Especial II – Edição 84 de Março/Abril de 2004
Stab Setentrional:
Excelência em Seminário e Feira
Na abertura do 8º Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar, promovido pela Stab Setentrional, estiveram presentes Renato Cunha, Fausto Falcão, Gerson Carneiro Leão (Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco), Cândido Carnaúba Mota (presidente da Stab Leste), professor Valmar Correia de Andrade, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Edelclaiton Daros (Ridesa/PR), Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa (Ridesa/Ufal) e, representando a CNI, Paulo Gustavo de Araújo Cunha, vice presidednte de relações internacionais da Fiepe – que proferiu a palestra inaugural.

O presidente da Stab Setentrional, Djalma Euzébio, lembrou que, em novembro passado, a regional completou 30 anos, apesar dos percalços. Agradeceu seus parceiros de sempre como o Sindaçúcar, a Universidade Federal de PE e as empresas do setor. “Mas o maior patrimônio do setor são seus técnicos”, frisou.

Para o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha, a atuação da Stab e, em particular, a realização do seminário, reforçam os trabalhos do setor sucroalcooleiro do Nordeste. Renato acredita que não se pode deeixar de avançar nas pesquisas sobre o genoma da cana, na Universidade Rural. Lembrou que essa questão também se insere na discussão nacional dos transgênicos e que os parâmetros para a cana precisam ser organizados. Contudo, Renato Cunha deixou bem claro que o grande problema do setor, no momento, são os custos e que urge adequá-los para elaborar uma agricultura programada. “Parabéns à Stab que tem se antecipado a importantes questões, como órgão pensador do setor”, pontuou o presidente do Sindaçúcar, entidade que recebeu o Top Social 2004 da ADVB (veja reportagem na página 101).

O magnífico reitor da Universidade Rural de Pernambuco, professor Valmar Correia de Andrade, em poucas palavras, pediu que todos se orgulhassem do setor sucroalcooleiro não apenas porque a cana sustenta o Estado ded Pernambuco há 500 anos mas, principalmente, porque os técnicos e pesquisadores nordestinos são vencedores. E explicou que, quando da extinção do Planalçúcar, em 1990, as estações rurais ficaram órfãs, com as universidades herdando apenas seu patrimônio fisico e intelectual, mas não recebendo recursos para mantê-las pesquisando. Mas, a duras penas, as universidades têm conseguido levar sonhos a diante e o banco genético da Serra do Ouro é um exemplo ímpar.

De fato, da serra saem sementes das RBs, variedades que nascem do amor e suor de uma rede de oito universidades brasileiras, de gente que conhece a dificuldade de captar verbas suficientes para manter, quiçá expandir, os projetos de melhoria genética da cana-de-açúcar – ao contrtário das citadas pesquisas capitaneadas pela Copersúcar e mesmo pela Votorantim Ventures, que fechou suas unidades canavieiras na região.

“Apesar da RB ser a mais plantada (cerca de 60% do área de plantio brasileira), carecemos dee aporte de recursos para as pesquisas não apenas de variedades, mas sobre qualquer outrro assunto que envolva o setor. E, apesar da situação crítica das universidades – que pesquisam para o engrandecimento do país – a cada crise, elas se superam”, pontuou o reitor, que apóia o fortalecimento da agricultura familiar sem que se esquaça que a agricultura de grande escala é vital para a economia mas que, principalmente ela, não existe sem conhecimento e tecnologia.

“Estamos vivendo um grande momento, dedcisivo, cheio de oportunidades. Devemos solidificar e preservar a democracia que conquistamos. No aspecto econômico, porém, apesar de alguns bons resultados, o nível de crescimento é insuficiente. Não se está gerando empregos para garantir a tranquilidade social. A carga tributária é excessiva, as taxas de juros são elevadas, o que deixa a economia semi-estagnada”, pontuou o representante da CNI, Paulo Gustavo, da Fiepe. Ele lembrou ainda que a indústria tem importância inquestionável mas que o agronegócio já representa 30% do PIB Nacional, gerando superavit na balança comercial e contribuindo para um resultado positivo da economia. E, segundo Paulo Gustavo, o setor produtivo e as pessoas físicas têm mantido um nível de poupança quase inalterado – a capacidade de poupança do país está na ordem dos 19% – enquanto persiste uma poupança negativa por parte do Governo.

Mas ele lembra que investir no Brasil não é rentável e as ações que podem mudar este quadro ou são desconhecidas ou não estão sendo postas em prática. O país ainda dispôe de 100 milhões de hectares livres disponíveis para agricultura, o que significa quase o total da área cultivada dos EUA – cerca de 104 milhões de hectares. Muitos produtos brasileiros, inclua-se aí o açúcar, têm sua competitividade diminuída por sobretaxas e impotos – por isso o açúcar chega a ficar com seu preço até 30% superior em alguns países da América Latina e cerca de 200% superior na Europa. E, apesar da inegavelmente importante repercussão sócio-econômica da cadeia da cana-de-açúcar, as negociações que envolvem o açúcar não têm sido positivas para o Brasil, já que o país não encontra reciprocidade nas concessões que tem feito.

De positivo, os Î 17 bilhões que estarão sendo investidos para reforçar os centros de pesquisa brasileiros, com ênfase no Sul e Sudeste, mas com um pedacinho desse bolo sendo reservado para Pernambuco, Paraíba e Bahia. Isso deve refletir dee forma positiva em todos os estados envolvidos mas, em especial, em Pernambuco, cuja economia é das menos inseridas internacionalmente. E esse é um grande desafio que o Estado tem pela frente: o de se colocar novamente no mundo dos negócios.


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