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Edição 94 de Julho de 2005
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Recursos em humanos
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| Algumas usinas têm buscado a implantação
de sistemas de gestão de segurança do trabalho,
mostrando uma tendência de crescimento nesta área,
e transformando a questão em programas que geram resultados
para o negócio |
| Soldador da Viralcool com correta utilização
de EPI: alteração significativa na conscientização
dos colaboradores |
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A rotina atual do cortador de cana Antônio Rodrigues
dos Santos, de 27 anos, não é muito diferente do cotidiano
da criança que desde os oito anos já ajudava a família
na lavoura no município de Francisco Badaró, em Minas
Gerais. Colaborador efetivo da usina Viralcool, de Pitangueiras (SP),
desde 2002, o ruralista, hoje radicado na cidade, observa, porém,
diferenças entre a sua atividade profissional do presente e
o trabalho do passado. Hoje o trabalhador rural é valorizado,
recebe material de trabalho e equipamentos de proteção
individual. E há uma grande preocupação com a
segurança do trabalhador, muito diferente de quando tinha oito
anos, lá em Minas.
O respaldo recebido por Santos não é um caso raro no
setor sucroalcooleiro. A assistência aos colaboradores, em tempos
atrás negligenciada em grande parte das usinas, hoje é
uma atividade corriqueira nas fábricas de açúcar
e álcool, tanto para os funcionários do campo agrícola
quanto para os trabalhadores da área industrial mas
ainda há exceções.
Fundador do Gerhai (Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria),
o consultor José Darciso Rui garante que o setor sucroalcooleiro
hoje pode ser considerado um segmento com alto nível de investimentos
em segurança do trabalho. Como exemplo, podemos citar
algumas unidades que vêm adotando Programas de Gestão
de Saúde e Segurança no Trabalho com investimentos de
grande volume financeiro, propiciando uma melhoria na qualidade de
vida dos seus colaboradores.
Existem usinas, entretanto, que direcionam o foco de administração
apenas para o aumento da produção, o que acaba desviando
a atenção da questão da segurança. O
que existe é que em nome da produção,
algumas empresas atropelam. Mas é a minoria, sustenta
Rui.
A ação isolada de investimento em EPI´s e fornecimento
do material aos colaboradores não significa também uma
intervenção bem-sucedida em segurança. O equipamento
de proteção é uma ferramenta disponível,
mas um sistema eficaz, confirma o consultor, a conscientização
por parte dos dirigentes, dos gestores, dos colaboradores, possui
importância similar no processo.
Considerada case de sucesso em segurança para qualquer
empresa do Brasil, inclusive multinacionais, a Açúcar
Guarani implementa, antes do fornecimento do EPI, um conjunto de ações
que compreendem treinamentos constantes em prevenção
e operação, programa de ergonomia e melhorias das condições
e do ambiente de trabalho. Antes de optar pela adoção
do EPI, adotamos estas medidas, que visam eliminar ou neutralizar
as ações dos riscos ou agentes ambientais presentes
nos locais de trabalho, explica o superintendente de Recursos Humanos
e Qualidade da Açúcar Guarani, Mário Szpoganicz
de Oliveira.
O nível de esclarecimento exibido pela Açúcar
Guarani contrasta ainda com uma visão restrita de algumas empresas
do setor. De acordo com Rui, a grande virada nesta questão
está por conta da conscientização por parte dos
gestores de mão-de-obra, da alta administração
e dos próprios colaboradores. Estes profissionais têm,
ainda, arraigada em suas diretrizes de segurança no trabalho
uma cultura um tanto protecionista e limitada, não transpondo
as barreiras necessárias para a proteção do capital
humano e do capital acionário.
Para vencer estes obstáculos, a Açúcar Guarani
contou com uma ferramenta que considera poderosa. Em 2001, a usina
adquiriu o programa STOP, desenvolvido pela empresa Dupont, reconhecida
mundialmente por seus padrões de segurança. O objetivo
principal do projeto é conscientizar os líderes da Guarani
para considerarem a segurança tão importante quanto
produção, qualidade e custos.
