|
Edição 92 de Maio de 2005
|
 |
|
Palanque de críticas
|
| Aquém em vendas, edição
2005 da Agrishow Ribeirão Preto se destaca por protestos contra
governo |
| Produtores solicitam financiamentos: vendas
atingiram apenas R$ 760 milhões |
|
Na abertura oficial do evento de Ribeirão Preto
(SP), o presidente do Sistema Agrishow, Sérgio Magalhães
repetiu pelo menos cinco vezes em seu discurso um antigo dito popular.
Não há bem que sempre dure, mas também
não há mal que nunca se acabe. O empresário
tentou sensibilizar a platéia de produtores acerca da necessidade
de prosseguir os investimentos mesmo em épocas de crise. Sem
tecnologia, não há como manter produtividade.
Mas os números finais da 12ª Feira na cidade paulista,
que acumulava recordes de negociações desde a edição
de 2002, mostraram que o recado, embora tenha sido dado com vigor
e insistência, não convenceu os agricultores nacionais.
O evento terminou com um balanço de R$ 760 milhões,
inferior à estimativa realizada anteriormente, que previa R$
800 mi, e 40% abaixo do volume total comercializado no ano passado
R$ 1,8 bilhão.
Descapitalizados para investir em novas tecnologias, os produtores
e empresários brasileiros ligados ao agronegócio transformaram
a Agrishow Ribeirão Preto num palanque de críticas à
política econômica do governo federal. As taxas de juro
praticadas e a baixa cotação do dólar foram os
principais alvos das reclamações. Compramos insumo
a R$ 3,40 e estamos vendendo a produção a R$ 2,40. Se
não tiver ajuda do governo, a agricultura deixará de
existir em alguns locais do Brasil, protestou o agricultor paulista
de soja Alexandre Fernavam.
Os produtores reivindicaram principalmente a liberação
de verbas para o financiamento da produção e o fim da
taxa de 4% do Fundo de Equalização imposta pelo BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como
caução de eventual variação dos juros.
As autoridades que estiveram no evento também fizeram coro
contra o governo. O secretário da Agricultura de São
Paulo, Duarte Nogueira, pediu a redução da burocracia
para a liberação de financiamentos e aumento das linhas
de crédito ao produtor rural. Precisamos de uma política
agrícola adequada para que o agricultor saiba o que fazer com
a sua produção daqui a cinco anos.
Já o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, atacou a taxa de juros
definida pelo Copom (Conselho da Política Monetária),
que classificou de o fim da picada. Isso tira completamente
a competitividade do produto brasileiro, reiterou o presidente
da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos), Newton Mello.
Interlocutor oficial entre pedra e vidraça, o ministro
da Agricultura, Roberto Rodrigues, que transferiu seu gabinete para
um estande dentro da Agrishow na semana do evento, também apontou
seu estilingue para o governo. Reclamou da logística sucateada
do país e do aumento dos custos de produção.
Até meu orçamento foi cortado em 80%. O
ministro da Fazenda, Antônio Palocci, esteve em Ribeirão
Preto no primeiro dia da Feira, mas não foi ao evento, por
temer represálias dos produtores.
Rodrigues bateu, mas também assoprou. Anunciou na Agrishow
que o governo estenderá os prazos para o pagamento de financiamentos
com parcelas atrasadas, um alongamento das dívidas. O
governo está tentando fazer a sua parte, mas as cadeias produtivas
precisam ter consciência e ser solidárias ao produtor,
que não pode arcar com o prejuízo sozinho.
Ano da cana, café e pecuária
Os reflexos mais contundentes da crise agrícola nacional têm
afetado principalmente as culturas de algodão, arroz, soja
e milho. Milhares de agricultores dessas culturas sequer foram a Ribeirão
Preto. A Agrishow verificou queda de 7% do índice de visitantes,
que caiu para 138 mil pessoas.
Quem esteve na Feira demonstrou especial interesse em equipamentos
voltados para cana, café e pecuária, que concentraram
os investimentos da edição 2005. Algumas empresas fornecedoras
para estas especialidades chegaram a experimentar alta nas vendas
em comparação com o ano passado. Investimos nossos
esforços e lançamentos para cana este ano e tivemos
boa resposta, conta o engenheiro Ronaldo Silva, da Civemasa.
A Case IH, que tradicionalmente obtêm dos grãos 70% do
seu faturamento, os outros 30% vêm da cana, observou aumento
de 150% nas vendas de linhas canavieiras e queda de 20% nas vendas
para o setor de grãos. O grande destaque da empresa no evento
foi um trator com sistema de GPS para plantio, aplicação
de defensivos e colheita de cana.
As empresas participantes na Feira também se beneficiaram da
participação de muitos visitantes estrangeiros, além
de empresários, uma comitiva de 21 embaixadores de países
da Ásia, América Latina, África e Europa. Eles
vieram conhecer o potencial do agronegócio brasileiro e as
tecnologias disponíveis para o uso na agricultura e pecuária. |
LEIA MATÉRIA COMPLETA NA EDIÇÃO IMPRESSA |
|
Empresas
Italiana Landini chega ao mercado de tratores
do Brasil |
| Versão 2005 das colhedoras
Case IH apresenta novidades |
| Koblitz amplia sede e aumenta
produção |
| Smar valoriza programas sociais |
|
| |
Atualidades
Unica defende
instabilidade do mercado de açúcar |
| Setor quer desassociar açúcar
de abesidade |
| Rio sugere Sistema nacional
de Agricultura |
| Novas variedades IAC têm
perfil de maturação para o meio e fim de safra |
| Biodiesel: US$ 300 milhões
em novas plantas |
|
| |
|