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Edição 94 de Julho de 2005
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Por um açúcar melhor
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| Exigências dos consumidores internacionais
e resistência à corrosão tornam o aço inox
uma alternativa viável para aplicação no processo
produtivo das usinas |
| Aquecedor instalado na Coruripe: material
é adequado conforme as exigências para a produção
de um açúcar de qualidade |
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Ao pesquisar as potencialidades do mercado, a Acesita
começou a investir com consistência em 2001, quando lançou
o aço inoxidável ferrítico 444, na divulgação
dos benefícios da implantação do aço inox
em usinas de açúcar tradicionalmente o material
mais usado nas aplicações das fábricas nacionais
é o aço carbono comum. Na época, a empresa comercializou
50 toneladas de aço inox em vendas diretas para as usinas do
setor. Um ano depois, as receitas aumentaram para 700 toneladas e
atingiram 1600 t, em 2004.
Projeções da siderúrgica revelam que o mercado
canavieiro tem potencial para 6000 toneladas de inox/ano. Em
três anos, pretendemos atingir esta meta, comenta o analista
de negócios do setor de inoxidáveis da Acesita para
indústria, Daniel Trindade. Hoje, mais de 80 usinas já
possuem algum tipo de aplicação em aço inox comprado
diretamente da Acesita, mas calcula que a tendência é
de crescimento e aposta no material - a expectativa é de que,
ao final de 2008, o aço inox já responda por 50% de
todo o potencial de tubos para o setor.
As previsões da Acesita consideram em especial um fator preponderante:
o crescimento da demanda internacional pelo açúcar produzido
no Brasil. O ministério da Agricultura destaca que a procura
pelo alimento no cenário internacional deve aumentar em 2%
ao ano até 2013. Ao país, caberão 50% desse mercado,
na ordem de 12 milhões de toneladas de açúcar.
Mas apenas a grande demanda no mercado não significa a realização
de negócios garantidos. A qualidade final do açúcar
e a maneira como ele é produzido passam a ser razões
determinantes para a decisão de uma compra, sobretudo se o
cliente for exigente em termos de qualidade seja os consumidores
finais ou industriais, que o empregam como matéria-prima.
A indústria de açúcar, que por muito tempo foi
uma produção artesanal, já é cada vez
mais encarada como uma fábrica de alimentos e a tendência
aponta que elas deverão obedecer às exigências
da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
A cada dia a exigência dos clientes que também
fabricam produtos de alta qualidade fica maior, incidindo principalmente
em pontos pretos no açúcar, que são decorrentes
de processos de corrosão, confirma o engenheiro João
Varalonga, gerente geral industrial da Açucareira Guarani.
O preenchimento desta necessidade é o nicho de crescimento
do aço inox, material preferido pelas indústrias de
alimentos. Os setores de sucos, laticínios e cervejarias são
ambientes onde predominam os inoxidáveis, considerados inertes,
por ter uma superfície lisa e pouco porosa, o que dificulta
a aderência de substâncias e facilita a limpeza. Mesmo
em contato por tempo prolongado, nem o sabor, nem a cor e tampouco
o aroma dos alimentos e bebidas são alterados, assegura
Trindade.
A Açúcar Guarani S/A unidade Cruz Alta utiliza
aço inox desde 1991, quando foi construída a fábrica
de açúcar amorfo. Esta aplicação foi
ampliada posteriormente para a fábrica de açúcar
cristal, refinado granulado, líquido e invertido. A usina possui
hoje um padrão de processo de alta qualidade, certificado
pela ISO 9001 Versão 2000.
O inox está presente em todo o processo produtivo da Guarani
e abrange também a operação de extração
da sacarose da cana. Está instalado na usina o maior difusor
de cana do mundo, com capacidade de processo de 15.000 toneladas por
dia. O equipamento foi 100% fabricado em inox, com divisão
entre uma parte com revestimentos e outra área com a própria
chapa. Todas as bombas também são inoxidáveis.
Este difusor tem previsão de manutenção
zero nos próximos 30 anos ou mais, calcula Varalonga.
A usina Coruripe filial Iturama, que produz açúcar
VHP para exportação e utiliza o material no processo,
iniciou a aplicação de aço inox no ano de 2002,
começando em aquecedores verticais. Hoje, dos 20 aquecedores
que a empresa dispõe, 16 foram fabricados com aço inox
e pretende trocar o restante à medida que for chegando
o final da vida útil do aço carbono.
A unidade também já tem uma caixa de evaporação
de 2000 m² com o aço inox da Acesita e vai substituir
as outras caixas de evaporação quando for necessária
a troca dos tubos. E os investimentos em aço inox não
devem parar por aí. Na fábrica de açúcar
há um plano de substituição gradativa das interligações
e feixe tubular dos cozedores.
Acreditamos que compensa e muito a utilização
do aço inox principalmente em trocadores tubulares, Além
da maior vida útil da tubulação, constatamos
menor incidência de incrustações e menor risco
de contaminação da água condensada, elogia
o gerente industrial da usina Coruripe unidade Iturama, Roberto
Herrera.
Corrosão
A Santa Elisa também aplica o inox em grande parte do processo
industrial, principalmente nas moendas: internos do Donneli, internos
de caixas de caldo, internos de calhas da peneira rotativa, calhas,
fundo das esteiras de arraste, interno do picador de cana.
Ainda existem aplicações na fábrica de açúcar,
que abrangem transportador de açúcar úmido,
tanque de xarope e tubo de aquecedores de caldo e caixas de evaporação.
