Reportagem de Capa III Edição 83 de Janeiro/Fevereiro
de 2004
|
|
Usinas: de Olho no Futuro
|
| Capitalizadas e ávidas por competitividade,
unidades sucroalcooleiras aumentam investimentos em automação
|
| Sala de controle implantada para gerenciar
planta de co-geração: amplo campo de aplicação
para a automação |
|
O ano de 2004 começou agitado para o mercado
sucroalcooleiro com o anúncio do contrato fechado entre a GE
Fanuc - através de seus distribuidores GE Supply do Brasil
e Aquarius Software - e o Grupo Nova América. Com duração
de cinco anos e avaliado em aproximadamente R$ 3 milhões, o
acordo prevê o fornecimento de equipamentos para controles de
automação (PLC) e softwares de supervisão para
quatro empresas do conglomerado, incluindo as Usinas Nova América
e Maracaí, além do Terminal Portuário de açúcar
Teaçu.
Um dos cinco maiores produtores de açúcar refinado do
mercado nacional e décimo colocado no ranking dos principais
fabricantes de álcool do Brasil, o Grupo Nova América
decidiu investir em automatização para aumentar a sua
competitividade. Além da aquisição de novos equipamentos,
as unidades sucroalcooleiras estarão padronizando todos os
processos, substituindo também alguns produtos por novas soluções
da GE Fanuc.
Para o gerente de Extração e Manutenção,
coordenador do Grupo de Automação Nova América
(GANA), Carlos Donizeti Morbi, a automatização dos sistemas
está se tornando fundamental para as usinas brasileiras. Se
torna possível garantir maior segurança operacional
da planta, a uniformidade dos processos, evitando perdas e desclassificação
do produto final, além de possibilitar maior produtividade
industrial, reduzindo paradas indesejadas.
Tradicionalmente incomuns no setor sucroalcooleiro, os grandes investimentos
em automação começam a movimentar o mercado canavieiro
com maior intensidade. Temos recebido consultas constantes,
relata Antônio Cardoso, responsável pelo desenvolvimento
de negócios do Estado de São Paulo da GE Fanuc.
Ao contrário do que acontece em outros segmentos de indústrias
de processo (petróleo, petroquímico, alimentício
ou papel e celulose), em que a automação é um
valor agregado a projetos turn key, o setor sucroalcooleiro está
esboçando somente agora um movimento de reconhecimento aos
benefícios proporcionados pela automatização
das usinas. Aumento das áreas cultivadas, diversificação
do mix de produtos e elevação de produção
são prioritários, e muitas vezes os investimentos em
automação são preteridos pelas unidades de açúcar
e álcool, observa Jayme Tamaki Júnior, gerente
de produto da Smar. |
| Marcus Vinícius Ribeiro: monitoração
on line de qualquer lugar do mundo |
|
Há cinco anos, porém, passou a ser observado
no setor um maior interesse por automação de sistemas,
o que está demandando crescentes investimentos por parte das
usinas. Alguns fornecedores acreditam que isso só está
acontecendo neste momento porque se solidificou no segmento canavieiro
uma falta de reconhecimento quanto à contribuição
da automatização para otimização financeira
das unidades. Pouco tempo atrás isso existia SIM, com
letras maiúsculas. No entanto, essa realidade vem claramente
sendo transformada. Hoje, a grande maioria já percebe claramente
a contribuição dos sistemas automáticos na redução
de custos de produção, acredita o empresário
Paulo Gallo,diretor da empresa Authomathika.
Outra hipótese levada em consideração para o
atraso tecnológico da agroindústria canavieira seria
a falta de conhecimento profundo sobre toda a funcionalidade da automação.
Acredito que as usinas, bem como outros setores da indústria
de processos, já reconhecem os benefícios da automação
para a redução de custos. O que se passa é que,
em muitos casos, falta conhecer o que há disponível
no mercado de tecnologia para isso, assim como ainda existe uma cultura
um pouco refratária para mudanças, analisa André
Luís Coutinho, gerente de contas da Woodward.
O engenheiro César Rodrigues, responsável pelo setor
de Automação Industrial da Usina Alta Mogiana, tenta
ampliar o ângulo da discussão. Para ele, existe reconhecimento,
o que falta é confiança. Acreditar que a automação
ajudará a empresa a resolver vários problemas é
o grande desafio dos fornecedores. Considero que a questão
não seja somente da cultura do setor, os fornecedores estão
começando a crer que o segmento é um grande investimento,
estão oferecendo equipamentos com boa relação
custo x benefício.
