Reportagem de Capa Edição 75
de Set/Out de 2002
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O álcool está nas alturas
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Depois da vitória de Maria Zeferina Baldaia na São
Silvestre no ano passado, o setor sucroalcooleiro poderá agora aproveitar-se
da grande novidade do ano anunciada pela Neiva, subsidiária da Embraer.
O avião movido a álcool poderá não apenas dar um novo cartaz ao álcool
hidratado, como também incentivar a indústria alcooleira a apoiar
pesquisas nessa área.
Adaptado para o modelo Ipanema, o avião a álcool, utilizado para pulverização,
irrigação e combate a incêndios, dá respaldo para esse combustível
genuinamente brasileiro e renovável. Entretanto, é preciso deixar
registrado nesse espaço a importância da indústria sucroalcooleira
em apoiar e incentivar (estamos falando de recursos) o desenvolvimento
desse avião no Brasil.
O principal interessado em ver o álcool queimando no avião, ou em
veículos, é a indústria sucroalcooleira, por esse motivo, deve utilizar,
com muita vontade, o fato de uma empresa lançar um avião movido a
álcool hidratado.
“Pretendemos procurar o setor sucroalcooleiro para estabelecer parcerias
no apoio logístico de abastecimento e padrões na qualidade do combustível”,
disse o diretor da Neiva, Paulo Urbanavicius. Como se vê na declaração
do diretor, a Neiva pede pouco. O setor sucroalcooleiro poderia incentivar
pesquisas para expandir o uso do álcool nos céus do mundo inteiro.
A medida, talvez, não representa consumo de álcool significativo a
curto prazo, mas daria imenso respaldo para se elaborar estratégias
de marketing sobre o carburante hidratado. Desta forma, daria-se uma
grande contribuição para tirar, de uma vez por todas, a imagem que
os motoristas possuem sobre o carro a álcool. “O avião tende a reduzir
o preconceito que as pessoas tem com o carro a álcool”, avalia Manoel
Ortolan, presidente da Organização dos Plantadores de Cana do Estado
de São Paulo, que esteve presente no lançamento da aeronave. |
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Atentem para outro detalhe muito interessante dito
pelo diretor da Neiva, que precisa ser explorado pelo setor sucroalcooleiro:
“Gasolina possui chumbo e é uma questão de tempo sua saída do mercado”.
Essas declarações aliam-se ao fato da iminente guerra do Iraque para
domínio do petróleo local. Por esse motivo, a iniciativa da Embraer,
através de sua subsidiária, é louvável e merece respeito.“
Perspectivas - Com o lançamento do avião a álcool, a Neiva
espera que as vendas do modelo Ipanema tenham aumento de 25% passando
das atuais 30 unidades/ano para perto de 40 unidades. O projeto está
sendo desenvolvido junto com a Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA),
órgão da Aeronáutica localizado em São José dos Campos (SP) e conta
com o apoio técnico das empresas Lycoming e Hartzel, fabricantes do
motor e do conjunto da hélice respectivamente. O prazo previsto para
a homologação da aeronave, junto ao Departamento de Aviação Civil,
é de 18 meses ou 150 horas de vôo. Devido ao lançamento da versão
a álcool e o preço do combustível no mercado, a Neiva espera converter
50 unidades movidas a gasolina por ano. O kit de conversão deve sair
por US$ 20 mil, mas as economias no bolso são visíveis. Hoje, a Neiva
gasta uma média de R$ 4,00 o litro de gasolina, agora, passará a desembolsar
apenas R$ 0,90. Por ano, a empresa deve economizar R$ 41 milhões com
testes de aeronaves. A economia também irá reduzir os custos com testes
de pilotos.
Para o desenvolvimento do projeto, a Neiva está investindo US$ 300
mil, dos quais, parte dos recursos tentarão ser conseguidos via Finep
- Financiadora de Estudos e Projetos, braço de apoio do Ministério
de Ciências e Tecnologia.
Quando a Neiva iniciou as pesquisas com o avião a álcool caminhou-se
no sentido de ter uma aeronave bi-combustível, ou seja, a álcool e
a gasolina. Essa hipótese não está descartada, se necessário, os aviões
a álcool terão chave de regulatória de combustível. A famosa partida
a frio também foi esquecida pelos técnicos da Nivea. Uma bomba injetora
de gasolina, semelhante àquelas encontradas em veículos, faz a máquina
funcionar em dias mais frios. O Brasil é considerado pioneiro no lançamento
do avião a álcool, mas não está sozinho. Nos Estados Unidos experimentos
de Universidades Americanas, segundo o diretor da Neiva, estariam
usando padrões semelhantes para se utilizar etanol em aviões. |
| Motor apresentado na Fenasucro em 1998 pelo CTA |
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A tendência da avião comercial, no entanto, é converter
aviões movidos a querosene de aviação para uma versão a diesel. O
movimento está acontecendo em aviões da linha executiva e agrícola.
Segundo o diretor da Neiva, há possibilidades da empresa fabricar
outros aviões movidos a álcool. Para evitar a oxidação das peças,
alguns componentes da versão original do modelo Ipanema tiveram que
ser alterados. Em virtude das adaptações o preço final foi alterado
em 20%. Um Ipanema a álcool, hoje, está custando US$ 220 mil.
O modelo desta família de aeronaves foi baseada no EMB 202, o “Ipanemão”
que desenvolve 300 HP e possui hopper (tanque para produtos químicos)
com capacidade 40% superior à de seu predecessor, podendo transportar
950 litros ou 750 kg de defensivos agrícolas. Aprimoramentos aerodinâmicos
como winglets e um novo perfil de asa deixaram o modelo mais veloz
e produtivo.
Projeto apresentado em 1980
Um avião semelhante ao que foi lançado pela Neiva foi apresentado
pela Usina Zilo Lorenzetti em 1981. Funcionando com álcool anidro,
o avião completou 100 horas de vôo não apresentando nenhum problema
nos componentes internos. “Deixamos de usar álcool porque a gasolina
começou a ficar mais barata”, disse José Miguel Pinotti, engenheiro
de manutenção da Usina que lembra ter apresentado o projeto à Copersucar.
Este mesmo motor apresentado agora pela Neiva já foi fotografado em
1998, quando a Revista ALCOOLbrás participou pela primeira vez da
Fenasucro. Na época, os técnicos do CTA revelaram que as pesquisas
com o motor foram interrompidas devido a falta de incentivo. |
Leia mais na Edição Impressa |
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Na Edição Impressa
Nº 75 Set/Out de 2002
Artigo Técnico
A crise do petróleo e o
pró-álcool
Diagnósticos e manutenção em Fieldbus via Web
E Mais
Nova central na Destilaria JB
Rosário e Barra Grande ampliam capacidade
Nova América oferece treinamento para colaboradores
Rede AS-Interface é escolhida pela Usina São João
Ginástica Laboral na Cosan reduz afastamentos
Novas usinas devem receber certificação
Faturamento positivo para safra 2002/2003
Indústria de máquinas e equipamentos: desaceleração
das vendas
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Brasil contesta subsídios ao açúcar da UE
Novo prazo para o fim das queimadas
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no PR
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Workshop internacional em Cuba
Hidrogênio pode ser obtido dp açúcar |
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