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Edição 92 de Maio de 2005
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A Bahia não é só
terra de praias e do Carnaval. O agronegócio é a mola
propulsora da economia estadual
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| O secretário de Agricultura, Pedro
Barbosa: revolução na gestão |
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A natureza foi generosa com a Bahia. O Estado é
um mar de exuberantes paisagens, com praias de beleza rara, reconhecido
também pelas suas cidades históricas, que misturam arquitetura
colonial à arquitetura pós-moderna. É neste cenário
de inesperados contrastes que acontece o alegre, animado e irreverente
Carnaval do povo, considerado a maior festa popular espontânea
das Américas.
A natureza também foi agronomicamente generosa com este pedaço
do Brasil cheio de suingue, gostos, luzes e sons. Terra rica em belezas
naturais e culturais, o Nordeste é fértil no campo agrícola,
com grande destaque para o cultivo de cana-de-açúcar.
A união bem sucedida de boas condições climáticas,
uso de tecnologias modernas, aumento de área de produção e
mobilização do setor produtivo baiano estão proporcionando
ao Estado sucessivos recordes agrícolas. O grande destaque
é a região Oeste, que tem recebido um significativo
número de empresários e autoridades nacionais e estrangeiras
interessadas em negócios.
A produção de grãos cresceu 150% nos últimos
dez anos na Bahia. Entre 2003 e 2004, o algodão registrou o
maior aumento percentual de colheita: 151%. À cotonicultura,
seguiram a mamona (53%), soja (52%) e milho (43%). No ano passado,
foram colhidas 5,4 milhões de toneladas de grãos, o
que representa 4,8% do volume produzido em todo o Brasil uma
alta de 50% em relação ao período anterior.
O desempenho do setor agropecuário baiano alcançou um
crescimento de 22% no Valor Bruto da Produção, o que
corresponde a R$ 16,6 bilhões. Deste volume, R$ 13,7 bilhões
vieram das lavouras e R$ 2,9 bilhões representam o setor pecuário.
Temos oportunidade de ter uma matriz produtiva bastante diversificada,
com várias opções de cultivo. A tendência
é de crescimento, avalia o presidente da EBDA (Empresa
Baiana de Desenvolvimento Agrícola), Joaquim Santana.
Ao alcançar US$ 1,14 bilhão, as exportações
tiveram um aumento de 30% em comparação com 2003, com
destaque para soja, papel e celulose e cacau. A Bahia hoje é
a sexta economia do Brasil e a agricultura tem um peso importante
nos resultados do Estado, já que responde por 27% do PIB (Produto
Interno Bruto) local e por 30% das exportações baianas.
O Governo da Bahia está investindo para aumentar ainda mais
este peso, tanto na parte de produção primária,
com ampliação das ferramentas agrícolas, quanto
no crescimento de produtividade. A característica da
nova era da agricultura baiana é o aspecto qualitativo,
ressalta o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa.
Dos 561 mil quilômetros quadrados de área total, 10%
são ocupados pelo agronegócio, com grande disposição
de terras para novos plantios ainda, 13 milhões de hectares.
Temos uma área a plantar quase do mesmo tamanho da que
já é utilizada, sem a necessidade de mexer na Floresta
Amazônica, sem agredir a natureza, afirma o superintendente
Federal da Agricultura na Bahia, Altair Santana de Oliveira.
Evolução
Mas o nível atingindo pela Bahia hoje não é reflexo
de um trabalho tão antigo. Os projetos de desenvolvimento do
agronegócio local não somam duas décadas. Demoramos
um pouco para crescer neste aspecto, reconhece o diretor do
Sebrae-BA, Edival Passos.
Para Santana, este atraso deriva da colonização do Estado.
Segundo ele, enquanto no Centro-Sul do país se instalaram alemães,
italianos e japoneses, que tinha experiência com a terra, na
Bahia se fixaram os portugueses e os negros, grupos responsáveis
pelo desenvolvimento da cana e dos minérios. Quando acabaram
as terras no Sul, os investidores vieram para cá. Isso explica
em parte a nossa demora na área agrícola.