Reside justamente na falta de valorização da relação
custo x benefício por parte de algumas usinas a principal reivindicação
das empresas fornecedoras. Isso se traduz claramente quando
uma usina opta por sistemas de menor custo inicial de aquisição
que, no médio prazo, tornam-se, ao final de certo tempo de
utilização, bem mais caros em função de
dois fatores básicos: primeiro, o sistema não opera
de forma a atingir o máximo potencial de redução
de custos; e, segundo, devido aos custos de manutenção
decorrentes da utilização de equipamentos de qualidade
inferior, principal razão do menor custo inicial de um dado
sistema, discorre Gallo. Acredito que a relação
custo x benefício mereça mais atenção,
os fornecedores e usinas devem trabalhar juntos para provar que isso
é uma realidade, reconhece Rodrigues.
Também atrapalha o desenvolvimento do mercado a idéia
difundida de que a automação é responsável
por suprimir vagas de trabalho. O lado social também
deve ser considerado. As usinas tiram o operador de um ambiente agressivo
e oferecem melhores condições de trabalho. A automação
não tem o objetivo de reduzir quadro de funcionários
ou mão-de-obra, pretende reposicionar o colaborador para locais
em que ele possa ser melhor aproveitado, reforça Marcus
Vinícius Ribeiro, gerente da engenharia de aplicações
da Smar.
Contra as empresas fornecedoras pesa também a forte concorrência
do mercado, que em casos extremos pode beirar a deslealdade. Na
maioria das vezes, não se trata de uma política de preços
deliberadamente baixos, com intuitos que poderiam ser classificados
de desleais. Existe no setor uma forte tendência a se comprar
valor baixo inicial, e isto favorece o aparecimento, ano após
ano, de players no mercado que, possivelmente por falta
de conhecimentos administrativos, entram com preços equivocados
no mercado, lamenta Gallo. Além disso, empresas
com esse perfil têm apenas um destino que sem duvida não
é o sucesso, confirma Matheus Galvani Antonelli, diretor
comercial da Usitep e acionista do grupo J.C Antonelli.
Não é complicado compreender porque o mercado se comporta
dessa maneira. Não é possível precisar com exatidão,
mas disponibilizam tecnologias de automação para o setor
em torno de uma centena de empresas, entre fabricantes, integradores,
distribuidores e prestadores de serviços.Para se estruturar
uma empresa que propõe fornecimento de sistemas de controle
automático, o investimento inicial de capital financeiro é
relativamente baixo. O principal patrimônio é a capacidade
técnica de quem abre uma firma. Mas, infelizmente, as
pessoas carecem de conhecimentos relativos à administração
de seu negócio e, quando compõem seu preço de
venda, desconsideram uma série de custos e obtém como
resultado final um valor artificialmente mais baixo, prossegue
o diretor da Authomathika.
Por outro lado, existem ainda empresas utilizando em seus sistemas
equipamentos de baixa qualidade e/ou pouca tecnologia, o que também
empurra os preços para baixo. O mercado é bastante
competitivo. As negociações não podem ser passionais
e as empresas necessitam de vendas e lucratividade para se manterem
e até mesmo crescerem. Da mesma maneira que o cliente deve
estar atento a outros fatores além do preço.A máxima
expressão o barato sai caro é verdadeira
e se aplica neste caso, argumenta Tamaki.
Para combater este tipo de problema e ampliar as negociações
com o setor sucroalcooleiro, os fornecedores também contam
com o respaldo do Governo Federal. Comercialmente, o Governo
tem oferecido mais apoio nos últimos tempos. Há uma
política mais séria para açúcar e álcool
com recursos de grandes bancos e empresas, algumas até estrangeiras.
Isso está oferecendo um alicerce mais sólido para as
usinas fazerem novos investimentos em automação, de
uma maneira mais contínua, destaca Ribeiro. |
LEIA MATÉRIA COMPLETA NA EDIÇÃO IMPRESSA |
|
Na Edição Impressa
Acontece na Usinas
Grupo Petribu implanta usina em SP
Usina Santa Cruz recebe financiamento para se expandir
Usina Aralco implanta Centgro de Inteligência
Usinas do Nordeste iniciam contratos de venda de energia elétrica
Usinas em construção no Egito
Empresas
Lula e Alckmin prestigiam a inauguração da nova fundição
Dedini
DuPont anuncia mudanças organizacional visando ao crescimento
New Holland realiza evento na Paraíba
Cachaça mineira conquista certificado de exportação
Basf estimula segurança do trabalhodor
Bardahl comemora 50 anos no Brasil
Fertron realiza perceria educacional
Banco do Brasil premia Sermatec
E muito mais... |
|