deixa residual para o completo fechamento da cultura” acredita Curi. Embora pouco usual, o controle manual e mecânico ainda é empregado nas ervas daninhas que escapam à ação dos herbicidas, principalmente, em capim colonião.

Recentemente, em áreas de colheita mecânica de cana sem queima prévia, a camada de palha depositada na superfície tem promovido mudança do “mato flora”. Há evidência de “efeito alelopático” da palha da cana sobre as principais gramíneas invasoras, resultando em dominância de infestação por ervas daninhas de folhas largas, exigindo aplicações de pós-emergentes para melhor controle. Alguns usuários acreditam que com os herbicidas atuais é possível controlar todas as ervas daninhas importantes para a cultura da cana. Neste ponto há uma questão polêmica. Os associados da CanaOeste constataram que, embora de ocorrência restrita, o capim massambará ou capim argentino (sorghum halepense) e o capim camalote (roboelia exaltata) escapam à ação de herbicidas e são danosos à cultura da cana.
Christoffoleti: planta daninha não se controla só com herbicida
Ainda não há comprovação científica em cana-de-açúcar, mas uma das causas para que certas plantas daninhas criem um certo tipo de tolerância à ação de herbicidas é o uso contínuo de um ingrediente ativo numa mesma área. O fato já foi detectado na cultura da soja. O picão-preto é uma das plantas que criaram resistência à aplicação contínua do mesmo ingrediente ativo.

Em geral, para a aplicação de herbicidas é necessário que o solo esteja livre de torrões. Para tanto, o solo passa por um bom processo de preparação e gradagem. Para uma ação eficaz, também é necessária uma parcela de umidade no solo para que o herbicida inicie sua atividade biológica de controle das ervas daninhas.

A melhor época de aplicação de herbicidas é em pré-plantio incorporado (PPI), em pré-emergência, ou no máximo, em pós-emergência inicial. Ainda, para cana de ano, são recomendáveis os herbicidas de ação graminicida, enquanto que, para cana de ano e meio, os herbicidas (ou mistura deles), já apresentam efeito sobre folhas largas.

Rubens Curi, da Usina Santa Helena, observa que todos os herbicidas funcionam melhor com umidade. “Alguns possuem melhor funcionamento na época seca, mas com uma dose mais elevada” acredita ele citando, neste caso, as marcas Therbutiuron, Velpar K, Contaim e Plateau.

De acordo com os entrevistados o herbicida representa de 5% a 15% do custo de produção da cana. O valor varia conforme a época, local e infestação (nesta última variável, o percentual de custo é significativo se houver a infestação de ervas perenes como colonião, tiririca e braquiária de touceira).

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Nº 71 – Jan/Fev de 2002

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