De acordo com o secretário da Agricultura, a Bahia sempre teve
importância grande em algumas culturas, mas só há
pouco tempo conseguiu acesso a modernas tecnologias. Mas a grande
revolução foi na gestão. Passamos a ter uma agricultura
respaldada por empresas fortes, que souberam aproveitar as vocações
do Estado.
Visando estimular investimentos, o Governo vem apoiando a implantação
das empresas agrícolas e agroindústrias, oferecendo
incentivos fiscais, financeiros e de infra-estrutura. Além
disso, através de programas voltados para a agricultura familiar,
promove a assistência técnica, a pesquisa no campo e
o desenvolvimento tecnológico. |
| Crédito na mão |
| Ferraro: Crédito de R$ 500 milhões
para a agricultura baiana |
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Mesmo que transmitam todas as informações
necessárias ao desenvolvimento do pequeno produtor, os projetos
não conseguiriam aliar capacitação a bons resultados
sem o respaldo de uma instituição financeira. Na Bahia,
este pilar de sustentação é o BNB (Banco do Nordeste),
que também tem programas sociais para beneficiar o pequeno
agricultor.
Dos 1,3 bilhão de clientes do Banco, 80% são pequenos
agricultores e empresários a área rural também
representa 87% dos financiamentos realizados pelo BNB. Por isso,
temos interesse em contribuir para o desenvolvimento do setor agrícola
no Estado, diz o superintendente estadual, Paulo Sérgio
Rebouças Ferraro.
O FNE (Fundo Condicional de Financiamento do Nordeste) injeta de R$
1,8 bilhão a R$ 2 bilhões em todas as atividades econômicas
de vocação do Nordeste. Os projetos de agricultura familiar
abocanham boa fatia desse volume, através de programas como
o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
O Banco também disponibiliza um produto de crédito diferenciado,
que atinge cerca de 70 mil produtores por ano. As taxas de juros variam
de 6% a 14% ao ano, conforme nível de crescimento do produtor.
Hoje o BNB prospecta aplicações de ordem de R$ 900 milhões/ano
apenas na Bahia. Deste volume, R$ 500 milhões serão
apenas para a agricultura, confirma Ferraro.
Alguns projetos importantes desenvolvidos na Bahia
Cabra-Forte Projeto de infra-estrutura hídrica para
grupos de agricultores no semi-árido. Abrange 25,3 mil propriedades
rurais em 17 municípios. Concluiu até o final do ano
passado mais de 5,2 mil cisternas e 25 barragens. Até dezembro
de 2005, o programa deve contabilizar 13 mil atendimentos.
O projeto, dividido em três pólos - Jaguarari, Remanso
e Conceição do Coité -, tem como frente de trabalho
a organização das cadeias produtivas de caprinos e ovinos
e baseia-se na oferta de água, alimentação, genética
de qualidade, sanidade animal. Em 2004, foram realizados três
grandes encontros de capacitação tecnológica,
que contaram com a presença de 10 mil agricultores.
Terra Fértil Considerado a grande aposta do Governo
do Estado, o programa, criado há pouco mais de um ano, procura
fomentar alternativas de produção para garantir a sustentabilidade
do agricultor da região de Irecê. Comandado pela EBDA,
o projeto demanda investimentos de R$ 170 milhões, que serão
aplicados em quatro anos. O impacto estimado para a economia da região
nesse período é de R$ 552 milhões.
Os beneficiários do programa são mini e pequenos agricultores
familiares com propriedades rurais com áreas inferiores a 100
hectares 16 municípios e 3,8 mil famílias são
alcançados pelo projeto.
O Terra Fértil já instalou 248 poços do total
de 340 previstos. Cerca de 10 barragens, das 30 prometidas, já
foram construídas. Também já foram iniciadas
as obras do Mercado Produtor, que funcionará como ponto de
venda dos produtos das Aproverts (Associações de Produtores
Verticalizados), que englobam bovinocultura, avicultura, suinocultur,
ovinocultura e apicultura. Hoje existem 25 em funcionamento
80 serão criadas até o final do programa.
