Edição 91 de Abril de 2005
Seca e recorde de exportação contrastam início do ano agrícola
Canavial na região de Araçatuba: avanço sobre as pastagens
sol quente e o verão demasiadamente seco, ingredientes típicos de um país tropical, prejudicaram neste início de ano parte do Brasil que mais dá certo atualmente, o setor agrícola. Além da seca gigantesca que quebrou principalmente as safras de soja e de milho, os custos de produção se mantiveram altos e os preços de comercialização baixos.
Quando informou o terceiro prognóstico de safra para 2005, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) fez uma previsão de 134,906 milhões de toneladas. Em abril de 2005, passado os transtornos naturais, a entidade revisa a sua estimativa, agora avaliada em 119,488 milhões de toneladas – um prejuízo de 15,5 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, a seca, considerada a que mais castigou o Estado nos últimos 40 anos, determinou quebras acima de 80% nas produções de soja e milho. O ministério da Agricultura já prevê uma safra de grãos reduzida para 2005. Segundo o Mapa, a estiagem diminuirá de 131 milhões de toneladas para 120 milhões de toneladas a produção deste ano.

Em contraste com este panorama de crise, os produtos agrícolas embarcados para o exterior nos primeiros três meses do ano trouxeram para o país US$ 8,788 bilhões, um volume recorde, superior 12,1% em comparação aos US$ 7,838 bilhões comercializados com o exterior no primeiro trimestre de 2004. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, a balança comercial do agronegócio brasileiro registrou US$ 7,566 bilhões no primeiro trimestre, índice 14,2% superior a 2004, quando o trimestre foi finalizado com US$ 6,622 bilhões. “Apesar dos problemas climáticos, principalmente a estiagem na Região Centro-Sul, o agronegócio continua com desempenho positivo no comércio exterior”, divulgou o Mapa.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, definiu recentemente em Piracicaba, durante o lançamento das primeiras variedades de cana do novo Centro de Tecnologia Canavieira, a agricultura como uma atividade solene. “O agronegócio vive na dicotomia entre a agonia e o êxtase. Essa relação é ao mesmo tempo trágica e bela”, disse.

Para o secretário de agricultura, pecuária e abastecimento do Estado de São Paulo, Duarte Nogueira, que também é presidente do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o setor agrícola deve agir na direção da racionalidade, porque sabe orientar as suas atividades.

O secretário indica que é possível superar as dificuldades com o fortalecimento de relações. Para Nogueira, é preciso que os produtores entendam que na cadeia de produção ninguém vai sobreviver se um quiser faturar mais que o outro. “Precisamos fortalecer todos os elos desta cadeia produtiva e que ela continue a ser essa grande bola de propulsão da balança comercial brasileira, dos nossos saltos recordes de exportação, gerando emprego, gerando renda e promovendo o desenvolvimento”, discursou durante a Agrishow Comigo.

Na mesma Feira, o economista José Roberto Mendonça de Barros, defendeu que o Brasil, sem subsídios, é o mais competitivo dos países do mundo quando o assunto é agronegócios. “Temos os melhores preços em açúcar, café e carne vermelha do mundo sem subsídios e estamos aprendendo rápido a agregar valor aos nossos produtos”, afirmou o economista.

Para o economista, o Brasil precisa se organizar porque a Europa e os Estados Unidos já estão atentos à competitividade nacional. Barros defende que o país precisa adotar urgentemente uma política agrícola coordenada que o ofereça condições para manter a liderança mundial em agronegócios..
Causas da crise
1 – Seca e estiagem, principalmente no Sul do país
2 – Queda do dólar e valorização do real
3 – Elevação dos preços do aço (utilizado para fabricação
       de máquinas agrícolas)
4 – Declínio no valor das commodities
5 – Super oferta de grãos no mundo

Mesmo com estiagem, safra em SP cresce e chega a 7,85 milhões de toneladas
Sede da mais tradicional edição da Agrishow, a de Ribeirão Preto, o Estado de São Paulo terá, mesmo enfrentando problemas de estiagem, uma safra agrícola referente ao período 2004/05 insuflada em 8,9% na comparação com a temporada anterior. A produção local deve atingir, de acordo com Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, 7,85 milhões de toneladas.

O secretário de Agricultura, Duarte Nogueira, atribui o crescimento ao aumento de 60 mil hectares na área cultivada no Estado, que hoje ocupa 2,28 milhões de hectares – a anterior era de 2,22 milhões de hectares. Embora os números gerais demonstrem crescimento, haverá desempenhos negativos. O caso mais notório, estima Nogueira, deve ser o feijão das águas, prejudicado peque queda de 20% na área plantada, que atualmente alcança 61 mil hectares, onde serão colhidas 92,37 mil toneladas.

A soja, por outro lado, tem estimativa de alta da produção em 15,4%, produtividade em 9,1% e área em 5,7%. O volume final previsto, de 2 milhões de toneladas, é considerado extraordinário pelo secretário Nogueira. “Principalmente porque tradicionalmente não cultivávamos o grão”.

O principal destaque, porém, para o secretário, é o algodão, cuja previsão de produção indica 293,10 mil toneladas – volume 35,6% maior ao da safra anterior. O acréscimo se dará devido ao aumento de 29% da área plantada – hoje de 112,64 mil hectares.

Cana-de-açúcar

O maior Estado brasileiro produtor de cana-de-açúcar – que já começa a safra 2005/06 – São Paulo estima uma colheita de 244,3 milhões de toneladas, o que representaria aumento de 1,1% em relação ao ciclo anterior. A cana já ocupa 3,45 milhões dos 18 milhões de hectares que o Estado possui de área agricultável – em 10 milhões há pastagem.

Mas este panorama deve ser alterado em breve. As pastagens perderão espaços para culturas que oferecem retorno financeiros a curto prazo. Além da cana, se inserem neste contexto a laranja e a produção de grãos. Para Nogueira, os pecuaristas não levarão prejuízos, já que hoje aproveitam melhor os pastos.

Segundo estudo da Embrapa divulgado recentemente, a cana-de-açúcar já está invadindo a área de grãos e pastagem em São Paulo. O estudo “Uso e Cobertura de Terras” foi realizado pela Embrapa Monitoramento por Satélite em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto (ABAG-RP).

A pesquisa revela que a área plantada com cana-de-açúcar cresceu 72,9% em 86 municípios das regiões Centro, Norte e Nordeste do Estado de São Paulo, e aumentou de 10,58 mil para 18,29 mil quadrados no período de 15 anos, entre 1988 e 2003.
Previsão safra em SP
Feijão das águas - 92,37 mil toneladas
Soja - 2 milhões de toneladas
Milho - 3,8 milhões de toneladas
Algodão - 293,10 mil toneladas
Arroz - 100,2 mil toneladas
Cana-de-açúcar - 244,3 milhões de toneladas

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