Especial Edição 84 de Março/Abril de 2004
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Aprendendo a perder
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| Exemplos apresentados em evento da Fermentec demonstram
como a aferição de perdas pode melhorar o rendimento
das usinas
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| As discussões do evento foram acompanhadas
de um grande público
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A safra 2004/05 será um período delicado
para o setor sucroalcooleiro nacional, que precisa administrar um
excesso de processamento de cana, açúcar e álcool
responsável pela queda de preços dos seus principais
produtos. Há empresários que vislumbrem uma possível
crise pessimistas apontam até a volta dos tempos trágicos
vividos no final da década de 90. Neste contexto, se sobressairão
as usinas que adotarem medidas para equilibrarem o rendimento financeiro
da empresa.
Diante destas circunstâncias, a conscientização
sobre o uso pertinente da tecnologia da informação surge
como uma condição indispensável para as empresas
que desejam suportar os desarranjos e as constantes mudanças
do mercado, além de se prepararem para o futuro. Esse
novo e instável ambiente requer das usinas uma transformação
na maneira de realizar seus negócios, na sua organização,
nos seus processos produtivos e, sobretudo, na tecnologia que permite
uma maior capacidade seletiva para eliminar atividades que não
agregam valor ao produto, discorre Gilberto Stuchi de Andrade,
da área industrial do Grupo Virgulino de Oliveira.
O novo desafio das usinas é atingir níveis de excelência
na produtividade, na qualidade e na rentabilidade, conseguindo obter
vantagem competitiva que garanta a solidificação das
empresas no mercado. Um dos caminhos viáveis para a concretização
destas metas é otimizar o rendimento dos métodos e processos
através de análise e exclusão de perdas. Antigamente
era impossível medir as perdas de uma unidade, mas hoje já
disponibilizamos esta metodologia e temos amostradores de preços
mais acessíveis, revela Henrique Amorim, presidente da
Fermentec.
Durante as suas pesquisas realizadas em mais de 28 anos de atuação,
a empresa descobriu que uma usina sucroalcooleira pode chegar a perdas
que alcançam até 6% do açúcar processado
em uma safra.Cada 0,1% de perdas equivale a R$ 200 mil de prejuízo
por safra para uma usina que mói 2 milhões de toneladas
por ano, constata Amorim, que, para expor ao setor a necessidade
de medição de perdas em um ambiente tão globalizado
e competitivo, organizou a 25ª Reunião Anual Encontros
Fermentec, palco de debates sobre todos os resultados conquistados
pela usinas assessoradas na safra 2003/04.
No evento, foi defendido que, com o capitalismo industrial, a aplicação
de métodos racionais na produção coletiva se
tornou o paradigma da competitividade eficaz. Em seus estudos
Chester Bernard já apontava que deveria haver separação
dos conceitos de eficiência (fazer as coisas corretamente) e
eficácia (fazer as coisas corretas). Isso se aplica para conciliar
as ciências naturais com as finanças, diz José
Luiz Zanetti, diretor administrativo e financeiro do Grupo Virgulino
de Oliveira.
Hoje, com a revolução provocada pelos avanços
na tecnologia da informação, há uma evolução
constante nos processos produtivos, não só com base
de produção, mas também nos processos de aferição.
As perdas industriais estão diretamente ligadas ao faturamento
e à rentabilidade de uma usina. A competitividade do
mercado demanda um maior uso da tecnologia da informação,
destaca Celso Rodrigues, diretor da Visão XYZ, Consultoria
e Treinamento. As informações são importantes
para tomada de decisões e para o controle de processos, que,
se forem perfeitos, diminuirão perdas e reduzirão prejuízos,
completa Roberto Simionato Moraes, representante do SCICOM.
Mesmo diante destas prerrogativas, ainda é pequena a quantidade
de empresas sucroalcooleiras que investem na aferição
de perdas. A maior parte das unidades não acredita que
perde. Além disso, nem todos os nossos clientes aproveitam
a utilidade total das medições, afirma Amorim.
Leva vantagem quem sabe tirar o máximo proveito dos dados
recolhidos, acrescenta Simionato Moraes.
Amorim defende que a melhor maneira de difundir os resultados seria
a troca de informações entre as usinas nacionais, mesmo
com o mercado concorrido. Devido a globalização,
a união atualmente é difícil, mas as usinas brasileiras
precisam se harmonizar para enfrentar a competição internacional.
Quanto maior for nossa eficiência, seremos mais fortes. Se isso
não ocorrer, só sobreviverão as usinas que têm
custos menores, enfatiza.
Mesmo com perfil ainda um pouco refratário para a questão
de análise de perdas do setor, algumas usinas já estão
conscientes da necessidade de aferição mais precisa,
entrosando os resultados com os gerentes industriais, cada vez mais
acessíveis à idéia de gestão das empresas.
Hoje as usinas estão mais sensíveis para entender
tudo isso, reconhece Amorim.
A própria Fermentec é o maior exemplo desse movimento.
Em dois anos, a empresa de consultoria passou de 42 para 55 clientes
no Brasil, mais três unidades no exterior. Para aumentar
ainda mais a nossa participação no mercado, é
preciso que o setor compreenda que a análise de perdas é
viável, garante o presidente.
Além das discussões de novas tecnologias nas palestras
promovidas durante o congresso, a 25ª Reunião Anual Encontros
Fermentec também apresentou uma feira, composta de 12 empresas
expositoras que apresentaram ao público participante
formado por mais de 500 técnicos e engenheiros das maiores
usinas do Brasil a eficiência de produtos relacionados
ao tema do evento.
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