Depois de quatro anos, a previsão é de que o potencial
produtivo da região seja de 411 mil toneladas de alimentos,
32 mil toneladas de carne, 68 milhões de litros de leite, 24
milhões de dúzias de ovos e 2 mil toneladas de mel.
Promeso Programa do Ministério de Integração
Social, o Promeso tem o objetivo de potencializar o desenvolvimento
empresarial em 13 regiões uma delas na Bahia, no Vale
do Jequitinhonha. O projeto prevê a formação de
Arranjos Produtivos Locais A Bahia terá recursos de
R$ 2,5 milhões em 18 meses. As culturas beneficiadas são:
madeira, cachaça, apicultura, psicultura, fruticultura, gemas
e jóias.
Projeto Tucano - Abrange os municípios de Tucano, Cipó,
Ribeira do Amparo, Ribeira do Pombal, Banzaê e Cícero
Dantas e visa a implantação de um grande pólo
hortícola no nordeste da Bahia. O pólo de produção
em escala terá como principais mercados consumidores os estados
da região Nordeste.
O projeto deve beneficiar 2 mil famílias carentes do chamado
Polígono da Seca, através do aproveitamento do potencial
de água subterrânea da Bacia Sedimentar de Tucano. Serão
implantados 3 mil hectares para plantio com irrigação,
distribuídos em 20 módulos de 150 hectares cada. A meta
é produzir hortaliças, verduras e frutas para atender
ao mercado baiano e nordestino e garantir para os produtores envolvidos
uma renda média de R$ 480 mensais, e após a estabilização
alcançar R$ 600. |
| Governo cria programa de incentivos para facilitar
investimentos no Estado |
Com o propósito de atrair investidores de outros
Estados, o Governo da Bahia apóia a implantação
de empresas agrícolas e agroindustriais por meio de incentivos
fiscais, financeiros e de infra-estrutura. Aplica recursos em ações
que permitam aos empreendedores boas condições logísticas,
de eletrificação e instalação.
O Governo criou há cinco anos o Agrinvest Programa de
Investimento para modernização da agricultura baiana.
O projeto proporcionará R$ 450 milhões em recursos para
o setor agropecuário baiano, gerando no seu sexto ano de execução,
uma produção estimada em R$ 291 milhões.
Ao longo do ano passado, o programa aprovou oito novos projetos nas
áreas de avicultura, novilho precoce e aquicultura, que resultaram
em investimentos atrativos, por meio da redução de encargos
financeiros. A iniciativa deixou o Estado mais competitivo para
responder aos desafios da globalização, acredita
o superintendente de agronegócio da Secretaria de Agricultura,
João Aurélio Viana.
O programa assume o pagamento de 50% dos custos financeiros, limitados
a 6% ao ano, durante o período de carência do empréstimo.
Para os financiamentos que não contam com período de
carência, o Agrinvest assegura o benefício nos dois primeiros
anos de amortização dos financiamentos.
A Seagri também tem estimulado formas de apoio creditício
e financeiro aos pequenos, médios e grandes produtores rurais,
via parcerias estabelecidas com bancos privados e oficiais. Somente
pela CPR (Cédula ao Produtor Rural) do Banco do Brasil foram
financiados R$ 69,9 milhões na safra 2003/04, contabilizando
630 contratos de comercialização.
O Governo vem ampliando também a participação
de representantes baianos em comitivas e missões brasileiras
ao exterior Portugal, França e Uruguai já foram
visitados. Mas a idéia do Governo não é
substituir as vantagens naturais do Estado. Os incentivos são
complementos, não atrativos principais, gosta de destacar
o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa.
Regularização fundiária
Um programa de crédito fundiário emitiu 18,5 mil títulos
de terra no ano passado, que exigiram 12 mil medições
e 11,2 mil habitações. O projeto, realizado em parceria
com o Incra e o Banco Mundial, também possibilitou a aquisição
de 38 mil hectares de terra, que somaram um valor total de R$ 11 milhões.
