Especial – Edição 83 de Janeiro/Fevereiro de 2004
O usineiro do ano
Convidado para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – CDES, instituído pelo presidente Lula, e homenageado com o título de “Personalidade do Ano” pela Brazilian-American Chamber of Commerce, Maurílio Biagi Filho colheu em 2003 alguns dos melhores frutos de toda uma vida dedicada ao setor sucralcooleiro.

Maurílio Biagi Filho
O ano de 2003 vai ficar marcado para sempre na trajetória do empresário Maurílio Biagi Filho. Iniciado em grande estilo, com o convite para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – onde é o único representante do setor sucroalcooleiro – o ano foi encerrado com chave ouro na cerimônia de premiação em Nova York ao receber o título “Personalidade do Ano”, concedido pela Brazilian-American Chamber of Commerce – Biagi foi indicado por unanimidade para receber a distinção.

O título foi instituído no ano de 1970 e a primeira personalidade homenageada foi o então ministro da Fazenda, Antonio Delfim Netto. Antes de Maurílio, apenas três outros empresários do agronegócio brasileiro haviam sido contemplados: Horácio Coimbra, Jorge Wolney Atalla e José Luis Cutrale. Para Biagi, porém, o reconhecimento veio no momento certo, este ano foi realmente muito especial.

“Eu me senti muito gratificado. É o reflexo de uma luta de uma vida inteira. Esse prêmio se deve a uma série de fatores: o álcool está em uma situação internacional muito favorável, a região de Sertãozinho se encontra inserida em um cenário muito otimista, com muito empreendedorismo. Para mim, foi uma surpresa muito grande a indicação para esta homenagem. Eu sou um sujeito muito ousado, já imaginei de tudo para a minha vida, mas esse prêmio eu nunca tinha pensado, sempre considerei isso uma coisa inatingível e pensava que nunca aquilo era para mim. Fiquei muito sensibilizado com a escolha”, definiu Biagi.

Grande defensor e entusiasta da agroindústria canavieira, Biagi atribui a sua escolha ao segmento. “Represento um setor de notória importância no contexto econômico brasileiro. Um setor que movimenta quase 20 bilhões de dólares por ano, gerando dois milhões de empregos diretos em toda sua cadeia produtiva. Sem dúvida, somos um dos setores mais competentes e competitivos do agronegócio brasileiro”, proferiu em discurso realizado em Nova York.

Maurílio Biagi Filho sempre participou das discussões que envolvem o setor sucroalcooleiro do Brasil. Foi um dos poucos representantes a se manifestar durante a crise do álcool, no final dos anos 90. Agora, quando o Brasil acaba de chegar à maior safra da história, novamente se posiciona com firmeza.

“A perspectiva do setor sucroalcooleiro é ótima. Temos várias novas usinas sendo construídas, mas isso poder gerar um problema de superprodução. E toda vez que se produz mais que o mercado necessita cai o preço, e quando se produz menos sobe o preço. Se o setor deixar 5% dos seus canaviais em pé neste fim de safra, no ano que vem vamos começar a colheita mais tarde e essa hipotética sobra de produto estaria resolvida. Temos que manter estoques, produzir o necessário”, sentencia.

Biagi constata um descompasso entre oferta e demanda e sugere algumas alternativas para resolver estas questões “Devemos produzir menos ou exportar, conseguir novos mercados. Mas esta é uma questão de planejamento, basta organizar a produção. Insisto que se todos os produtores deixarem 5% da cana em pé, o que representa zero de problema coletivamente, teríamos os preços em patamares mais justos e mais honestos. Agora, os valores cairão se todos seguirem a sua própria vontade de vender. Eu já fiz a conta, o Brasil perde R$ 3 bilhões devido de um cálculo equivocado de produção e demanda. Com R$ 200 milhões, deixaríamos 5% de cana em pé, o que não é prejuízo para ninguém. Não estamos adiando o problema, estamos é ganhando mais tempo para abrir novos mercados”, assegura.

Diante destas circunstâncias, Biagi também tem sido um aliado do setor na articulação de novos contatos comerciais. Convidado pelo presidente Lula para, além de integrar o Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico, integrar diversas comitivas oficiais pelo mundo afora, tornou-se a principal voz do setor sucroalcooleiro nacional no Brasil e no exterior. Esteve com o presidente em Cuba e literalmente convenceu o presidente Fidel Castro que investir na produção de álcool seria a melhor alternativa para alavancar a decadente produção açucareira cubana e livrar o país da dependência de importação de combustível. Também fez parte da comitiva presidencial brasileira que esteve na Colômbia, em El Salvador, e na Síria, discutindo acordo comerciais.

Ele ainda defende um posicionamento mais firme no combate ao protecionismo. Foi um dos articuladores do painel que o Brasil, junto com a Tailândia e a Austrália, abriu na Organização Mundial o Comércio

- OMC, contra o subsídio europeu às exportações de açúcar. Contra a Argentina, tem sido uma das mais contundentes vozes contra a postura arredia do país vizinho ao setor sucroalcooleiro brasileiro.

“O Brasil está começando a demonstrar os seus interesses. Está engrossando a voz com a Argentina, que é uma questão de respeito. A postura argentina é um atentado à soberania nacional, um desrespeito ao Mercosul. Precisamos acabar com isso porque é inadmissível o estrago que eles fizeram nos últimos 15 anos, distorcendo os fatos e denegrindo nossa imagem para todos os países açucareiros do mundo”, diz.

Biagi também defende que o setor deve criar uma mentalidade produtora de energia ao invés de apenas produtor de álcool e açúcar. “Sempre brinco dizendo que temos uma Itaipu adormecida nos canaviais. Podemos produzir 6 GW de energia com a tecnologia que o setor já dispõe”. .

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