Reportagem de Capa Edição 83 de Janeiro/Fevereiro
de 2004
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Qual a menor extração
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| Impulsionado pela capacidade de eficiência,
difusor já começa a disputar o mercado com as moendas
tradicionais
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| Princípios da extração
da moenda e do difusor são diferentes |
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A última safra de cana-de-açúcar
no Brasil alcançou números recordes. Observou-se no
país a produção de 14,4 bilhões de litros
de álcool e 24,2 milhões de toneladas de açúcar.
Para atingir estes índices, aproximadamente 350 milhões
de toneladas de cana-de-açúcar foram moídas.
Este montante foi prioritariamente processado pelas tradicionais moendas,
mas a colheita 2003/04 já apresentou aumento da quantidade
de matéria prima extraída por um outro equipamento rejeitado
há muitos anos, o difusor.
O difusor é um moderno aparelho que desempenha as mesmas funções
da moenda, mas com características de obter maior eficiência
na extração. O modelo ainda é pouco utilizado
no Brasil. Existem cerca de 10 equipamentos instalados nas 324 usinas
brasileiras, que priorizam o uso da moenda. A utilização
da moenda se solidificou no Brasil porque os fornecedores nacionais
se especializaram em fabricar peças eficazes, com baixa manutenção
e com boa capacidade de extração.
Os primeiros testes com difusores foram realizados no Brasil na década
de 70, com tecnologia sul-africana. Mas a implantação
dos equipamentos ocorreu de uma maneira intempestiva, sem preparação
específica para os técnicos operadores, o que marginalizou
o produto. Aconteceram algumas experiências mal sucedidas
com o equipamento, o que provocou um marketing negativo. As pessoas
não conseguiam fazer o difusor operar de forma eficaz, e isso
o prejudicou, explica Antônio Vicente Possi, diretor financeiro
e de comércio Internacional da Sermatec. Na verdade,
os primeiros aparelhos não satisfizeram porque eram fabricados
para processar beterraba, revela o engenheiro Arnaldo Bastos
Neto, gerente da Uni-Systems
Há cerca de 10 anos, porém, o difusor foi aperfeiçoado
e sua cultura cresceu, e pode se tornar uma grande tendência
para o futuro. É um equipamento muito mais eficiente
do que a moenda,vai ser muito utilizado, prevê o empresário
Maurílio Biagi Filho, conselheiro da Usina Santa Elisa. Esta
tecnologia possui muitas vantagens: eficiência maior (2% ou
3% acima da moenda), não exige manutenção, custo
operacional baixo, detalha Possi.
Um caso de sucesso com o difusor foi observado em 1999, na Argentina.
O Grupo Arccor, adquiriu uma usina de açúcar, Ingenio
La Providencia, que precisava ser melhorada. A primeira providência
foi instalar um difusor, um dos maiores da América, com capacidade
de moer 10 mil toneladas de cana por dia. Hoje esta unidade
é uma das usinas em melhores condições do continente,
revela Possi.
Eficiência de extração
A moenda e o difusor apresentam algumas diferenças e os princípios
de extração de caldo são diversos. Na moenda
se macera o colchão de cana, que passa por uma espécie
de lavagem no difusor, através de água quente
e vapor. No caso dos difusores, há um último terno para
secagem do bagaço, que será o combustível nas
caldeiras para geração de vapor. Já o preparo
de cana em ambos é similar (etapa que antecede a extração,
picagem e desfibragem da cana).
A grande vantagem apresentada pelos entusiastas do uso do difusor
é a capacidade de extração, que pode chegar a
quase 99% em alguns casos. A extração obtida por
difusor é mais eficiente. A moenda ainda apresenta pontos de
baixa eficiência, que com o tempo e métodos (recursos)
mais modernos de avaliação deverão ser melhorados,
avalia o engenheiro mecânico Dimas Cavalcanti, diretor da empresa
Moex. |
| Arnaldo bastos Neto: "Os primeiros difusores
eram para processar beterrabas |
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Resultados práticos demonstram que o Pol% no
bagaço originário do difusor pode chegar a até
0,7%, mantendo-se, na maioria dos casos, menor de 1%. Comparado
com situações práticas de moendas existentes
com Pol% no bagaço de 1.6 até 2.3%, esse resultado representa
uma produtividade altíssima, significa um aumento na renda
operacional de aproximadamente US$ 700,00 por cada 1000 toneladas
de cana processada pelo difusor, baseando-se em um preço médio
do açúcar de US$ 250,00/ton e uma eficiência de
fábrica de 90%. Assim, uma usina que mói 2.000.000 de
toneladas de cana por safra, aumentará a sua renda em US$1.500.000,
calcula Bastos Neto.
