Fiepe
A Federação das Indústrias de Pernambuco
Fiepe vem trabalhando em conjunto com o Governo do Estado para otimizar
a infra-estrutura logística o que significaria transformar
o Estado em um hub de escoamento da produção de toda
a região Nordeste.
Um dos projetos defendidos pela entidade é a ferrovia Transnordestina
que integraria três pontos do sistema ferroviário
nordestino (Missão Velha/CE, Salgueiro/PE e Petrolina/PE) com
o sistema hidroviário do São Francisco e o sistema rodoviário
já existente.
Koblitz
O professor e engenheiro Luiz Otávio Koblitz fundou, em 1975,
a Koblitz para trabalhar com instalações elétricas
principalmente no setor de açúcar e álcool,
mas seu conhecimento e dedicação deram confiança
aos clientes para que a empresa passasse a atuar com geração
e co-geração de energia, adotando conceitos avançados
em engenharia de sistemas elétricos e termodinâmicos.
A busca por alternativas para integrar sistemas de energia em sintonia
com as questões ambientais é uma postura herdada de
seu fundador e uma constante da empresa.
A Koblitz atua em vários setores, mas alguns merecem destaque,
como o desenvolvimento de projetos para usinas de açúcar
e álcool, de alimentos, bebidas, cimento, madeira, óleos
vegetais, beneficiamento de arroz, papel, cerâmica, frigoríficos,
siderúrgicas, têxtil e outros.
Secretaria de Desenvolvimento Econômico
De suma importância para a economia do estado, o setor sucroalcooleiro
representa 19% do PIB estadual e ainda ocupa o primeiro lugar na
pauta de exportação de Pernambuco. É
um setor que o Governo Jarbas pegou sofrido por secas recorrentes.
A Mata Norte, de maior devastação, recebeu o Prorenor,
um programa que promoveu o replantio da cana e a reorganização
da vida através de investimentos que, na época, se
achava que seriam a fundo perdido, mas que depois viu-se que deram
muito resultado e se pagaram, comenta Alexandre José
Valença Marques, Secretário de Desenvolvimento Econômico,
Turismo e Esportes.
O programa foi tão feliz que já se copia o modelo
em outros estados e mesmo para outras culturas. Um pouco depois
de aplicado na Mata Norte o programa foi estendido para a Mata Sul,
numa quantidade menor. Resultado: o setor colhe este ano 12% a mais
de toneladas de cana, quase retomando suas médias históricas.
O secretário repele o estigma do setor sucroalcooleiro porque
ele sempre ficou de fora dos grandes programas federais, mesmo com
a criação da Sudene. Não se vê
uma manifestação mais forte do setor embora o Fundo
Nacional de Energia financie alguns projetos como a produção
de gás carbônico a partir da fermentação
do álcool. Mesmo o Prodepe Programa de Desenvolvimento
do Estado de Pernambuco não beneficia o setor sucroalcooleiro
apenas mantém um sistema tributário especial.
O Secretário acredita que o Estado não deve se meter
nos negócios; ele tem a função de desenvolver
centros tecnológicos, fornecer técnicos, garantir
condições para geração de empregos e
o crescimento das oportunidades.
O projeto do canal que sai de Sobradinho (BA) para irrigar
uma grande área que inclui o estado de Pernambuco ainda não
é uma realidade mas como é que Sobradinho vai poder
irrigar se não tem água também? As discussões
são muito grandes e divergentes. Vejo mais pessoas a favor
de um processo de revitalização do Rio São
Francisco, reconstituindo suas matas ciliares, saneando...
Perguntado sobre os poços artesianos em Pernambuco, o secretário
afirma que, infelizmente, eles são pouco econômicos
porque o estado está sobre um cristalino muito grande, que
quando contém água é muito salinizada; os poços
precisam ser muito profundos.
