Artigo Técnico – Edição 74 de Julho/Agosto de 2002
Estudo de caso:
Automação de sistemas de co-geração de energia elétrica
Julio Cesar de Souza e Marcus Vinicius Ribeiro
Engenheiros de Aplicações Depto. de Engenharia de Aplicações - Smar
Palavras-chave
Geração de Energia, Integração de Sistemas, Crise Energética, Biomassa

Resumo
Este trabalho relata a implementação de uma solução para a automação de sistemas de co-geração de energia elétrica através da queima do bagaço de cana (Biomassa).

Introdução
Com a situação que passa o Brasil quanto a questão energética, devido a tendência de aumento do consumo de energia elétrica, associado à diminuição dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, algumas usinas de açúcar e álcool e destilarias de álcool estão elaborando projetos de aproveitamento de bagaço de cana de açúcar para co-geração de energia elétrica.

A energia de biomassa é aquela fornecida por materiais de origem vegetal renovável ou obtido pela decomposição de dejetos. O Brasil tem desenvolvido tecnologia há vários anos para a utilização da biomassa como fonte geradora de energia, gerando empregos com pouco recurso financeiro. Hoje são conhecidas diversas fontes renováveis de biomassa como: lenha, carvão vegetal, babaçu, óleos vegetais, resíduos vegetais, sisal, biogás, casca de arroz, cana-de-açúcar (bagaço da cana, palha e álcool).

Além destas, temos outras fontes geradoras de energia como solar, eólica, marés, e outras, que também poderiam agregar o seu potencial à matriz energética do país.

Espera-se que a utilização da biomassa como fonte de energia aumente consideravelmente, através de uma política clara de comercialização e geração descentralizada, próxima aos pontos de carga e pelos benefícios ambientais decorrentes da sua utilização.

Do ponto de vista energético, as usinas sempre produziram um volume grande de bagaço, tornando-se um grande transtorno quanto à disposição deste bagaço na natureza.

Diante deste fato, as Usinas instalaram, ao longo dos anos, modelos que consomem todo esse resíduo sem deixar nada a sobrar, dessa forma, evita-se o consumo de combustíveis externos e se dispõe do bagaço produzido.

Normalmente o bagaço que queima nas caldeiras não tem o seu aproveitamento otimizado, fazendo-se necessário uma modernização do parque industrial nas Usinas, obtendo-se maior rendimento e eficiência no processo. Neste contexto, a indústria participa com o fornecimento de produtos, envolvendo toda uma cadeia produtiva que relaciona-se com o setor sucroalcooleiro.

A co-geração de energia através da biomassa do bagaço de cana de açúcar não é nenhuma novidade. A utilização da queima do bagaço em caldeiras já é uma prática utilizada pelas usinas e outros setores industriais para suprir as necessidades próprias de energia, e algumas, inclusive, já disponibilizam o excedente para as companhias distribuidoras de energia elétrica.
Benefícios da isolação térmica das tubulações em PRFV nas unidades de processos industriais*
Engº Walter Luiz Polonio
Coordenador de Engenharia Industrial – Usina da Barra S. A. Açúcar e Álcool – Aluno de Mestrado na Universidade Estadual Paulista – FE/Unesp – Bauru – SP – Modalidade Equipamentos e Processos Industriais
De forma similar ao artigo publicado nesta revista no início deste ano sob nome “Benefícios econômicos com a aplicação de tubulações em PRFV em Instalações Hidráulicas”, segue-se agora o segundo artigo de uma série, descrevendo os Benefícios da Isolação Térmica das tubulações em PRFV.

Tubulações em PRFV (Plástico Reforçado com Fibra de Vidro) os chamados compósitos, foram aplicadas de forma pioneira na indústria sucroalcooleira, em 1985, na Usina da Barra S. A. Açúcar e Álcool, com o objetivo primeiro de se buscar materiais alternativos e mais adequados as aplicações, em concorrência aos únicos mais utilizados até então no setor (Aço Carbono e Aços Inoxidáveis).

O conteúdo deste apanhado de observações e comentários, descreve com fidelidade situações vividas no dia a dia de uma planta de processo, com descrição detalhada de um caso histórico, sendo este, o depoimento de usuário que pretende divulgar experiências colhidas da rotina de trabalho, para que possa auxiliar a categoria dos técnicos e engenheiros que vivem situações operacionais, não possuindo nenhum interesse comercial nem financeiro, para uso dos construtores e fabricantes afins com o material que se encontra em discussão.

Sabe-se a cada dia que passa e mais que anteriormente, da necessidade de se buscar respostas e conseguir soluções de problemas, que levem a alcançar maior produtividade e economia nas operações de processo de uma planta industrial.

Assim este é o objetivo principal deste trabalho, pois desta forma entendemos que estamos cumprindo nosso papel como engenheiros.

As aplicações industriais de tubulações em PRFV (Plástico Reforçado com Fibra de Vidro), atendem inúmeras condições de processo, que se caracterizam pela adução de fluidos em rede de conduto forçado ou não, atendidas em sua grande maioria por bombas centrífugas, bombas de vácuo, ventiladores, dutos de vapores e ou escoamentos por gravidade.

Necessariamente a grande maioria das instalações de tubulações na Área Industrial de uma Usina de açúcar e álcool, atendem diretamente o processo produtivo, exigindo que estas aplicações sejam realizadas sobre suportes de apoio ou em linhas de “Pipe-Rack” geralmente de construção metálica, caracterizando deste modo as instalações aéreas, sujeitas a todas as solicitações mecânicas provenientes das dilatações térmicas, esforços de ancoragem, flexibilidade, freqüência natural, vão entre suportes e transientes hidráulicos (golpes de aríete).

Estas solicitações mecânicas devem ser verificadas garantindo o sucesso das instalações, as quais classificam-se como parte dos imobilizados, representados pelos custos fixos da implantação ou investimento inicial.

Na Edição Impressa
Nº 74 – Jul/Ago de 2002

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