Cerca de 8 mil famílias já foram beneficiadas pelo programa
de Crédito Fundiário na Bahia, que também, acumuladamente,
adquiriu 151 mil hectares, investiu R$ 37,4 milhões em áreas
e R$ 66,3 milhões em infra-estrutura. |
| Por qualidade, Estado investe na profissionalização
dos produtores |
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O produtor independente Bráulio Araújo
deu início a um projeto de fabricação de cachaça
de alambique no interior da Bahia há seis anos. Pouco tempo
depois, por falta de recursos para aquisição dos modernos
equipamentos exigidos pelo empreendimento, abortou a iniciativa. Retomada
em 2004, a pequena indústria da bebida já registra produção
de 30 mil litros/ano, com capacidade instalada suficiente para dobrar
este volume. Em breve, o empresário, que só espera a
liberação do registro solicitado pelo Ministério
da Fazenda, deve lançar no mercado a cachaça Morro
de São Paulo.
Antes mesmo de chegar à mão dos consumidores, a cachaça
Morro de São Paulo já está passando
por auditorias executadas pelo Inmetro (Instituto de Metrologia) para
receber um atestado de qualidade o procedimento também
é aplicado a outras oito empresas da Bahia. No Estado, 20 marcas
já possuem o registro e, a partir de 2003, ganharam os mercados
da França, Itália, Alemanha e Estados Unidos.
Embora auspicioso, o resultado ainda é medíocre diante
da tradição baiana em cachaça de alambique. O
Estado, segundo maior produtor brasileiro, atrás apenas de
Minas Gerais, fabrica a bebida há 450 anos e a atividade abrange
mais de 6 mil famílias 98% das quais operam na informalidade.
A Bahia tem muitos produtores, mas em termos de qualidade precisa
crescer muito, observa o gerente de apoio à inovação
tecnológica da Fieb (Federação das Indústrias
do Estado da Bahia), Evandro Mazo.
A cachaça começou a ser produzida no Estado por volta
de 1550, na região do Recôncavo Baiano, e, mesmo tendo
participado de diversos movimentos históricos, quando as reuniões
eram brindadas com a bebida, até a década de 80 a produção
local nunca houvera visto nenhum investimento na infra-estrutura de
fabricação tampouco posicionamento adequado no mercado
brasileiro e mundial.
Cultura passada de pai para filho durante várias gerações,
a produção de cachaça permaneceu estacionada
no tempo em alguns locais do interior da Bahia, onde a forma de fabricação
chega a ser empírica. A produção é
feita com moendas de tração animal, dorna de fermentação
de madeira e alambiques de barro, contra Araújo, que
também é consultor do Sebrae Bahia.
Para profissionalizar a produção de cachaça de
alambique no Estado, a entidade uniu-se ao Governo da Bahia e à
ABCQ (Associação Baiana de Cachaça de Qualidade).
O projeto, iniciado há quase dois anos, pretende oferecer aos
produtores locais melhores condições de trabalho e acesso
ao mercado consumidor. Estamos oferecendo conhecimento aos produtores,
frisa o diretor do Sebrae BA, Edival Passos.
Por meio da iniciativa, foram criados 10 pólos produtivos no
Estado, onde já estão sendo pesquisadas até variedades
de cana próprias à produção da bebida.
O projeto incentiva a criação de cooperativas em cada
região, que deve ter, segundo recomendação dos
gestores, uma ou duas marcas para comercialização da
bebida e certificação de qualidade. Não
visamos quantidade, queremos uma oferta de produtos digna dos públicos
A e B, tanto no mercado interno quanto externo, explica Araújo.
Os mercados internacionais se mostram atraentes para o produto brasileiro,
mas o potencial, embora enorme, ainda é pouco explorado. Os
Estados Unidos importaram no ano passado apenas 75 mil litros de cachaça.
Dos 1,5 bilhão de litros produzidos pelo Brasil em 2004, somente
0,5% foram exportados, 9 milhões de litros, que devem atingir
30 milhões l em 2010.
O volume exportado no ano passado é menor em relação
ao verificado em 2002, quando foram embarcados 14 milhões de
litros. A diferença foi na remuneração do produto,
que, antes negociado a US$ 0,60/litro, passou para US$ 1,29/litro.