Quanto à logística, o secretário tem notícia
que os trabalhos nas ferrovias começam este ano ainda, primeiro
com a reforma das linhas já existentes Refice-Propiá
(no Vale do São Francisco), o ramal centro (Petrolina - Salgueiro)
e Bahia-Sergipe. Isso feito, é uma boa parte da Transnordestina
e poderia começar a trazer para o porto, com mais baixo custo,
o que for produzido no São Francisco.
O setor de cana emprega entre 60 e 80 mil trabalhadores, mas o número
correto depende muito do setor de corte já que o estado é
pequeno e possui mais de um período de chuvas o que
gera um movimento de trabalhadores interessante; uma migração
ímpar de norte a sul e do sertão para o agreste. A
cana ainda é o carro-chefe da indústria pernambucana,
mesmo com problemas que enfrenta há dois anos. A Fiepe
e o Governo do Estado têm dado apoio político na questão
da equalização, que não é de Pernambuco
mas de todo o nordeste.
Sobre os grupos nordestinos em franca expansão no Centro
e Sudeste, o secretário junta-se ao coro das pessoas ligadas
ao setor quando diz que se as empresas e empresários pernambucanos
conseguem produzir no nordeste, no sul é brincadeira.
STAB
Criada por pouco mais de oitenta técnicos em 1963 para discutir
os problemas e soluções técnicas, econômicas
e sociais da agroindústria da cana-de-açúcar
no Brasil, a STAB Sociedade dos Técnicos Açucareiros
e Alcooleiros do Brasil cresceu e hoje está presente em todo
o país, com quatro regionais: Stab Sul - São Paulo,
Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do
Sul e Rondônia; Stab Centro - Rio de Janeiro, Espírito
Santo, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais;
Stab Leste - Sergipe, Bahia, Alagoas, Tocantins; Stab Setentrional
- Pernambuco, Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão,
Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte,
Roraima.
A regional leste e a setentrional possuem, cada uma, aproximadamente
250 técnicos e 20 empresas associadas, mas como salienta
o professor Djalma Euzébio Simões Neto, presidente
da Stab Setentrional, a entidade reuniu 1.135 inscritos em seu último
Congresso Nacional. Já realizamos em nossa Regional,
mais de 70 eventos, incluindo dois congressos nacionais e nosso
seminário regional anual, sem contar que, há 14 anos,
acontece o Encontro dos Técnicos Açucareiros do Nordeste
onde, além de discutirmos assuntos técnicos, homenageamos
as personalidades de destaque do setor num ambiente de confraternização.
C&T
Pernambuco sabe que comprar tecnologia é muito caro; o negócio
é desenvolver tecnologia localmente. Essa frase resume a
filosofia de trabalho da secretaria de Ciência, Tecnologia
e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco. O Governo possui programas
para fomentar empresas, mas elas precisam de mais incentivos porque,
em qualquer lugar do mundo, o Governo investe e facilita o desenvolvimento.
Segundo o secretário executivo de tecnologia, inovação
e ensino superior, professor José Carlos Cavalcanti, a falta
de recursos naturais e uma centralização histórica
na cultura da cana, fizeram com que o povo pernambucano buscasse
outro tipo de riqueza, o saber. Pernambuco é o estado
nordestino com mais universidades e doutores, comenta.
Pernambuco está criando novos Pólos de desenvolvimento
em diversas atividades como o Pólo de Tecnologia de Informação
mais conhecido como Porto Digital , o Pólo de
Logística (região de Suape), Pólo do Gesso,
Pólo de Confecções, o de Laticínios
e outros. Esses novos centros industriais estão reforçando
a economia do estado, antes muito baseada na cana. E, veja, o futuro
da cana não me parece ser o açúcar mas o álcool
e a geração de energia.
Centros de Tecnologia estão sendo montados nesses Pólos
para otimizar atividades que se desenvolvem de forma excelente,
como é o caso da vinicultura com apoio do Instituto
do Vinho de Petrolina da ovinocaprinocultura, de confecção
e de gesso. Não podemos esquecer do Pólo Médico:
depois de São Paulo, Recife é o maior centro médico
do Brasil, com 320 hospitais e 111mil trabalhadores de saúde.
