Especial II – Edição 90 de Março de 2005
Boa Terra
Governo da Bahia propõe projeto para transformar o estado em pólo sucroalcooleiro

Viana: carona nas perspectivas animadoras para o setor sucroalcooleiro
Em um empreendimento até então inédito no semi-árido da Bahia, a usina Mandacaru (Agrovale) iniciou há 20 anos atividades de cultivo de cana-de-açúcar utilizando tecnologias de irrigação para desenvolver a cultura em uma região carente de chuvas. No princípio do projeto, os canaviais da unidade ocupavam 9 mil hectares. Hoje, contra vários prognósticos contrários, além de ter conseguido equivaler os níveis de produtividade aos verificados no Centro-Sul do país, a Mandacaru ampliou a área plantada para 15 mil hectares.

O exemplo da Mandacaru é o principal argumento da campanha que o governo da Bahia está encampando para transformar o estado num dos maiores pólos sucroalcooleiros nacionais. “Diante dos resultados já observados com a tecnologia de irrigação e da sede mundial pelo álcool e pelo açúcar do Brasil, nós nos apresentamos para quem quiser investir em novas usinas”, destaca o superintendente do agronegócio da Seagri (Secretaria de Agricultura da Bahia), João Aurélio Viana.

A Seagri pesquisa a viabilidade do projeto há três anos e baseia a possibilidade de estender a produção de cana no estado em mais 100 mil hectares no potencial de recursos hídricos da região de Juazeiro, que detém cerca de 47% da bacia do São Francisco – hoje a Bahia possui cana plantada em 31 mil hectares.

Além do potencial hídrico, Viana defende que a Bahia possui plenas condições de clima e solo para o desenvolvimento da cultura. Essas características, garante, associadas à infra-estrutura logística existente no semi-árido tornam a região uma das áreas mais promissoras do Brasil para o desenvolvimento da atividade sucroalcooleira.

O governo baiano pretende atrair investidores interessados em implantar usinas de açúcar e álcool no estado e promete estudar possíveis benefícios para a instalação das empresas. “Não temos nada previamente definido, mas vamos conversar com os empresários para conhecer as demandas e procurar oferecer as condições requisitadas”, afirma Viana.

Vários investidores, principalmente do Centro-Sul do Brasil, revela o superintendente da Seagri, já marcaram visitas ao estado para conhecer melhor o projeto. Os empresários vão conferir de perto as vantagens comparativas apresentadas pelo governo da Bahia. “O principal argumento contrário é o custo da irrigação, mas asseguramos que este gasto é absorvido por outras melhorias”.

As tecnologias de irrigação oferecem ao semi-árido uma produtividade de 100 toneladas por hectare, índice 20% superior aos verificados no Centro-Sul. O potencial da região também fica evidente quando se compara os níveis de rendimento industrial: 120 kg de açúcar por tonelada de cana contra a média de 115kg/t da principal região nacional.
Com estes dados na mesa, a Seagri busca atrair a construção de mais cinco usinas para o estado – hoje existem apenas três em funcionamento -, que gerariam mais de 22 mil empregos diretos. O projeto é dimensionado a curto prazo. Hoje, a cana ocupa o oitavo lugar entre as principais lavouras do estado, com 3,5% de participação no cenário agrícola da Bahia. “Aumentar este índice significa mais empregos. Por isso, temos pressa. Mas sempre com responsabilidade”, observa Viana.
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