Retrospectiva – Edição 86 de Julho/Agosto de 2004
A Vanguarda Tecnológica
II Simtec destaca definitivamente Piracicaba como centro de excelência canavieira e se firma como um dos grandes eventos para o setor sucroalcooleiro; negociações dobram a previsão inicial.

Vista aérea do Simtec 2004: dobro do espaço usado na primeira edição

No ano passado, quando um grupo de empresários liderados pelo Simespi propôs a realização de um evento voltado para o setor sucroalcooleiro em Piracicaba, a primeira empresa a apoiar a iniciativa e garantir a participação no Simtec foi a SOS Álcool em parceria com a Exal. Durante a feira de 2003, a empresa recebeu a visita de executivos do grupo mexicano Zucarmex, que, após um ano de negociações, voltou à segunda edição para oficializar a compra de uma destilaria de álcool fino com capacidade nominal de 60 mil litros/dia.

A SOS Álcool/Exal exporta equipamentos há 20 anos e já vendeu unidades para Paquistão, Austrália, além de vários países da América Latina. O México, que tem 57 usinas, ainda era um mercado inexplorado. “A Zucarmex tinha propostas da Europa e da Ásia, mas optou pela tecnologia brasileira, devido a nossa qualidade e atendimento”, afirma o diretor comercial da empresa brasileira, Rodney Roston. O negócio, avaliado em US$ 500 mil, ainda pode ser dobrado com a aquisição de outras máquinas associadas ao projeto principal.

Números como esses ajudaram o Simtec a alcançar o surpreendente índice de R$ 200 milhões em negociações – as previsões da organização apontavam para metade deste montante antes do evento começar. “Esta edição superou todas as nossas expectativas. Os contatos firmados também deverão gerar negócios de R$ 1,5 bilhão para a região de Piracicaba nos próximos quatro anos”, confessa o empresário José de Jesus Vaz, coordenador geral do Simpósio.

Para atingir este resultado favorável, o Simtec se aproveitou do bom desempenho do Balcão de Negócios da Coplacana, que comercializou R$ 15 milhões em insumos agrícolas modernos, como fertilizantes e defensivos. Grande novidade desta edição, o Pavilhão Sebrae, que facilita a participação de pequenas empresas, ainda fechou negócios da ordem de R$ 400 mil.

Contribuíram também bom momento vivido pelo setor sucroalcooleiro e o anúncio de apoio do governo à cadeia produtiva da cana. Durante o evento, o presidente do BNDES, Carlos Lessa, revelou a disposição de recursos do Banco para projetos envolvendo a produção de biocombustíveis. Além disso, houve o anúncio da recomendação da Europa em um corte de 80% nos subsídios praticados ao açúcar. “Isso mostrou que estamos no caminho certo. É como se fosse uma cereja no bolo”, compara Vaz.

A presença do ministro da Agricultura no encerramento da Feira conferiu prestígio ao Simtec. Roberto Rodrigues divulgou que as pesquisas brasileiras em biocombustíveis (etanol e biodiesel) e energias renováveis vão receber investimentos de US$ 600 milhões. Deste valor, 50% serão custeados pela instituição japonesa Nedo (National Energy Development Organization) – a outra metade caberá ao governo brasileiro.

Outra participação importante foi do Secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Carlos Gastaldoni, que abriu o Simtec. Para ele, o evento tem grande importância para o mercado sucroalcooleiro nacional, pois ajuda a fortalecer a ligação entre a iniciativa privada e o governo, facilitando o desenvolvimento do setor no país. “Para mantermos nossa posição no cenário mundial, teremos de continuar a investir em tecnologia”, disse.

As duas informações e a visita de autoridades foram atrativos a mais para os 140 expositores – em 2003, haviam sido 72 empresas – e mais de 15 mil visitantes. Para abrigar a crescente demanda, a área disponível para estandes aumentou de 4 mil m2 para 6,5 mil m2. “É com orgulho que acompanhamos o crescimento do Simtec, que este ano provou ser uma grande vitrine internacional”, acredita Roston.

