Reportagem de Capa Edição 76
de Nov/Dez de 2002
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Evento discute as inovações
que estarão presentes na usinas do futuro
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| Mais de 350 pessoas estiveram no congresso |
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Há dois anos, o setor sucroalcooleiro do Brasil passou
por um período de amplas dificuldades, mas vive atualmente um momento
de otimismo, repleto de oportunidades e grandes perspectivas para
o futuro. O segmento apresenta hoje parque industrial a plena carga,
oferta de mão de obra abaixo da demanda, aumento de arrecadação de
impostos aos cofres públicos e expectativas de ampliação do seu desenvolvimento.
A recuperação dos preços do açúcar e do álcool levou a indústria sucroalcooleira
a um processo de capitalização, convertido em novos investimentos
e processos. Com toda esta perspectiva, já existem profissionais e
especialistas envolvidos no setor desenvolvendo novas tecnologias
e realizando projeções para preparar as usinas brasileiras para o
futuro.
Para discutir o surgimento de inovações industriais, a Facioli & Consultores
Associados, em conjunto com a GN Gestão de Negócios, promoveu, em
Ribeirão Preto/SP, o 1º Congresso Brasileiro Agroindustrial, com ênfase
para o tema“A Usina do Futuro”. Participaram do evento diversas autoridades
do setor sucroalcooleiro, dissertando sobre assuntos específicos dentro
de suas áreas de atuação e especialização.
Mais de 350 pessoas estiveram no congresso, que reuniu técnicos e
profissionais dos Estados do Pará, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas,
Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul,
Mato Grosso, São Paulo e também uma comitiva da Argentina. Os principais
temas discutidos foram: a qualidade da matéria prima, sistemas de
recepção e extração da cana, aspectos de geração, aproveitamento e
co-geração de energia elétrica em usinas e processos de produção ideal,
o futuro da fabricação de açúcar e um plano diretor de automação industrial.
Futuro
O debate promovido concluiu que no futuro as usinas vão precisar se
adaptar à matéria prima de processamento principal do setor, a cana-de-açúcar,
que não poderá ser mais queimada. “Será necessário uma adequação às
condições impostas de preocupação com preservação ambiental. Então
a cana no futuro vai ser cortada com máquina e a fábrica vai precisar
ser preparada para esta mudança”, adiantou José Paulo Stupiello, engenheiro
agrônomo.
Outra mudança inevitável deve ocorrer com a extração do caldo da cana,
que vai se tornar essencial no processo industrial. Para Sidney Brunelli
vai ser preciso observar as deficiências atuais da moagem de cana
e desenvolver soluções baseadas em quatro aspectos: redução dos custos
de manutenção; promoção de um processo uniforme nas quantidades desejadas,
estabelecimento de uma extração limite e aumento de ganhos energéticos.
“Os custos de equipamentos não estão, porém, priorizados, afinal será
adquirida a máquina apropriada e não a mais barata”, disse Brunelli.
A co-geração de energia é apontada como um dos grandes produtos mais
rentáveis no futuro, com inclusão de novas tecnologias. “Já se começa
a pensar em co-geração o ano inteiro e não só na época de safra. É
preciso estudar melhor o processo com outros resíduos, como a palha
de braquiária. Além disso, a gaseificação do bagaço é um projeto que
ainda requer muito aprofundamento, mas pode ser viável”, acredita
Carlos Tambellini, gerente industrial da Usina São Martinho.
O presidente da Fermentec, Henrique Amorim, analisou o controle das
perdas ocorridas dentro de uma usina e constatou que as unidades brasileiras
ainda devem aprimorar os métodos de análise. “É necessário realizar
um amplo trabalho de detecção dos setores onde podem acontecer perdas
dentro de uma usina, para acabar com todos os problemas, através de
uma medição correta, que evite prejuízos”, definiu.
O futuro da produção do açúcar foi apresentado pelo engenheiro mecânico
Celso Procknor, que demonstrou como deve ser a instalação de uma usina
eficiente na fabricação do produto. “Os objetivos básicos devem priorizar
a remoção de impurezas e de água, prevenção da degradação do açúcar,
aumento da satisfação operacional e segurança, além de redução dos
custos de operação e consumo de energia”, disse Procknor.
Carlos Sherman, gerente de negócios da Next Automation, finalizou
o evento e disse que ainda existe medo para instrumentação das usinas
nacionais, um dos diferenciais nos próximos anos. “No futuro não vai
haver usina sem automação, até porque a segurança é um dos critérios
para automatização. A automação não é bem aceita porque ainda se confunde
o seu aspecto técnico com o comercial”, conclui Sherman.
Um aspecto apontado durante o congresso foi uma unanimidade no momento
de análises para o futuro de uma usina: a capacidade humana. “Desde
já, a indústria açucareira tem que ser atrativa para as escolas técnicas.
Estudantes saindo da escola devem buscar trabalho nas usinas, o que
hoje não existe. A empresa do futuro vai requisitar funcionários muito
bem treinados”, argumentou Brunelli.
A segunda edição do evento “A Usina do Futuro” será realizada em Ribeirão
Preto no próximo mês de fevereiro e já tem uma pré-pauta de temas
definida: sistema de gestão empresarial, recursos e talentos humanos,
planejamento, custos, qualidade na agroindústria e certificações (ISO
9000/14000, OSHAS 18000 e SA 8000).
Repercussão
Os participantes do evento gostaram das discussões apresentadas e
elogiaram a organização. Para Ricardo Rezende Filho, diretor operacional
da Usina Sabarálcool, o congresso foi interessante porque demonstrou
a mudança tecnológica que pode vir a ocorrer nos próximos anos. “Tudo
foi exposto de uma forma muito didática à medida que começou com a
cana saindo do campo até a fabricação do produto final e automação”,
disse.
Para Maria Cássia Moreno Sala, responsável pelo setor de Controle
de Perdas da Central Energética Moreno, os responsáveis pelas usinas
devem se preocupar mais com o açúcar “Deve existir um equilíbrio entre
a produção de açúcar e álcool pois a partir cana não é feito só o
álcool e não sabemos qual produto vai ser mais rentável no futuro”,
imagina.
Reinaldo Aliotti, diretor técnico comercial da empresa Equipalcool,
acredita que alguns temas debatidos precisam ser analisados mais profundamente.
“Algumas idéias colocadas tem que ser avaliadas ao longo de um contexto,
mesmo porque existem opiniões divergentes”, afirmou.
Segundo Francisco Junqueira, diretor da Usina Mandú, “foi bom saber
o que as pessoas que estão trabalhando no setor pensam sobre o futuro
no funcionamento de uma Usina”. A mesma impressão teve Andrea Sanches
Fernandes, diretora industrial da Usina Cerradinho. “Muito do que
foi falado as pessoas já tem em mente, mas precisa ainda colocar em
prática e ter recurso para o investimento. O evento nos mostrou as
metas que temos que alcançar, as usinas vão se preparando, se direcionando”,
concluiu. |
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Na Edição Impressa
Nº 76 Nov/Dez de 2002
Acontece na Usinas
Usinas Sabarálcool e Perobálcool se fundem
Atualidades
BNDES prioriza investimentos em co-geração de energia
e exportação
Roberto Rodrigues agrada a gregos e troianos, por enquanto
China de olho no álcool brasileiro
Associações
Paraná exporta álcool
Retrospectiva
Tecnam apresenta lançamentos e debate as novidades tecnológicas
de diversos setores
E muito mais... |
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