O difusor é uma das novidades tecnológicas implantadas
na Vale do Paranaíba, unidade instalada no ano passado que
conseguiu atingir um aproveitamento de 99,5% na extração
do caldo de cana. O projeto de difusores esteve adormecido por
muito tempo desde sua criação. O Grupo buscou neste
processo de extração de caldo a base para obter os índices
de eficiência que alcançamos. Os índices reduzidos
de paradas, a facilidade de operação, e estabilidade
geral do processo aliado ao baixo custo de operação
e manutenção, sacramentam exatamente toda a intenção
de nosso Grupo quando optou em investir no equipamento, eficiência,
custo reduzido, tecnologia de processo e qualidade final dos seu produtos,
diz Pedro Collegari, superintendente industrial da unidade.
Para atingir esta eficiência, o preparo de cana do difusor é
diferenciado. Para a moenda, o índice de preparo (desfibramento)
pode variar de 80 a 85% ou 90 a 92% de células abertas. Para
o difusor este índice deve alcançar obrigatoriamente
90 a 92%, do tipo que possibilite a formação de fibras
longas na cana preparada. A preparação da cana
é responsável pela exposição (abertura)
das células que contêm sacarose. Isso facilita a saída
da sacarose das fibras. No caso da moenda, quanto maior o índice
de preparo, maior a extração do 1º terno, refletindo
em uma maior extração em toda a bateria. No caso do
difusor, significa maior extração em todo o processo,
esclarece Cavalcanti.
Tanto moenda como difusor exigem um sistema de preparo pesado para
proporcionar um alto grau de extração. Mas no Brasil,
baseados na prática, os especialistas acreditam que para linhas
de moenda com um mínimo de seis ternos, um sistema de preparo
com desfibrador leve, apresenta resultados satisfatórios. Em
outras palavras, não encontramos na prática diferenças
representativas de extração em moendas de seis ternos
bem operadas quando são equipadas com desfibrador pesado ou
com desfibrador leve. Já para o difusor um preparo pesado é
indispensável, o qual necessita de mais potência instalada,
computa o engenheiro Celso Procknor, diretor da Procknor Engenharia.
Considerando uma linha nova processando 500 TC/H (12.000 TC/dia) de
cana, seria necessário para a moenda um nivelador, um jogo
de facas oscilantes e um desfibrador leve. Para o difusor é
preciso um desfibrador pesado. Os consumos de potência no preparo
da cana para a moenda e o difusor seriam de cerca de 2.600 kW e de
3.250 kW respectivamente. Estamos falando de potência
média consumida, e não de potência instalada.
Portanto, por enquanto, a vantagem seria da moenda, pelo menos para
o caso específico da experiência brasileira, atribui
Prockor.Em contrapartida, a potência instalada para o uso do
difusor é menor e necessita de menos vapor para acionar o equipamento.
Também será preciso menos uso de bagaço que pode
ser vendido ou aproveitado para fabricação de energia
elétrica.
Hipoteticamente, para uma usina que processe 500 TC/H a moenda possui
potência instalada de 4.500 CV contra 6.400 CV do difusor. Para
a extração de caldo, os números passam para 6.100
CV e 2.400 CV. Com isso, a potência específica total
de instalação para extração de caldo seria
de 186 CV/TCH da moenda e 157 CV/TCH do difusor. |
| Difusor da Uni-Systems instalado em usina brasileira:
aumento das vendas
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O difusor exige menor consumo de energia mecânica,
mas para atingir altas extrações precisa de maiores
taxas de embebição se comparadas com os índices
verificados nas moendas. Analisando desta forma, a moenda se mostra
mais versátil. Temos na prática casos de crescimento
de capacidade de moagem da ordem de 450%, enquanto no difusor recomenda-se
não passar de 50% sob pena de baixa extração,
revela Cavalcanti.
Há explicação para esta diferença. No
difusor a extração depende ao mesmo tempo da altura
e da velocidade do colchão de cana para que a embebição,
jogada em um determinado ponto possa atravessar o colchão no
tempo certo de cair dentro de um cocho e de lá ser bombeada
para um ponto mais à frente. A velocidade, e, portanto,
o tempo que a embebição tem ao atravessar o colchão
depende da aceleração da gravidade, que é fixa.
Logo, quando se mexe na altura ou na velocidade do colchão
para processar mais cana desarranjam-se os ciclos de embebição
e pode-se, por exemplo, fazer que um mesmo volume de caldo fique entrando
e saindo no mesmo cocho. Assim, a extração fica comprometida,
detalha o engenheiro da Moex.
Os custos de instalação do difusor da moenda são
equivalentes, o que já não acontece com os gastos verificados
nos trabalhos de manutenção. Neste caso, o difusor leva
vantagem. A manutenção do difusor é muito
mais barata e pode ser feita na própria usina. Não precisar
ter máquinas ou funcionários especializados. É
pura caldeiraria, calcula João Ducatti, gerente comercial
da empresa Santin.
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| Aumento da produção de açúcar:
uma das vantagens do difusor
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