Retrospectiva Edição 88 de Novembro/Dezembro
de 2004
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Visitação de qualidade
e diversidade de contatos para negócios entre expositores
e participantes oferecem balanço animador para a I Sucroálcool
Nordeste
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| Waldir Freire, diretor da Valete Marketing
e Eventos: novos desafios daqui para a frente
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Fundada há 19 anos, especializada na fabricação
e reformas de sopradores de fuligem, a Herom, com sede principal em
Sertãozinho (SP), decidiu ampliar a sua participação
no mercado através da inauguração da primeira
filial da empresa, que deve ocorrer entre janeiro e fevereiro de 2005.
Escolheu Maceió (AL) para instalar o novo investimento. Acreditamos
no potencial da região no setor de açúcar e álcool,
o mercado é bastante promissor, argumenta o diretor da
Herom, Valdir Perin.
Rumo semelhante está tomando a SMV Válvulas Industriais,
que no início do próximo ano implanta uma unidade em
Recife (PE). Também estabelecida no interior de São
Paulo, em Rio das Pedras, município próximo à
Piracicaba, a empresa pretende oferecer assistência técnica
e estrutura de fábrica para os clientes do Nordeste.
Tanto a SMV quanto a Herom seguem os caminhos de outras empresas nascidas
no sul e sudeste do país, como a TGM Turbinas cuja primeira
filial completará em breve um ano em Maceió - buscam
no Nordeste novos nichos de mercado. O setor, em geral do açúcar
e do álcool, está em expansão no Brasil. O Nordeste
passa dia-a-dia a ser a nossa meta devido ao crescimento constante
nos últimos anos, justifica o diretor comercial da SMV,
Erfides Bortolazzo.
Com vocação exportadora, as usinas do Norte/Nordeste
estão de olho na promissora fatia de mercado que se abrirá
para o Brasil para os seus dois principais produtos, o açúcar,
que herdará o espaço deixado pela União Européia,
e principalmente o álcool, grande alternativa mundial renovável
para geração de energia limpa e substituição
do petróleo.
Abalado após o fim do Proálcool e sufocado por duas
trágicas secas, o setor sucroalcooleiro local está ressurgindo
com grande força. Nos últimos dois anos, a produção
de álcool cresceu 30% no Norte/Nordeste contra aumento de 27%
no Centro-Sul do país. No mesmo período, a produtividade
na região registra crescimento acumulado de 36,3% ante expansão
de 28% das usinas concentradas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Investindo maciçamente em pesquisas e novas tecnologias, o
setor sucroalcooleiro do Nordeste pretende atingir dentro de poucos
anos a produção de 70 milhões de toneladas de
cana. Os aportes sucroalcooleiros no Nordeste somaram, ao final da
última safra, cerca de R$ 300 milhões e a tendência
é de aumento para as próximas temporadas. O principal
desafio do segmento na região é confirmar a sua vocação
exportadora e conseguir a abertura de novos mercados no contexto internacional.
Quem parar em tecnologia vai ficar pra trás. É
preciso procurar, não só aqui, mas em outros países,
novas tecnologias para a gente poder ampliar e participar mais do
mercado interno e exportar com maior ênfase, confirma
o diretor executivo da usina Salgado e diretor do Sindaçúcar/PE,
José Queiroz.
I Sucroálcool Nordeste
O encontro entre os usineiros dispostos a investir em tecnologias
e as empresas decididas a oferecer produtos e serviços para
o setor sucroalcooleiro do Nordeste foi proporcionado pela realização
da I Sucroálcool Nordeste (Feira Internacional de Máquinas,
Produtos e Serviços para o Setor Sucroalcooleiro), promovida
em novembro de 2004 no Centro de Convenções de Pernambuco,
em Olinda.
Mais de 70 expositores levaram ao Nordeste as principais novidades
em máquinas e equipamentos e apresentaram as mais modernas
tecnologias para produção de açúcar, álcool,
cana e energia aos produtores e profissionais da região. A
qualidade da visitação ofereceu muitas oportunidades
de negócios durante os quatro dias do evento.
