Reportagem de Capa III – Edição 84 de Março/Abril de 2004
Montadora estuda projeto de caminhão próprio para corte mecanizado
Cruz: investimento no setor sucroalcooleiro

O processo de evolução da colheita mecanizada no Brasil passa necessariamente pela adequação aos problemas que impedem o desenvolvimento pleno da técnica. Os danos ao solo têm causado grandes transtornos a algumas usinas e esses resultados podem inibir o avanço da mecanização. Umas das principais ferramentas de trabalho do sistema de corte, carregamento e transporte começa a receber atenção e tecnologias especiais para não comprometer os terrenos dos canaviais – o caminhão.

O setor sucroalcooleiro nunca contou com opções de veículos fabricados especialmente para a atividade canavieira. A alternativa amplamente difundida na cultura canavieira é o uso de caminhões adaptados de áreas urbanas para aplicação em terrenos agrícolas. “Ainda são poucas as opções específicas”, nota o gerente agrícola Paulo Castilho.

Na contramão desta realidade, a concessionária Volkswagem Santa Emília Caminhões e Ônibus, de Ribeirão Preto (SP), mantém parceria com usinas para pesquisar e desenvolver modelos próprios para o setor . Há alguns anos a empresa já testa veículos nas usinas São Martinho, Batatais, Santa Rita e Albertina, por exemplo.

Os caminhões canavieiros se constituíram nos principais produtos da Santa Emília que, este ano, celebra o seu centenário de atividades. “Como estamos na capital da região mais produtiva de cana, álcool e açúcar, procuramos ao longo do tempo desenvolver toda a linha de produtos para a cultura canavieira”, conta Augusto Cruz, diretor da concessionária.
Pneu de alta flutuação é ferramenta para reduzir
compactação do solo

Marroni, da Goodyear: atenção às necessidades do mercado

Inimiga pertinente da colheita mecanizada, a compactação do solo pode comprometer seriamente uma safra se não for prevenida regularmente. Para diminuir o problema, vários profissionais da área agrícola de unidades sucroalcooleiras e pesquisadores do setor têm realizado insistentes estudos sobre o tema, que resultaram em constatações proveitosas.

Estas pesquisas comprovaram que o sistema de corte, carregamento e transporte da cana colhida mecanicamente precisa passar por adaptações para reduzir o surgimento da compactação. Tradicionalmente, o carregamento difundido era executado diretamente no canavial por caminhões plataformas. “O grande problema é que até pouco tempo atrás não tínhamos opções de veículos para trabalhar dentro do canavial. Precisávamos adaptar modelos de asfalto para trabalhar em solo agrícola”, explica Tomaz Caetano Ripoli, professor titular da Esalq-USP.

A compactação é um dano causado pela colheita mecânica conseqüente do tráfego mais intenso demandado pelo corte mecanizado. Por estarem equipados com pneus tradicionais, os caminhões desenvolvidos para trabalhar em rodovias exercem uma severa pressão sobre o solo do canavial. “O pneu tem uma área de contato que exerce uma força em função do peso do veículo por centímetro quadrado do solo. Quanto maior esta pressão, mais compactação”, discorre Ripoli.

Diante deste problema, recaiu sobre os fornecedores a responsabilidade de desenvolver equipamentos mais agronomicamente corretos. “Lançamos nossa linha de pneus de alta flutuação para aplicação em transbordos para atender a uma solicitação do mercado”, reconhece Wanderley Marroni, supervisor de vendas e serviços de pneus agrícolas da Goodyear.

Os pneus de alta flutuação são caracterizados por terem maior área de contato e, com isso, há uma melhor distribuição da carga; a pressão de inflação dependerá da carga transportada, mas é menor do que as 100 libras demandadas pelos equipamentos tradicionais.“Estes pneus exercem as suas atividades com maior volume de ar e com conseqüente pressão de ar menor de trabalho, o que minimiza a compactação do solo”, divulga Marroni.

Tratores também apresentam novidades tecnológicas

Tratores da linha BL: diversas aplicações na lavoura canavieira

As novidades tecnológicas para o campo canavieiro não se restringem apenas às colhedoras, implementos, caminhões e pneus – há inovadores tratores à disposição dos agricultores no mercado. A Valtra do Brasil, antiga Valmet, pioneira na fabricação no país, está realizando o lançamento nacional de sua nova linha de tratores utilitários agrícolas, o BL - Brasil Leve.

A montadora apresenta ao mercado os primeiros exemplares da nova linha BL (Brazilian Light), o BL77 e BL88. A Valtra lançou uma gama composta de 4 modelos de tratores de 77 a 88cv de potência nas versões 4x2 e 4x4. Desenvolvidos para operar em diversas culturas agrícolas, estes modelos podem realizar várias atividades na lavoura canavieira: pulverização, cultivo, distribuição de torta, enleirador de palhada e cobrimento de sulcos.

Segundo informações técnicas da empresa, os tratores BL são equipados com motores Valtra de 3 e 4 cilindros turbo, 3 opções de transmissão, novo sistema hidráulico de alta capacidade de levante e elevada sensibilidade com baixo custo de manutenção, além de nova semi-plataforma de operação, alavancas de câmbio do lado direito do operador, para maior conforto e aproveitamento operacional, entre outras características.

Os motores da Linha BL são projetados e construídos nos padrões utilizados para máquinas maiores e de maior potência. Todos os modelos são equipados com motores da série 20. O BL de 77 c.v. apresenta um motor de 3 cilíndros turboalimentado, com 3,3 litros, enquanto o modelo 88 de 88 c.v. utiliza o motor de 4 cilíndros com 4,4 litros de aspiração natural.

Os motores de 4 cilindros usados nos tratores modelo BL 88 também apresentam maior torque, reduzindo a necessidade de muitas trocas de marcha, ao mesmo tempo em que reduz o consumo de combustível e o nível de ruído.

O modelo 77 com 77 c.v. tem uma reserva de torque de 23,5%, volume acima do comum em um trator nesta faixa de potência. Os motores de 4 cilindros usados nos tratores modelo BL 88 também apresentam maior torque, o que reduz a necessidade de muitas trocas de marcha, ao mesmo tempo em que diminui o consumo de combustível e o nível de ruído.


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