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Edição 91 de Abril de 2005
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Leque de opções
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| Demanda por cultivares de cana simpáticas
à colheita mecanizada cresce nos institutos de melhoramento
genético; falta de tipos adaptáveis ao corte mecânico
pode ser empecilho para a atividade no futuro. |
| Máquina opera em canavial brasileiro:
25% da produção nacional passam pelo corte mecânico |
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A usina Santa Cruz, de Américo Brasiliense
(SP), dedica anualmente entre 10% e 20% da sua área agrícola
ao plantio e testes de novas cultivares de cana. Neste espaço
de competição de variedades, a unidade mantém
clones que passam por avaliações de adaptação
à clima, solo e comportamento diante da colheita mecanizada.
Se reprovada neste último quesito, a cana é imediatamente
rejeitada e nem vive as fases de multiplicação ou aquisição
das 3.060.000 toneladas processadas na safra passada, 45% foram
cortadas por máquinas. Vamos aumentar este índice
de mecanização gradualmente e precisamos investir em
variedades que favoreçam a prática, explica o
gerente agrícola da usina, Márcio Antônio Nono.
Às opções que já dispõe, a Santa
Cruz poderá incorporar em breve pelo menos mais seis novas
cultivares com características suscetíveis à
mecanização. O CTC (Centro de Tecnologia Canavieira)
lançou no início de abril cinco variedades, todas adaptáveis
ao corte mecânico. Uma delas, a CTC 3, propicia as melhores
condições, destaca o pesquisador William Lee Burnquist,
coordenador do Programa de Melhoramento Genético da entidade.
O IAC (Instituto Agronômico de Campinas) promete disponibilizar
no mercado em outubro próximo um pacote com quatro novas variedades,
das quais sublinha uma cultivar, a IAC-SP 94-2094, com propriedades
que prestigiam a colheita de cana crua. Hoje a preocupação
maior é com desenvolvimento de máquinas colhedoras,
mas no futuro o crescimento do corte mecânico vai depender também
da capacidade da cana de aderir à mecanização,
defende o diretor agrícola do Grupo Coinbra Cresciumal, João
Fernando Tavares.
Quando observam uma variedade apta à mecanização,
as usinas cobiçam principalmente tipos com porte ereto e despalha
fácil, boa brotação de soqueira, vigoroso enraizamento,
fibra alta. Os colmos uniformes e não friáveis também
são propriedades desejadas. Tem que ser flexível.
Existem variedades que quebram a cana quando o rolo defletor da colhedora
entra em contato com a planta antes de ser cortada pela faca,
detalha o pesquisador Roberto Cunha Mello, do Centro de Engenharia
e Mecanização do IAC.
Cultivares que reúnem tais qualidades - e consiguem oferecer
uma produtividade média de 100 toneladas por hectare - atualmente
não são encontradas com facilidade no Brasil. As
variedades mais usadas hoje foram desenvolvidas há algum tempo
atrás, quando não havia esta preocupação
com mecanização, pondera Nono. |
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Escalada da mecanização
A colheita manual, que, conforme afirmou Nono, predominava em 85%
da área plantada de cana no Brasil há 10 anos, vem perdendo
espaço para a mecanização safra-a-safra. Na temporada
2004/05, 25% das 380 milhões de milhões de toneladas
de cana moídas no país chegaram às usinas após
terem sido colhidas mecanicamente hoje, cerca de 38% da área
brasileira de cana mecanizável já é ocupada por
máquinas.
Responsável pela produção de 230 milhões
de toneladas de cana, quase dois terços do montante nacional,
São Paulo viu a colheita mecanizada subir de 25% para 35% desde
o ano 2000 no Estado, que concentra também, na região
oeste paulista, um boom de novas usinas cerca de 30 até
2010.
As unidades recém-implantadas devem adotar o processo 100%
mecanizado desde o início das atividades. Na safra que acaba
de começar, estão nos canaviais nacionais mais 140 novas
colhedoras quase 1000 modelos operam hoje no Brasil, de acordo
com as empresas fornecedoras.
Além da imposição da legislação
paulista, a falta de colaboradores disponíveis para um serviço
extremamente sacrificante e o alto custo da mão-de-obra são
impulsionadores diretos da mecanização. Dados do Grupo
de Motomecanização do setor sucroalcooleiro indicam
que o custo por tonelada do corte manual pode ser, em alguns pontos
do Estado, mais oneroso em relação ao mecanizado. Na
região Sul, próximo ao Paraná, esta diferença
chega a R$ 1,50/tonelada.
Embora este custo aparente ser mais vantajoso, a produtividade final
dos processos ainda é difusa. Enquanto a mecanização
chega a apresentar perdas de até 15%, este índice não
ultrapassa 5% quando o trabalho é realizado por um cortador
profissional. Além do ajuste de máquinas e da
sistematização do canavial, a disponibilidade de variedades
adaptáveis pode ajudar o setor a reduzir este volume de perdas,
acredita o gerente agrícola da Santa Cruz.