Além dos pernambucanos, a primeira edição da
feira atraiu profissionais de diversos Estados do Nordeste. Técnicos,
gerentes e até diretores de usinas e destilarias de Alagoas,
Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Piauí
marcaram presença na Sucroálcool NE o Norte do
país também esteve representado por visitantes do Pará
e do Tocantins. Os participantes eram profissionais interessados,
da área técnica. O nível de visitação
foi muito bom, confirma Perin.
Ao todo estiveram no evento quatro mil visitantes. Foi uma ótima
oportunidade para conhecermos as últimas tecnologias. Isso
é fundamental para nos mantermos competitivos no mercado em
relação ao Centro-Sul, disse o presidente do Grupo
EQM, proprietário de quatro usinas, Eduardo Queiroz Monteiro.
O público, além de conhecer novas tecnologias e equipamentos
consagrados de 70 expositores, também aproveitou a presença
na Feira para trocar informações e prospectar novos
negócios. Investir em tecnologia hoje é primordial,
quem não se moderniza fica para trás. Viemos para a
Sucroálcool dar andamento em muitos negócios,
adiantou o assessor da diretoria do Grupo João Lyra, Francisco
Celestino.
Como muitas vendas se concretizarão após o período
da Feira, possivelmente na entressafra do processo nordestino, prevista
entre fevereiro e julho de 2005, a organização ainda
não divulgou os números finais de negociações,
mas, baseada em depoimentos de expositores, acredita-se que a estimativa
anterior de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões
possa ser alcançada.
A Feira surpreendeu pela qualidade e proporcionou contatos prósperos
entre visitantes e expositores, o que anima as perspectivas. Tínhamos
dificuldade de atingir algumas usinas do Nordeste e através
do evento conseguimos vários contatos extremamente interessantes.
Foi uma gratíssima surpresa, faço um balanço
bastante significativo, afiança o diretor comercial da
empresa TJA, de Pontal (SP), Laércio Morello.
Discussões técnicas
Quem visitou a I Sucroálcool Nordeste também pôde
participar de dois eventos paralelos: o IV Encontro Técnico
SucroAlcooleiro, e o 4º Simpósio de Matéria-Prima,
realizado pela Stab Regional Setentrional. Aqui no Nordeste,
como precisamos saber mais detalhes sobre algumas tecnologias, feiras
com palestras são muito importantes, afirmou o representante
da usina Irmãos Leão, Alexandre Medeiros.
Durante o IV Encontro Técnico SucroAlcooleiro, alguns expositores
apresentaram palestras técnicas sobre tecnologias e serviços
aos visitantes da Feira. Já o 4º Simpósio de Matéria-Prima
demonstrou métodos para aumentar a qualidade da cana colhida,
com possibilidade de ampliar os rendimentos industriais e reduzir
as impurezas no produto final.
Após a realização da primeira edição,
a Feira pretende se consolidar como principal cenário de discussões
e maior exposição e encontro de negócios do setor
canavieiro no Nordeste. A Região Nordeste carecia de
uma feira como esta e os clientes da região estavam realmente
desamparados tendo em vista que as grandes feiras do setor estavam
concentradas na região Centro-Sul, disse o representante
do departamento comercial da Woodward, Ronaldo Silva.
Além de promover o intercâmbio de informações
e facilitar novos negócios, a Feira também cumpriu um
de seus principais objetivos: contribuir para o desenvolvimento do
setor no Norte/Nordeste. É desnecessário dizer
a importância, oportunidade e conveniência estratégica
que é a realização deste evento. É uma
iniciativa que devemos louvar, discursou o secretário-geral
da Unida, Gregório Maranhão.
A II Sucroálcool já está com a data marcada e
será realizada de 22 a 25 de novembro de 2005, em Maceió.
Se o mercado sucroalcooleiro continuar aquecido, temos desde
já muitas perspectivas de crescimento para o evento no próximo
ano. Queremos nos estabelecer , acredita o diretor da promotora
Valete Marketing e Eventos, Waldir Rodrigues Freire.
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| IV Encontro Técnico SucroAlcooleiro detalha
tecnologias apresentadas na Feira
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| Olivério, da Dedini: lançamento
de proposta inovadora na Sucroálcool NE
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A Mostra de equipamentos não foi a única
atração aos visitantes da I Sucroálcool Nordeste.
Os participantes também puderam obter explanações
técnicas mais detalhadas sobre os produtos apresentados na
Feira através das palestras previstas pelo programa do IV Encontro
Técnico SucroAlcooleiro.
