Reportagem de Capa Edição 71
de Jan/Fev de 2002
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Investir em EPIs não é
mero capricho
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Cada real investido na compra, distribuição e treinamento
do uso de EPI - equipamento de proteção individual - resulta na economia
de seis reais em processos trabalhistas, acidentes e indenizações.
Para a agroindústria no Brasil, a informação é de extrema importância,
uma vez que esta encontra–se dividida em empresas de vários portes
e com diversos conceitos sobre segurança pessoal. “A agroindústria
é um segmento ainda muito novo no Brasil. As empresas de porte maior,
que têm uma visão internacional do negócio e que sabem fazer conta
incluindo a produtividade, incluem a compra, distribuição e treinamento
do uso do EPI” comenta José Roberto Sevieri, diretor–executivo do
Grupo Cipa e responsável por diversos eventos referentes à segurança
patrimonial e individual.
Para Sevieri, as empresas de menor porte, que ainda não aprenderam
a fazer contas, focalizam segurança como despesa e não como investimento.
Logo, restringem aos seus funcionários o consumo de equipamentos de
proteção. Estimativas dos principais fornecedores deste setor diz
que a agroindústria consome cerca de R$ 80 milhões anuais de EPIs
no Brasil.
As profissões prevencionistas no Brasil são formadas sempre com a
mesma base, ou seja, o técnico e/ou o engenheiro de segurança do trabalho
pode trabalhar tanto na agroindústria como no setor bancário. Os pilares
da prevenção são os mesmos, mas com as peculiaridades de cada setor;
não existe um curso de especialização. “Infelizmente, existem muitos
bons profissionais neste setor, mas não na quantidade desejada” analisa
Sevieri.
Apesar dessa falta de técnicos em segurança, um estudo do Ministério
da Previdência Social mostra que há uma queda considerável do número
de acidentes de trabalho registrada nos últimos 25 anos. Em 1975,
verificou-se que 14% dos empregados segurados envolviam-se em algum
tipo de acidente. Dez anos depois, apenas 5% dos empregados segurados
acidentavam-se durante o horário de trabalho. Em 1995, a porcentagem
diminuiu ainda mais e apenas 1,80% dos empregados segurados estavam
sujeitos a algum tipo de acidente.
É interessante notar nesses dados (veja quadro) que, além do número
de acidentes reduzir ano a ano, o contingente de empregados segurados
sobe às dezenas de milhares. Se em 1975, o Ministério da Previdência
Social tinha o registro de quase 13 milhões de empregados; em 1985
esse número já era de 20 milhões e, dez anos depois chegou perto dos
24 milhões. Para a felicidade de todos, à medida que sobe o número
de empregados segurados, desce o número de acidentes de trabalho.
“O EPI tem sido o grande responsável pela redução do número de acidentes”
avalia José Cristovão Momesso, engenheiro de segurança da Usina São
Martinho. No ano passado, por exemplo, a empresa conseguiu ficar durante
dois meses sem o registro de acidentes no campo. “O campo está registrando
menos acidentes que a indústria” conta ele. A São Martinho é considerada
como uma das empresas do setor sucroalcooleiro que mais investem em
EPI, assim como todo o treinamento prevencionista que acompanha as
práticas de segurança do trabalho. Nos últimos anos, a empresa vem
registrando o investimento de R$ 1,2 milhão/ano em EPI. |
| Cristovão: 70% do tempo dedicado ao treinamento e conscientização
de funcionários |
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“Nas Usinas de Ribeirão Preto percebe-se que não está
todo mundo no mesmo nível, mas existe um caminho que está sendo seguido
tanto por grandes como por pequenos” avalia Cristovão lembrando que
as empresas estão percebendo que é muito mais barato investir em sistemas
de proteção que encaminhar um funcionário para o ambulatório.
Para Cristovão, a parte mais difícil em implantar e usar corretamente
um EPI é convencer o funcionário. “Todo ser humano tem a tendência
de ser livre, então essa resistência é normal”. Para minimizar essa
repulsa do funcionário, a São Martinho desenvolve um trabalho de conscientização
que inclui muita conversa, eventos culturais e uma amostragem das
conseqüências quando não se usa EPI. Cristovão destaca que, devido
ao baixo nível cultural de boa parte dos trabalhadores de uma usina,
é preciso que o trabalho seja feito no emocional das pessoas e, muitas
vezes, esse trabalho envolve os familiares. |
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Na Edição Impressa
Nº 71 Jan/Fev de 2002
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