Contribuição científica
Perguntado se uma variedade adaptada à colheita mecanizada
pode diminuir as perdas ainda freqüentes com este procedimento,
o gerente de motomecanização da usina São João,
Humberto Carrara Neto, responde prontamente: Sem dúvida
que sim. Para ele, a cultivar adequada pode reduzir quebras
dos toletes e estilhaçamento, tornar a soqueira menos suscetível
à queda de produtividade por danos mecânicos, e diminuir
a perda por pisoteio, além de facilitar a limpeza da matéria-prima.
Dentro dos laboratórios de pesquisa e melhoramento genético,
como faz questão de reconhecer o ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues, foi fecundada grande parte da competitividade brasileira
no campo sucroalcooleiro. Os pais precisam agora criar este filho
prodígio e alimentá-lo com novas descobertas. Uma das
maiores demandas é o desenvolvimento de variedades adaptáveis
à colheita mecanizada.
Burnquist conta que atualmente todas as avaliações de
variedades já consideram sua aptidão para a colheita
mecanizada. Os estudos verificam o nível de perdas e quebra
da cana. Hoje não é uma característica
que elimina o lançamento comercial de uma variedade, mas se
nós não nos preocupássemos com isso, perderíamos
o nosso emprego. Há uma pressão cada vez maior nesse
sentido.
Embora testadas nos principais Estados produtores de cana do Brasil,
algumas variedades já exigem estudo específico, sobretudo
por demandarem, além de propriedades especiais para a mecanização,
condições genéticas favoráveis a climas
e solos incomuns.
Estas pesquisas são executadas em áreas consideradas
novas fronteiras de cana, como o cerrado brasileiro. O CTC mantém
em Goainésia (GO), na usina Jalles Machado, que já colhe
mecanicamente 50% da sua produção, um centro de testes
de variedades. Assim, teremos mais possibilidade de encontrar
uma cultivar mais adaptada a aquela região, informa Burnquist.
Outros locais que recebem direcionamento mais especial dos estudos
são o Oeste do Estado de São Paulo e o Triângulo
Mineiro.
Sistematização
Ainda que variedades perfeitas para o corte mecanizado sejam desenvolvidas
nestas regiões, o sucesso da operação não
está garantido. Embora assumam a responsabilidade de contribuir
para a melhoria do procedimento por meio de estudos científicos,
os pesquisadores alertam que outros fatores podem influenciar no bom
resultado da mecanização. A máquina precisa
estar bem ajustada e é imprescindível um trabalho anterior
de preparação para a mecanização,
argumenta o pesquisador da UFPR/Ridesa, Edelclaiton Daros.
Burnquist, do CTC, reforça a tese. Segundo o pesquisador, os
institutos melhoram a genética, mas as usinas precisam qualificar
o ambiente de produção. Se eu tiver uma genética
fenomenal, mas não tiver uma máquina bem ajustada e
uma sistematização adequada, perde-se toda a vantagem
ganha com a ciência.
Hoje, o sucesso de sistemas mecanizados de colheita, numa escala de
importância, requisita acima de tudo um bom gerenciamento e
uma adequada sistematização dos talhões, operação
que ainda requer uma difusão maior no setor. Como o corte
manual ainda predomina, essa preocupação ainda é
secundária. Em outras culturas, como as de grãos, a
sistematização é palavra de ordem, observa
o especialista de marketing do produto da Case IH, Leonardo Barbieri.
O corte mecânico deve ser, segundo recomenda o pesquisador Tomaz
Caetano Ripoli, professor titular da Esalq-USP, precedido de formatação
do solo, eliminação de pedras, extinção
de sulcos mortos, menor desnível no sulco entre a fileira de
plantio e espaçamento mínimo de 1,40 m entre fileiras.
As perdas registradas na colheita mecanizada da usina São João,
safra 2004/2005, foram de três toneladas por hectare. Nas
áreas de primeiro corte, a unidade realiza a operação
de quebra-lombo para o nivelamento da entre
linha.Esta operação de sistematização
é fundamental para a redução das perdas e
diminuição do índice de impureza mineral,
além de um bom nivelamento do terreno na hora do preparo do
solo, revela Carrara Neto.
A evolução de variedades adaptadas ao corte mecânico,
considerada fundamental para o desenvolvimento sustentável
da atividade, ainda está se iniciando e renderá louros
no futuro. Por enquanto, o desenvolvimento da colheita mecanizada,
que tem se mostrado veloz, depende prioritariamente de ações
promovidas pelas próprias usinas. Requer acima de tudo
um bom gerenciamento: sub-sistema de colheita, sub-sistema de transbordo/transporte
e subsistema de recepção. Além de adequado treinamento
dos operadores das colhedoras e das unidades de transbordo,
conclui Ripoli. |
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