Durante o evento simultâneo, promovido em um auditório
instalado dentro do Centro de Convenções, alguns expositores
(Dedini, TGM Turbinas, TJA, WOG, DNV, Auteq, Coremal, Tecniplas) apresentaram
abordagens sobre manutenção estratégica, aumento
da moagem com aplicação de redutor planetário,
mercado de carbono e certificação, succionador de caldo,
separador de arraste, entre outros.
As palestras escolhidas para integrar o evento foram selecionadas
de acordo com critérios de interesse para os profissionais
do setor, justifica o diretor da Valete Eventos, Waldir Freire.
Uma das palestras mais concorridas foi a administrada pelo vice-presidente
de operações da Dedini, José Luiz Olivério,
que lançou no evento a proposta de transformar as usinas de
açúcar e álcool em unidades produtoras de energia,
combustíveis e alimentos, por meio da integração
das cadeias produtivas de grãos e cana-de-açúcar.
Seria a integração álcool-biodiesel. Contemplaríamos
todos os processos dentro de uma usina, da agricultura à indústria.
A empresa sugere transformar as usinas de açúcar e álcool
em unidades produtoras de energia, combustíveis e alimentos,
por meio da integração das cadeias produtivas de grãos
e cana-de-açúcar, o que contemplaria todos os processos,
da agricultura à indústria. Somos campeões
em álcool e oleaginosas. Se unirmos os dois, ninguém
nos segura, acredita Olivério.
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| Técnicos de usinas discutem qualidade da matéria-prima
durante Simpósio da Stab Setentrional
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O auditório montado dentro do Centro de Convenções
de Pernambuco também foi palco do IV Simpósio de Matéria-Prima,
promovido pela Stab Regional Setentrional. Com o tema Qualidade
da Matéria-Prima: Programa com Ganhos Reais, o ciclo
de palestras completou a programação paralela da I Sucroálcool
Nordeste.
O objetivo do evento foi apresentar novas tecnologias para aumentar
a qualidade da cana retirada no campo e processada na indústria,
com possibilidade de ampliar os rendimentos industriais e reduzir
expressivamente as impurezas no produto final. A concentração
de impurezas no produto final tem sido recorrente no Nordeste. Por
isso, decidimos abordar este tema, divulga o presidente da Stab
Setentrional, Djalma Simões Neto.
O problema é verificado principalmente nas operações
de corte, carregamento e transporte da matéria-prima do campo
até a usina. A redução de perdas e impurezas
na cana pode proporcionar aumento da quantidade de sacarose e de ATR
(Açúcar Total Recuperável) por tonelada moída
e diminuir o desgaste nos equipamentos na indústria.
O início de qualquer produto final é a usina ter
uma matéria-prima limpa, saudável. Cana limpa quer dizer
muitas coisas, não apenas só sem palha e terra. Tem
que ter variedade, carregamento, produção na indústria.
Acho que o tema foi muito importante, reconheceu o diretor executivo
da usina Salgado, José Queiroz.
Durante as palestras, foram demonstrados casos de sucessos em unidades
do Nordeste, além de discussão sobre novas possibilidades.
As apresentações são realizadas por técnicos
de usinas e consultores do setor sucroalcooleiro alguns, especialistas
do Centro-Sul do País. Cerca de 150 representantes de usinas
de todos os estados canavieiros do Nordeste participaram do evento.
Os temas das apresentações priorizaram métodos
inovadores de transporte e técnicas de laboratório capazes
de identificar os teores destas impurezas. Queremos descobrir
maneiras de levar à indústria uma cana muito mais limpa,
diz Djalma.
Além de metodologias de transporte, o evento debateu também
novas variedades de cana com maior potencial para a região,
envolvendo manejo varietal adequado à colheita. Mas é
preciso que todos compreendam que a qualidade da matéria-prima
não está envolvida apenas com o corte, começa
desde o plantio e todos os processos devem ser realizados de maneira
correta, concluiu o presidente da Stab Setentrional.
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| Em Maceió, II Sucroálcool trará
novidades e aumento de expositores
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| Wilson Ciríaco (no meio) em visita
à I Sucroálcool: Presente para o Nordeste.