O programa ensina aos gerentes e líderes formas eficientes
de lidar com pessoas em situações de trabalho. O projeto
é desenvolvido em sete módulos, que enfocam desde a
questão da utilização dos EPIs até
a organização do trabalho. Treina os elementos
da supervisão, do supervisor de primeira linha até o
alto escalão para observarem, analisarem, corrigirem e prevenirem
atos inseguros, detalha Oliveira.
Estudos estatísticos mostram que os atos inseguros são
os causadores de 96% de todos os acidentes do trabalho. Baseado em
princípios e técnicas comprovadas, o STOP tem conseguido
reduzir estes acidentes de maneira significativa, conforme relata
o superintendente de Recursos Humanos e Qualidade da usina.
Os acidentes de trabalho são medidos por vários índices
e fatores relacionados a aspectos como gravidade, dias de afastamento,
freqüência, locais, dias perdidos etc. Para cada fator,
existem ações que levam a diferentes resultados e, conseqüentemente,
a níveis de melhoria também diferentes. Pode se
dizer que as reduções aconteceram de forma generalizada
e em proporções significativas, destaca Oliveira.
Conscientização
Citada por todos os profissionais consultados pela ALCOOLbrás,
a palavra conscientização é o termo de ordem
quando o assunto é redução de acidentes de trabalho.
Se há falta de visão estratégica entre os diretores
de usinas, também existe carência de percepção
dos trabalhadores sobre a necessidade do uso do EPI e da prevenção
de atos inseguros.
O trabalho desenvolvido pelos profissionais de segurança do
trabalho das usinas tem, porém, surtido efeitos positivos para
a mudança de comportamento. Se fizermos um paralelo entre
a atualidade e a década de 80 ou 90, vamos notar uma alteração
significativa na conscientização de todos os trabalhadores,
acredita Rui. |
| O cortador de cana Antônio Rodrigues
dos Santos: Hoje o trabalhador rural é valorizado. |
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Mas ainda assim, as usinas têm encontrado dificuldades
para fazer com que os funcionários absorvam esta filosofia.
É um trabalho difícil e exige muita paciência.
Mas a chave da questão é informação. A
orientação tem que ser constante, conta a diretora
de recursos humanos da Viralcool, Renata Toniello.
Na usina, todo colaborador, ao ser contratado, não pega uma
ferramenta de trabalho antes de passar por uma série de palestras
e treinamentos sobre segurança e proteção
que também são repetidas ano a ano aos trabalhadores
já antigos na empresa.
Quando ocorre um acidente de trabalho por descuido, o colaborador,
além de receber uma advertência, também assiste
novamente todas as palestras e treinamentos. Segundo Renata, o índice
de problemas foi reduzido consideravelmente nos últimos anos.
Hoje, muitos colaboradores têm horror à idéia
de se acidentar, porque já sabem que não é somente
a empresa a prejudicada, eles também sofrem as conseqüências.
Como parte das atividades de conscientização, a Viralcool
promove cursos de capacitação profissional. Recentemente,
em parceria com o Senar (Serviço Nacional de Apendizagem Rural),
os trabalhadores rurais foram orientados através do Projeto
Cana Limpa, que visa a qualidade, segurança e produtividade.
O curso ensina desde o cultivo, os cuidados, a colheita, o produto
final e até o uso correto dos EPIs.Acho muito importante
ter a oportunidade de participar de um curso com essas informações,
que são de grande utilidade para o nosso dia-a-dia. Eu tenho
seis anos de lavoura, nunca tive nenhum acidente de trabalho e é
sempre bom poder aprender ainda mais , diz o colaborador Macionílio
Santo da Silva.
Exemplos de sucesso em usinas mostram que os investimentos em cursos
e equipamentos dão retorno às usinas, senão diretamente,
por produtividade maior. Os gastos com a prevenção
de acidentes do trabalho devem ser encarados como investimentos, que
certamente trarão muitas vantagens com a redução
de custos devido à diminuição de afastamentos
e acidentes e, em conseqüência, o aumento da produtividade
não somente com a redução de acidentes, como
também com a melhoria da qualidade de vida de todos. |
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