Visitação estrangeira

Além da comitiva mexicana da Zucarmex, estiveram em Piracicaba para comprar equipamentos, além de acompanhar novidades tecnológicas, profissionais de 20 países. O evento recebeu visitantes da Bélgica, Holanda, México, Colômbia, Cuba, Alemanha e França, entre outros. “Fiz grandes contatos com representantes cubanos, com grandes perspectivas de negócios. Cheguei até a conhecer um diretor de uma empresa do Egito”, comenta o gerente comercial da Woodward, André Coutinho.

Uma comitiva da Venezuela e de Cuba, liderada pelo Secretário da Presidência da Venezuela, Richard Viva, e pelo Cônsul de Cuba, Rafael Rivacoba, veio ao Simtec 2004 para adquirir equipamentos e discutir o projeto de uma usina do setor sucroalcooleiro que deverá começar a operar na Venezuela até dezembro de 2005, com capacidade de moagem de 7 mil toneladas/dia de cana-de-açúcar.

A usina terá base na cidade de Sabaneta e será totalmente equipada com máquinas brasileiras (há três consórcios nacionais na concorrência) e terá auxílio de assessores técnicos de Cuba. Orçado em US$ 150 milhões, o empreendimento será bancado pela PDVSA. Durante o Simtec, o grupo começou também a realizar as compras de tratores e colheitadeiras para a parte agrícola da usina.

Vice-diretor e co-proprietário da empresa Ipro Industrieprojekt Gmbh, especializada na área de consultoria de projetos em usinas de açúcar, o alemão Pedro Avram visitou a primeira edição do evento em 2003 e ficou surpreso ao chegar ao parque de exposições montado no Engenho Central. “Fiquei surpreso com o aumento dos expositores e da estrutura da feira”, confirmou.

A evolução do Simtec também foi observada pelo empresário Carlos Roberto Xavier, diretor-superintendente da Dulcini, que também esteve em Piracicaba no ano passado. “A feira está melhor estruturada, cresceu. A minha visita compensou porque o açúcar representa 90% do custo do meu produto. Se as empresas fornecerem equipamentos para produzirem mais barato, melhor”, frisa.
Piracicaba em evidência

Além de cumprir a meta principal de estimular as exportações das empresas participantes, o Simtec também conseguiu oferecer destaque à cidade de Piracicaba, que já foi o maior centro canavieiro do Brasil e perdeu a liderança nacional em produção, mesmo se mantendo na frente em tecnologia. “O Simtec, desde o início, buscou resgatar a evidência de Piracicaba”, ratifica Vaz.

A partir de 1996, o setor sucroalcooleiro de Piracicaba passou por um movimento de resgate, que culminou com a realização da primeira edição do Simtec, no ano passado. “A produção de cana e as indústrias fornecedoras nunca enfraqueceram em Piracicaba, o que faltava era publicidade, divulgação da nossa força”, defende o empresário Hans Eckert, diretor do Ciesp-Piracicaba.

O prefeito municipal, José Machado, diz que através do Simtec, Piracicaba ganha mais força para colaborar com o desenvolvimento do Brasil. “Sempre fomos um pólo de tecnologia, mas nunca nos preocupamos em revelar para o mundo esta excelência. Conseguimos isso com este auspicioso evento”, garante.

O Simtec fortalece também o pólo industrial da cidade. “O evento atrai atenções para Piracicaba e proporciona o desenvolvimento sustentado das indústrias da região. Com isso, a cidade pode ajudar o Brasil a resolver um problema que assola o País: o desemprego”, entusiasma-se o presidente do Simespi, Tarcísio Ângelo Mascarim.

A idéia agora é aproveitar o sucesso do Simtec para consolidá-lo com ainda mais força no setor sucroalcooleiro nacional. “Houve uma aceitação muito grande do mercado canavieiro. Acredito que o Simtec deve se firmar como um evento de grande porte no setor”, comenta o organizador Matheus Berto.

LEIA MATÉRIA COMPLETA NA EDIÇÃO IMPRESSA
Na Edição Impressa

Atualidades
UNESP desenvolve novo combustível utilizando biodiesel

Retrospectiva
Simtec

E muito mais...