Reportagem de Capa Edição 74
de Julho/Agosto de 2002
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Os cuidados com a tubulação
enterrada
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Quem passa ao lado de uma tubulação de uma usina talvez
não imagina o quanto é complicado fazer com que um fluido saía de
um ponto a outro com o mínimo de impactos em uma estrutura. Os cuidados
para se evitar rompimentos, deformações e demais complicações no sistema
estão associados a uma centena de cálculos sobre materiais, histórico
de terreno, composição de fluidos e outros fatores.
O assuntojá foi abordado em outras edições da ALCOOLbrás, mas falar
sobre tubulação nunca é desgastante ou exaustivo porque sempre observa-se
pontos interessantes que precisam ser aprofundados, ou abordados sob
óticas diferentes.
A tubulação enterrada, feita a partir de PRFV, é um dos assuntos que
merecem atenção devido às grandes construções para condução de vinhaça
nas usinas e destilarias. Sob esse assunto há uma série de particularidades
que procuramos abordar com o engenheiro de aplicação da Edra, Orlando
Melotti.
Segundo ele, a estrutura do solo é a que mais interage com a tubulação
o que exige uma enorme atenção no momento da instalação do material.
Alguns detalhes podem ser o sucesso ou o fracasso na condução de um
determinado fluido.
Logo de imediato, o primeiro ponto a ser observado é a profundidade
necessária da vala para a instalação de uma tubulação. Bom, se a tubulação
é enterrada imagina-se que haverá o trânsito de veículos e pessoas
por aquele local, logo, vem-se a primeira conclusão: A tubulação bem
profunda evita-se problemas com o trânsito de veículos ou pessoas.
Aí é que aparece um dos primeiros detalhes: Tubulação mais profunda
também acarreta mais peso de terra para cobrí-la. “É preciso conhecer
bem a natureza das cargas. Tubulação enterrada é um dos projetos mais
difíceis na parte de engenharia”, pontua Melotti. |
| Dimensionamento correto de uma estrutura também é
diferencial |
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Para chegar na profundidade correta de uma vala passa-se
por uma série de observações. Vale a pena destacar algumas: características
dos veículos transientes; tipo de solo para abertura da vala; compactação;
escoamento de líquidos pelo terreno, etc
Depois de realizado os cálculos referentes à interface tubo/solo,
o escoamento de líquido no interior do material também merece atenção.
“Todo escoamento de líquido no interior de tubo precisa vir com esforços
para vencer barreiras”, lembra Melotti. Mas atenção: Há pressões desnecessárias
que podem provocar um dos mais famosos fenômenos em escoamento de
líquidos - O Golpe de Ariete. Resultado das variações da velocidade,
o Golpe de Ariete pode nascer a partir da parada de uma bomba, fechamento
de uma válvula, ou mesmo nos materiais instalados com o auxílio da
gravidade.
Evitar problemas em tubulação, necessariamente, estende-se à correta
escolha de válvulas, bombas e dimensionamento do sistema. Por este
motivo, locais suscetíveis a subpressão ou sobrepressão requerem a
correta dimensão de equipamentos. Parte das altas ou baixas pressões,
muitas vezes, aparecem junto com as mudanças realizadas em uma linha.
Fazendo uma analogia com uma outra área industrial alguns detalhes
precisam ser observados. Na área de saneamento quando uma linha vai
sofrer alguma modernização, ou quando vai se canalizar determinada
área leva-se em conta fatores como a vazão atual e futura; população
atual e a estimada para daqui a 30 ou 40 anos.
Melotti lembra que é preciso dimensionar tubulações segundo o que
chamou de “zonas de influência”. Elas podem interferir tanto de maneira
positiva como negativa em uma instalação. Nessas zonas de influência
é onde verifica-se o caminho por onde passará a tubulação e as interferências
que irá sofrer de rios, pontes, terrenos pedregosos e outros. “É preciso
fazer um levantamento topográfico da região”.
A presença de vácuo é mais um item que merece atenção quando o assunto
é tubulação. Pode provocar sérios problemas em uma estrutura, sendo
que, o mais importante deles é a cavitação. Muitas vezes, o vácuo
pode não provocar cavitação em toda a estrutura tubular, mas em pontos
específicos. Vale lembrar que a cavitação é um fenômeno que se estende
às bombas e válvulas.
A vibração, principalmente em tubulações de PRFV, é outro capítulo
à parte. Tecnicamente são classificadas como cargas dinâmicas e podem
ser provenientes tanto de veículos transientes como de obras próximas
à estrutura. Melotti destaca que as vibrações podem ser provenientes
também de linhas de trens, compressores e explosões próximas à estrutura
tubular.
Melotti revelou que uma grande tendência na instalação de tubulações
é a de se trabalhar com redução de esforços. Um assunto que deve dar
muita dor de cabeça para projetistas e engenheiros. É que a indústria
em geral, a cada ano, quer produzir cada vez mais num intervalo de
tempo cada vez menor. Logo, a intenção das empresas é, em primeira
instância, atender o cliente. Mas os fabricantes de tubos também querem
atender melhor os seus clientes, logo, a redução de esforços requer
uma mudança de cultura em plantas industriais. |
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Na Edição Impressa
Nº 74 Jul/Ago de 2002
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