Obtivemos redução de custos, estabilidade dos
processos e redução da freqüência de
manutenção, conta o representante da área
industrial da Santa Elisa, Reginaldo Lopes de Carvalho Júnior. |
| Difusor da Guarani todo fabricado em aço
inox: 30 anos sem manutenção |
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Parte da economia oferecida pelo uso do aço
inox deriva da resistência do material à corrosão,
problema que pode acarretar paradas indesejáveis, gastos com
manutenção ou reposição do material. As
propriedades de oposição à corrosão são
atribuídas à presença de, no mínimo, 10,5%
de cromo na sua composição mínima.
Se pegarmos um aço sem cromo e o deixarmos no ar, com
o tempo ele apresentará a formação de óxidos.
Se formos adicionando pequenas quantidades de cromo, este óxido
demorará mais tempo para aparecer, até atingirmos um
total de 10,5% de cromo no aço. A partir daí, o aço
apresenta um comportamento excelente em relação a corrosão
atmosférica, descreve o engenheiro metalurgista da Acesita,
Valdir Fodra Filho, que desenvolveu um guia de especificação
de aço inox para usinas de açúcar.
A corrosão também encontra nas tubulações
ambiente propício para se desenvolver. Técnicos do setor
acreditam que 30% dos problemas operacionais das usinas estão
relacionados a esta aplicação. O problema em tubo mal
especificado pode representar a paralisação de parte
da produção ou comprometer a vida útil de um
equipamento e a eficiência dos processos.
Além da adequação do inox no processo de extração
de sacarose, o material está presente na Açucareira
Guarani Cruz Alta também em equipamentos como aquecedores,
tubos de evaporadores, tubos de cozedores, elevadores de canecas,
roscas transportadoras de açúcar, dissolvedores de açúcar,
tubulações de caldo e xarope, revestimentos de
cozedores e cristalizadores.
Um grande benefício está relacionado à
redução dos custos de manutenção pela
sua vantagem em termos de desgastes por abrasão e corrosão
em relação ao aço carbono comum, explica
o gerente geral industrial, Varalonga.
No guia de especificação, Valdir Fodra alerta, entretanto,
que os aços inoxidáveis podem ser empregados em uma
variedade muito grande de meios agressivos, mantendo-se íntegros
por longos períodos de tempo, mas existem diversos tipos de
inox e deve haver critério para a escolha adequada às
condições de trabalho a que o material será submetido.
O desenvolvimento ou não dos processos corrosivos, de
um modo geral, é essencialmente influenciado por fatores relacionados
ao meio de trabalho e ao material, escreve.
Outras aplicações e preços
A Santa Elisa também possui aplicações de inox
nas caldeiras: moegas de carregamento de fuligem, divisor de bagaço,
transportador e fuligem. Absorve do equipamento outra característica
que favorece a usina, o ganho de rendimento obtido com a maior economia
de vapor, por que a troca térmica no processo é mais
eficiente em relação ao aço carbono.
A baixa rugosidade nas paredes do tubo facilita a limpeza devido a
menor formação de incrustrações, características
que mantêm mais elevada a capacidade de troca térmica
durante a operação. Também observamos esta
vantagem, completa o gerente da Guarani.
O valor do investimento no aço inox ainda é um empecilho
para o maior uso do produto no setor. O material tem valor de mercado
considerado muito superior em relação ao aço
carbono a média para amortização dos investimentos
é de quatro anos. A partir daí, a economia já
começa a ser observada. O inox é rentável a médio
e longo prazo. Mas compensa, a vida útil do equipamento chega
a ser quatro vezes maior do que o material em aço carbono,
diz Trindade.
O preço inviabiliza algumas vezes a utilização
do aço inox, por exemplo, nas usinas que estão sendo
construídas. Mas, acredita Trindade, a visão do setor,
beneficiada pela entrada de grupos estrangeiros no segmento sucroalcooleiro,
passa por uma revisão de conceitos. Antes, os empresários
queriam respostas em um ano. Hoje, o pensamento já considera
cinco ou dez anos. Isso beneficia o nosso produto.
A reportagem da Revista ALCOOLbrás perguntou à Santa
Elisa se: a relação custo-benefício compensa
com o uso do aço inox; a usina conseguiu reduzir a corrosão;
a confiabilidade é uma qualidade do produto; a usina tem planos
de novos investimentos em inox; o aço inox será uma
tendência no futuro das usinas de açúcar e álcool.
Embora sintético, Reginaldo Lopes de Carvalho Júnior
foi enfático. Para todas as questões, a resposta foi
a mesma:Sim.
O gerente da Guarani, salienta, entretanto, que para cada tipo de
aplicação do aço inox em diferentes etapas do
processo, desde a entrada de cana até a saída do
produto final, seja feita uma análise criteriosa para que
a relação custo-benefício seja compensadora.
Apenas a Acesita disponibiliza no mercado 15 tipos diferentes de aço
inox. Temos hoje no mercado diferentes tipos de inox que devem
ser avaliados para cada tipo de aplicação. Aqui na Guarani,
temos caixas evaporadoras de caldo com inox com mais de 15 anos sem
problemas até o presente momento.
Ainda que gradativamente, o setor começa a perceber os benefícios
do inox. Para Roberto Herrera, diretor industrial da usina Coruripe
unidade Campo Florido, que produz açúcar VHP
para exportação e utiliza aço inox no processo,
a migração para o inox é irreversível.
No primeiro momento, os tubos e a fábrica de açúcar
serão priorizados. Depois, os investimentos partirão
para os tanques e reservatórios revestidos com epóxi.
Mas hoje é unânime que temos que usar o inox em todo
o processo. |
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