Atualidades Edição 74 de Julho/Agosto
de 2002
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Alemanha pensa e volta atrás
no acordo
dos veículos
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| Vazamento para a imprensa pode ter irritado alemães |
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Tinha tudo para ser um excelente acordo para o Brasil.
A Alemanha estava disposta a financiar a compra de 100 mil carros
a álcool como forma de comprar créditos na redução de CO2 à atmosfera.
O governo brasileiro daria isenção de IPI e um bônus de até R$ 1 mil
para quem quisesse adquirir o veículo a álcool. A Alemanha repassaria
o valor ao Brasil e ganharia um desconto para continuar a emissão
de CO2. A assinatura do contrato era para acontecer durante a Rio
+ 10 em Johannesburgo (África do Sul) em grande estilo entre o presidente
Fernando Henrique Cardoso e o chanceler alemão Gerhard Schröder.
“A Alemanha ficou irritada porque a notícia vazou para a imprensa
em hora errada”, disse uma fonte do setor sucroalcooleiro. Uma outra
versão, apurada por Eliane Cantanhêde, enviada da Folha de São Paulo
a Johannesburgo, da conta de que o acordo evaporou porque o projeto
ainda não passou por todas as instâncias técnicas necessárias antes
de ser formalizado pública e politicamente.
Nessa segunda versão, o governo alemão apurou que não haveria prudência
se FHC e Schröder anunciassem o projeto antes da aprovação formal
dos 15 integrantes do comitê executivo do Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (ou MDL). O risco seria de que pelo menos um deles questionasse
os termos, criando constrangimento para os dois chefes de Estado.
O acordo não está de todo perdido, pois, o Itamaraty e setores técnicos
do governo atuam para tentar reverter o recuo e manter a data anteriormente
acertada. A coordenação técnica brasileira do acordo está a cargo
de Luiz Gylvan Meira Filho, do Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT). O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, porém, também
participam ativamente das conversas, assim como o setor sucroalcooleiro
que acompanha bem de perto o andar da carruagem.
As negociações finais para um acordo na área de energia com o Reino
Unido e para manejo de florestas com a Finlândia, entretanto, caminham
em clima mais positivo. Outro acordo acertado durante a Rio + 10 é
a assinatura de convênio com o Banco Mundial para financiamento de
US$ 81 milhões em projetos na Amazônia, US$ 67 milhões a fundo perdido.
Caso o acordo com a Alemanha fosse viabilizado o Brasil aumentaria
a produção de hidratado em 430 milhões de litros por ano. Até o final
de 2003, esses 100 mil veículos novos já estariam circulando nas ruas.
Segundo o acordo entre os dois países, a tonelada de carbono é negociada
com o governo alemão por cerca de US$ 6, bem abaixo do valor negociado
em outros projetos de seqüestro de carbono (entre US$ 10 a US$ 12
a tonelada). É estimado um desembolso da ordem de US$ 4,3 milhões
por ano na compra desses créditos, o que deve totalizar US$ 43 milhões
nos dez anos de duração do acordo.
A Alemanha é um dos países que mais doa recursos para o meio ambiente
no Brasil. Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente e o governo
da Alemanha firmaram dois contratos de contribuição financeira que
prevêem a liberação de US$ 17 milhões para projetos ambientais na
Amazônia Legal. São projetos demonstrativos dos povos indígenas (PDPI)
e Projeto de Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (Provárzea). Eles
fazem parte do Programa para Proteção das Florestas Tropicais (PPG-7).
Briga interna - A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores - Anfavea - chegou a divulgar nota esclarecendo que, por
enquanto, nenhum documento oficial foi mostrado ou assinado pela entidade
que demonstrasse o interesse da Alemanha em adquirir os 100 mil veículos.
Uma outra briga, entretanto, deve desenvolver-se caso o negócio seja
concretizado entre os dois países. A Anfavea pede que o princípio
de isonomia seja estabelecido para a compra dos veículos não privilegiando
alguns fabricantes. Trocando em miúdos: É fato sabido que o sentimento
de patriotismo é muito lembrado em muitos acordos internacionais.
Logo, se temos no Brasil algumas montadoras de origem alemã, qual
será a empresa que o governo alemão irá escolher para a compra de
veículos? O medo da associação é que apenas a Volkswagen seja privilegiada.
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Na Edição Impressa
Nº 74 Jul/Ago de 2002
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