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Edição 92 de Maio de 2005
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Made in Brazil
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| Vedetes de mercado na Europa e nos Estados
Unidos, os pneus radiais agrícolas ganham fabricação
no Brasil e já despontam como grande tendência no futuro
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| Pneu radial produzido no Brasil: mercado
nacional ainda é de apenas 4% |
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O lançamento oficial da linha DT 806 Optitrac,
previsto para agosto, transformará a Goodyear na primeira fornecedora
de pneus agrícolas da América Latina a produzir no Brasil
modelos radiais. Apostando em uma tendência com números
ainda inexpressivos no país, mas com grandes perspectivas de
crescimento, a empresa investiu US$ 4,5 milhões em equipamentos,
desenvolvimento e testes para implantar na sua indústria instalada
em São Paulo uma linha de produção exclusiva
para a tecnologia, pneus até hoje apenas importados de outros
países.
Além de estimular o uso no Brasil, a Goodyear pretende com
o empreendimento estabelecer a fábrica de São Paulo
como uma plataforma de exportação dos radiais agrícolas
para a América Latina. A empresa também já planeja
incrementar de 3% para 5% a participação dos modelos
voltados para utilização no campo no faturamento global
do grupo os valores não foram informados. A principal
tendência para o mercado agrícola são os radiais.
O mercado está pedindo esse tipo de pneu, explica o gerente
de Marketing e Vendas de Pneus Agrícolas da Goodyear, José
Carlos Moreno.
Desenvolvidos pioneiramente em 1946, os pneus radiais hoje são
peças comuns, incorporadas a veículos de passeio, aviões
e até em carros de competições automobilísticas
presente inclusive na categoria máxima do esporte, a
Fórmula 1. A tecnologia agrícola é um pouco mais
recente e surgiu na Europa 1971 dois anos depois foi lançada
nos Estados Unidos.
Apresentando crescimento contínuo, os pneus radiais agrícolas
alcançam atualmente 90% do mercado europeu e respondem por
40% do ambiente comercial norte-americano. No Brasil, a exemplo do
que já ocorrera anteriormente com os modelos de carga rodoviário,
a participação dos radiais começou discreta há
aproximadamente sete anos e ganhou espaço aos poucos, multiplicado
principalmente pelos resultados dos usuários pioneiros. Hoje,
já representam 4% dos equipamentos agrícolas utilizados
internamente.
O pneu é o único elemento entre o trator e o solo, responsável,
portanto, em converter a força do motor em potência de
tração. O produto deve também contribuir para
a proteção do solo e evitar problemas no cultivo agrícola.
Mas o produtor nacional nunca questionou a importância
do pneu. Como só agora está atento a estes fatores,
os radiais surgem como boa opção, argumenta o
responsável pela conta de Grandes Frotas Agrícolas da
Michelin Brasil, Mauro Oliveira.
A outros dois fatores se atribui o atraso tecnológico do Brasil
em relação à Europa e à América
do Norte. Mesmo fabricado aqui, o radial apresentará custo
inicial 50% superior ao diagonal. Antes importado, o valor de compra
do produto era bastante elevado.
Indicado para tratores de maior potência, acima de 100 hp, o
pneu tinha pouco espaço internamente, onde as máquinas
de pequeno e médio porte predominavam absolutamente. Há
sete anos, a venda de tratores com potência elevada representava
7%. Hoje, já corresponde a 45% das máquinas locais,
justifica Moreno.
Com a evolução, o especialista da Goodyear estima que
o índice de radialização da frota agrícola
nacional atinja 15% em 2008. Baseia a previsão nas vantagens
comparativas entre os diagonais e os radiais da linha, que, apresentados
recentemente ao público durante a Agrishow Ribeirão
Preto, foram testados em solos brasileiros.
As análises foram realizadas diretamente por consumidores e
grandes frotistas agrícolas, por meio de ensaios encomendados
ao IAC (Instituto Agronômico de Campinas) e ao Núcleo
de Ensaio de Máquinas e Pneus Agrícolas da Faculdade
de Ciências Agronômicas da Unesp (Universidade Estadual
Paulista), campus Botucatu.
A Unesp promoveu ensaios estáticos comparativos entre os convencionais
e os radiais as análises observaram o desempenho dos
modelos tanto na parte da frente como na traseira do trator. Os pneus
foram testados em duas situações de solos opostos: argiloso
e pouco argiloso; úmido e seco.
Área de contato com o solo, deformação dos pneus
após uso, pressão no terreno e compactação
foram as características verificadas e confrontadas pelos testes
da Universidade. Em todos os quesitos, os resultados foram mais
favoráveis ao pneus radial, comenta o professor doutor
Kleber Lanças, que comandou as pesquisas.
Outra empresa que comercializa pneus radiais, a Michelin, também
encomendou testes sobre o produto. O Centro Apta de Engenharia e Automação
de Campinas avaliou a aplicação dos modelos agrícolas
em um trator de 170 cv. Os parâmetros avaliados velocidade
de deslocamento (km/h), potência na barra (kW) e patinagem (%)
ofereceram respaldo ao radial, nas seguintes proporções
respectivamente: + 7,7%, + 8,6%, - 28,8%. |
| Uso do pneu de alta flutuação cresce
no setor sucroalcooleiro |
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Se na Agrishow 2005, a grande novidade da Goodyear
foi o anúncio da linha de pneus radiais, no ano passado a empresa
destacou na Feira a linha Superflot, de modelos de alta flutuação.
A aceitação desta linha foi fantástica,
principalmente pelo setor canaveiro, comenta o gerente de Marketing
e Vendas de Pneus Agrícolas, José Carlos Moreno.
O crescimento do uso de pneus de alta flutuação está
diretamente relacionado ao avanço da colheita mecanizada de
cana no Brasil, que responde por 25% do corte de matéria-prima
do país. Por ser uma atividade que demanda trânsito de
máquinas no canavial, a mecanização demanda pneus
de baixa calibragem.
A área de contato do pneu exerce uma força grande sobre
o terreno, calcula em função do peso do veículo
por centímetro quadrado do solo. Esta pressão é
mãe de um dos inimigos mais ferrenhos dos canaviais, a compactação.
Por terem maior área de contato com o solo, os pneus de alta
flutuação proporcionam melhor distribuição
da carga. |
| Moreno: aumento da capacidade produtiva |
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Além de reduzir a compactação
do solo, o equipamento de alta flutuação ainda pode
favorecer o crescimento das raízes, e aumentar a produtividade
do canavial. Tivemos tanta demanda por este produto, que estamos
investindo para aumentar a capacidade produtiva da nossa fábrica,
revela Moreno.
Implementos
As usinas não são os únicos clientes diretos
das fabricantes de pneus de alta flutuação. As empresas
fornecedoras de implementos agrícolas também já
representam fatias de mercado interessantes. Algumas das nossas
máquinas já são fornecidas equipadas com o pneu
próprio, que é uma necessidade das usinas, explica
o engenheiro Ronaldo Silva, da Civemasa.
Os pneus de alta flutuação equipam principalmente os
tranbordos, plantadoras e grades oferecidas pela empresa. A novidade
da Civemasa é a aplicação de um gel protex vedante
no equipamento que repara furos. O produto conserta o defeito
com a máquina em funcionamento, sem necessidade de parar a
máquina, esclarece Silva. |
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