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O próximo destino da Sucroálcool Nordeste
é Maceió. Com proposta de abranger os principais pólos
produtores da região, a Feira será anualmente intercalada
entre Pernambuco e Alagoas. A data e o local da segunda edição
do evento já foram confirmados: de 22 a 25 de novembro de 2005
no recém construído Centro Cultural e de Exposições,
que ainda passa por ajustes finais.
A II Sucroálcool Nordeste já foi oficialmente lançada
e conta com o apoio das principais representações do
setor sucroalcooleiro de Alagoas e o governo estadual, por meio das
Secretarias Executivas da Indústria, Comércio e Serviços,
da Cédula de Desenvolvimento Econômico e da Agricultura.
Cerca de 50% dos expositores já renovaram participação
para a Feira do ano que vem. As empresas TGM Turbinas, Topack, Herom,
RG Sertal, Tecniplas, TJA, Nadvic, Hidrosteel, SMV Válvulas
já garantiram presença na Sucroálcool 2005.
Hoje o segmento de açúcar e álcool no Norte e
Nordeste o maior foco realmente é Alagoas. É o estado
que tem a concentração maior de usinas, tem a topografia
importante para o segmento. Alagoas é muito importante para
este evento futuro, confirma o gerente regional N/NE da PTI
Falk, Ernani Araújo.
A organização prevê que na segunda edição
aumente o número de expositores. As primeiras estimativas apontam
para cerca de 150 empresas participantes. Outras mudanças também
serão realizadas na organização do evento. O
saldo da primeira edição é bastante positivo,
mas entramos em contato com os expositores e observamos alguns pontos
que podem ser melhorados. Buscaremos adotar as principais sugestões,
para que as empresas e os visitantes encontrem na Feira o melhor espaço
para trocarem informações e fecharem negócios,
anuncia o diretor da promotora, Valete Marketing e Eventos, Waldir
Freire.
Uma das alterações mais significativas deve ser a abertura
do espaço de exposições para empresas consumidoras
do produto final das usinas e para os responsáveis pela distribuição
final de açúcar e álcool. A sugestão partiu
do presidente do Sindaçúcar/PE, Renato Cunha. A
Feira pode ampliar o seu foco, não se restringindo apenas a
fornecedores do setor. Seria interessante se o evento associasse à
exposição de tecnologias, o comércio de tradings,
argumenta. |
| Renato Cunha, do Sindaçúcar/PE:
sugestão de aumento da abrangência comercial
da Feira
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A Valete Marketing e Eventos, promotora da Feira,
acolheu a idéia e já busca apoio de empresas que queiram
aproveitar esta oportunidade comercial inédita. Hoje
a feira cumpre um papel de dentro para fora, mas pode ser de fora
para dentro também. Assim completaremos todos os envolvidos
no processo de produção, distribuição
e consumo dos produtos do setor sucroalcooleiro, divulga Freire.
Expectativas
O anúncio do evento em Alagoas já está criando
expectativas favoráveis no Estado, que na safra 2004/05 colheu
28 milhões de toneladas de cana e produziu 2,5 de toneladas
de açúcar, além de 700 milhões de litros
de álcool. É fundamental unirmos Governo e iniciativa
privada para estimular esse empreendimento. De minha parte, disponho-me
a manter contato com os ministérios da Agricultura e Indústria
e Comércio, o que daria uma amplitude nacional ao evento,
prometeu o deputado federal José Thomaz Nonô.
O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária
de Alagoas (Faeal), Edílson Maia lembrou do crescimento da
capacidade produtiva da cana em Alagoas e parabenizou os organizadores
pela iniciativa de trazer a feira para Maceió. Fico feliz
em saber que existem pessoas que acreditam no potencial de Alagoas.
A Sucroálcool só pode ser um sucesso, elogiou.
O presidente da Associação dos Profissionais de Eletro
Eletrônica (Apreel), Wilson Ciríaco, que também
é engenheiro eletricista da usina Triunfo, foi conferir de
perto as novidades da I Sucroálcool, em Pernambuco e se animou
para a próxima edição, em Alagoas. As usinas
se sentem valorizadas. Em Maceió, a resposta será ainda
maior. Existiam feiras dos setores mecânico, construção
civil, arquitetura e por que não uma do setor sucroalcooleiro?
É um presente para o Nordeste, disse.
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