O setor é o segundo em contribuição de ISS
da região metropolitana de Recife e, diferentemente de outros
setores, novas tecnologias aumentam o número de empregos
que podem ser computados como cinco pessoas, em média,
para cada leito hospitalar.
O setor sucroalcooleiro possui uma boa rede de ensino no estado,
o que inclui a Estação Experimental de Cana-de-açúcar
do Carpina, da UFRPE, e mesmo o moderno laboratório montado
para participar do projeto Genoma-Cana fruto de um convênio
entre Fapesp e Facepe para transferência de tecnologia. Por
um ano várias equipes foram treinadas em seqüenciamento
genético, em São Paulo. Aqui unimos o conhecimento
da tecnologia da informação o diferencial desse
laboratório é o bio-informata com o conhecimento
biológico. Estamos preparados, mas quem manda na genética
da cana, hoje, no mundo, é São Paulo.
Alco
Em 1996, a Alco foi fundada como Associação dos Produtores
Autônomos de Álcool voltada para os interesses específicos
dessa categoria. E, como é uma associação onde
a participação não é compulsória,
reune pessoas com os mesmos interesses e disposição.
Ao longo do tempo, muitos produtores de álcool do Nordeste
compraram unidades no Centro-Sul, levando a Alco a adotar o nome
de Associação Brasileira da Indústria de Álcool
que congrega, hoje, 29 unidades, em onze estados.
Sindaçúcar
Com 62 anos de verdadeira militância no setor de cana-de-açúcar,
o Sindaçúcar Sindicato da Indústria
do Açúcar e do Álcool aglutina as 27 usinas
e destilarias do estado de Pernambuco, faz a representação
institucional e apóia as ações de assistência
social de suas associadas. Fazemos com que os Planos de Responsabilidade
tenham a mesma diretriz e temos nos empenhado em ampliar o uso do
Selo Abrinq entre nossas associadas, pois 14 delas já se
habilitaram, comenta Renato Augusto Pontes Cunha, presidente
do Sindaçúcar.
O setor sucroalcooleiro representa cerca de 20% da economia local,
o que é muito, resguardadas as proporções do
estado. O Nordeste, como um todo, representa quase 20% da produção
nacional de açúcar e álcool, mas, em alguns
meses, quando o centro-sul está na entressafra, passa a ser
o único produtor, ou seja, o Brasil possui dois ciclos complementares.
É um nicho importante que não pode ser relevado.
Em função da topografia acidentada, o Nordeste tem
a maior empregabilidade do país, sendo que o setor sucroalcooleiro
é líder nacional em empregos no campo, com quase um
milhão de empregos no total; só em Pernambuco são
150 mil de forma direta e outros 600 mil empregos indiretos. Isso
praticamente consolida nossa posição econômico-social
e, por isso mesmo, temos a prerrogativa de fazer o embarque da cota
americana. Qualquer outra fala sobre o assunto é teoria.
Isso é lei federal desde 1995 e lei é para ser cumprida.
Claro que existem pessoas que não se conformam com o fato
do Nordeste entregar esse açúcar, mas fazemos essa
entrega desde 1960 de forma contínua, sem contar que fomos
pioneiros na exportação de açúcar. É
um diferencial pequeno mas não vamos perdê-lo,
garante Renato Cunha.
Unida
A Unida União Nordestina dos Produtores de Cana, entidade
que congrega 10 instituições de classe distribuídas
por nove estados do Nordeste, representando aproximadamente 20 mil
pequenos e médios produtores, fornecedores de cana. A produção
desse universo corresponde a cerca de 40% do total da produção
agrícola do Nordeste, ou seja, de 20 a 21 milhões
de toneladas; de cana os outros 60% vêm do grande produtor,
a cana própria do segmento industrial.
No Brasil como um todo, na base primária do processo, existem
dois produtores, os fornecedores de cana pequenos e médios
produtores e os grandes produtores, as usinas. No caso do
Nordeste, o grande produtor está representado por 90 unidades
industriais, que acumulam duas funções, a agrícola
e a industrial. Os pequenos e médios só têm
a função agrícola, só produzem cana.