Isso mostra que o produto com valor agregado é mais importante
e qualidade se torna fundamental, argumenta Passos.
Araújo acredita que a busca pela qualidade do produto não
é o desafio isolado do projeto baiano. O produtor defende que
a cachaça precisa de tratamentos de imagem, porque ainda está
associada a uma bebida popular, ingerida com propósitos de
entorpecimento. Na Europa, conta, os habitantes confundem ainda a
matéria-prima com a caipirinha. Até hoje promovemos
muito mais o drink do que a própria bebida. |
| Luís Eduardo Magalhães se transforma
em núcleo do agronegócio baiano |
Há pouco mais de duas décadas, o maior
ponto comercial do município de Luís Eduardo Magalhães
até então Mimoso do Oeste, Distrito de Barreiras,
a 900 quilômetros de Salvador era um posto de gasolina.
Emancipada há cinco anos, a 417ª cidade da Bahia já
carrega o título de centro nervoso do agronegócio do
Oeste do Estado.
Contexto muito diferente do panorama observado na primeira metade
do século XX, quando a região Oeste era classificada
como sertão do São Francisco, onde a concentração
pouco volumosa das culturas produzidas dividia espaço com a
pecuária extensiva a área também não
atraia populações consideráveis de habitantes.
A nova vida local começou a ser gerada com a integração
de parte da região à expansão da agricultura
de grãos dos cerrados brasileiros. A localização
geográfica favorável, consorciada a disponibilidade
de terra com topografia adequada e condições propícias
à mecanização ofereceram uma propulsão
intensa a Luís Eduardo Magalhães.
Carro-chefe, a soja estimulou também o cultivo de café,
milho, feijão, arroz, algodão, fruticultura e pecuária
com números competitivos, de qualidades superiores a outras
regiões produtoras do país. A produção
de grãos, que deve atingir 2,5 milhões de toneladas
no Oeste da Bahia na safra atual, tem perspectivas de alcançar
4 milhões até 2010. O Oeste da Bahia é
um pequeno Mato Grosso, com empresários capitalizados, prontos
para investir, compara o gerente de marketing e vendas dos pneus
agrícolas da Goodyear, José Carlos Moreno.
O Oeste da Bahia, que conta atualmente com 1,5 milhão de hectares
cultivados, 870 dos quais ocupados por soja. Em 2005, a média
final da região deve ser superior a 50 sacas por hectare, um
recorde histórico. A cultura movimentará mais de R$
1,1 bilhão de reais.
A região ainda possui cerca de três milhões de
hectares a serem explorados o Oeste é considerado a
maior reserva de área agricultável no mundo em cerrado,
com possibilidades de diversificação da produção.
Essas características, somadas à oferta de água,
infra-estrutura de estradas e comunicação e ações
de incentivo do Estado, têm sido verdadeiros ímãs
para investimentos. Empresários de outros Estados do
Brasil, e até estrangeiros já se instalaram em Luís
Eduardo Magalhães, tanto no setor agrícola, como industrial,
explica o secretário de Agricultura da Bahia, Pedro Barbosa.
Hoje com 40 mil habitantes, a cidade abriga mais de 1200 empresas,
além de dezenas de agroindústrias e concessionárias
de grandes fábricas de máquinas e implementos agrícolas
do país. Dados do IBGE apontam que o município se desenvolve
economicamente 16,5% ao ano. A taxa de desemprego atinge apenas 3%.
Já estão instaladas em Luís Eduardo Magalhães
a maior refinadora de óleo de soja da América Latina
em atividade (Bunge Alimentos), diversas indústrias do ramo
têxtil, indústrias voltadas a produção
de adubos químicos, empresas voltadas na extração
de óleo de algodão. A região Oeste representa
5% das vendas nacionais de máquinas agrícolas e 3,5%
da produção de grãos do País.
A cidade já possui também uma faculdade, vinte construtoras
e quatro agências bancárias, que tornam o comércio
local um negócio vantajoso. A região é
altamente capitalizada, a cidade é moderna, uma das mais ricas
da Bahia e até do Brasil, acredita o superintende substituto
federal da agricultura na Bahia, Altair Santana. |
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