Reportagem de Capa Edição 82
de Novembro/Dezembro de 2003
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Desmonte virtual
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| Vista como um mal necessário,
manutenção pode ter tempo e custos reduzidos por sistemas
informatizados de gerenciamento
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| Entressafra: período de consertos e
reparos nos equipamentos das usinas
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Considerado o maior produtor mundial de cana, açúcar
e álcool, o Brasil possui as principais tecnologias de desenvolvimento
do setor sucroalcooleiro característica que se limita
apenas aos meses do ano utilizados para o processamento da colheita.
A pujança demonstrada no período de atividade intensa
é substituída por um arcaísmo durante a entressafra,
época em que os equipamentos mais importantes das unidades
precisam ser trocados ou reparados.
Quando a safra é encerrada, normalmente há um desmanche
geral na maior parte das usinas, para a realização da
manutenção preventiva, prática de substituição
dos equipamentos antigos por aparelhos novos. As unidades ainda são
adeptas também de um tipo de um procedimento que prioriza o
uso das máquinas até o seu desgaste total este
processo é classificado como corretivo e pode causar estresse,
perdas e custos maiores.
Ainda prevalece nas usinas brasileiras a idéia de que a manutenção
é sempre um expediente relacionado a custos em detrimento de
investimentos. Atualmente o setor de manutenção
industrial ainda é visto como o mal necessário
para muitas empresas, dificultando sobremaneira a implementação
de novas metodologias. Para as unidades do setor sucroalcooleiro esta
realidade ainda se mantém, existindo também a necessidade
de se romper o velho paradigma de que a manutenção está
relacionada a despesas, observa Marcelo Wilson Anhesine, engenheiro
da Ancora Consultores.
Predomina entre as unidades sucroalcooleiras a tese que reconhece
um investimento apenas em uma nova instalação ou em
modificações que agreguem valor ao parque industrial.
Não é relevado o princípio que manter significa
preservar as condições operacionais de projeto - a não
realização das atividades de manutenção
degrada os meios de produção, o que pode comprometer
a sua confiabilidade no período da safra.
De acordo com o engenheiro de manutenção Artur Kiryu,
os profissionais gastam maior parte do seu tempo cuidando das máquinas
em vez de se preocuparem com a qualidade do processo e do produto.
Por este motivo, provavelmente é o maior custo da manutenção.
Nestes tempos difíceis, com estreitas margens de lucro, este
cenário é aterrorizante.
Para Anhesine a tendência do setor aponta para um movimento
lento de modernização. Este rompimento somente
será possível a partir do momento que a direção
da empresa passar a ter uma visão sistêmica entendendo
que a produção necessita trabalhar de maneira integrada
com o setor de manutenção industrial.
É um consenso entre os especialistas que cada tipo de manutenção
se adapta melhor a uma empresa especificamente, mas o setor sucroalcooleiro
precisa inicialmente conhecer as suas necessidades para depois definir
qual alternativa escolher: preventiva, corretiva ou preditiva. Na
década de 60, essa era a questão em moda. Atualmente
devemos reformular esta discussão, sugere Kiryu.
O melhor tipo de manutenção deve ser determinado de
acordo com o desempenho esperado (confiabilidade) do equipamento e
também com as conseqüências de uma eventual falha
(inoperância temporária). Esta filosofia está
alinhada com a MCC (Manutenção Centrada em Confiabilidade),
em que procura-se aplicar um determinado tipo de manutenção
de acordo com as características das funções
exercidas pelos equipamentos e sua importância no contexto do
processo industrial, detalha Kiryu.
Os procedimentos desenvolvidos atualmente estão longe de contemplar
as atividades recomendadas. Nos dias de hoje, pratica-se uma combinação
entre a manutenção corretiva (urgente ou programável),
preventiva e preditiva, determinada pela experiência ou sentimento
dos profissionais envolvidos no processo.
O ideal seria a construção de um planejamento de manutenção
eficiente em que seja identificada a criticidade (A,B,C) dos equipamentos
da planta, para determinar as necessidades de cada equipamento, medindo
suas intervenções e verificando o intervalo entre as
falhas (FMEA) e consequentemente verificando também o tempo
de disponibilidade que o equipamento estava ativo e produzindo. |
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