É bom visualizar a estratificação desses
pequenos e médios produtores, para se ter uma idéia
da função social do setor: 86% desse universo está
representado por produtores de até mil toneladas de cana
por safra, o que significa que grande parte pratica a agricultura
que se enquadra no conceito de agricultura familiar; se considerar
até 5 mil toneladas de cana, temos 96% desse universo. No
Nordeste do Brasil de hoje, produzir até mil toneladas de
cana, caso da imensa maioria, representa um faturamento anual bruto
de 28 mil reais e, considerando-se a remuneração
líquida da ordem de 10% 2,8 mil reais ano ou algo
em torno de um salário mínimo por mês para o
pequeno e médio produtor, com a equalização
(subsídio da cana), sem ela, o resultado líquido é
negativo, ou seja, esse universo hoje está no prejuízo,
demonstra Gregório Maranhão, secretário geral
da Unida.
O universo de associados da Unida é quem mais sofre com a
suspensão da equalização, erroneamente chamada
de subsídio, porque subsidiar é incorporar um algo
mais, tornar diferente. Segundo Gregório Maranhão,
equalizar é tornar igual e o mecanismo da equalização
é para tornar, comparativamente, o resultado econômico
da produção de cana do centro-sul igual ao resultado
econômico que se teria no Nordeste não fossem seus
custos maiores por causa da topografia acidentada.
Acreditamos que essa diferença seja de 25% a 30% entre
o custo de produção no Centro Sul e o custo de produção
médio no Nordeste. Isso significa que o valor da equalização
deveria ser atualizado, o que não vem sendo feito há
12 anos. O último valor que consta é de 5,0734
reais por tonelada de cana e já incorpora a defasagem de
12 anos. O programa não vem repassando os recursos aos produtores
do Nordeste; a lei não vem sendo cumprida. A atualização
desse valor decorre do fato de que, quando se fala de estudo comparativo
de custo de produção, esse estudo incorpora uma série
de variáveis como transporte (que varia em função
do combustível), mão de obra (que varia em função
do piso), fertilizante (90% ainda é importado), etc. Atualizado,
o valor estaria acima de 10 reais por tonelada, o que significaria
que o Nordeste está desprovido de cerca de um terço
da remuneração para a atividade canavieira na base
primária.
Copergás
Ao lado dos produtores de álcool e açúcar,
a Companhia Pernambucana de Gás Copergás completa
as alternativas energéticas ambientalmente corretas.
Eles (álcool e gás) estão unidos pela
questão ambiental. Mesmo que o gás não seja
renovável, os dois têm uma queima mais limpa,
destaca o presidente da empresa, Romero de Oliveira e Silva.
A Copergás reconhece o papel fundamental da cana na
formação da própria sociedade pernambucana
e destaca o pioneirismo do setor sucroalcooleiro no uso de alternativas
energéticas o que, de certa forma, criou espaço para
a utilização do gás natural, completa
Romero.
O presidente da Copergás defende um sistema de geração
de energia que combine a biomassa com o gás natural, num
ciclo combinado já que durante a entressafra a usina
não queima bagaço. É preciso analisar
bem e pensar um uso adequado das fontes de energia, seja eólica,
gás ou bagaço. O que não pode é descobrir
uma reserva na Bacia de Campos e não usar. Mesmo em termos
mundiais, não usar uma reserva daquele tamanho, tão
próxima do maior mercado da região é impensado!
Criada em 1992, a Companhia Pernambucana de Gás Copergás
começou, dois anos mais tarde, a canalizar, vender e distribuir
o gás natural em Pernambuco. Empresa mista seus acionistas
são o Governo do Estado, a Petrobras e a Gaspart seu
objetivo é implantar a rede de gasodutos para atender o estado
na geração de energia, nas indústria, comércio
e residências, além da introdução do
gás como combustível.
A vantagem, segundo Romero, é que não há como
sonegar ou misturar o gás natural.
|