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Edição 97 de Novembro de 2005
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Análise de lucro
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| Novas exigências do mercado de açúcar – tanto interno quanto
externo – estão mudando a rotina dos laboratórios das usinas |
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Não foram apenas os executivos do Grupo Balbo que
estiveram atentos, no final de outubro, à decisão da comissão de arbitragem
da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o julgamento da data
limite para a União Européia acatar a determinação sobre suas exportações
subsidiadas de açúcar. A supervisora de laboratório da Usina Santo
Antônio, Marli Bason, também se informou sobre a resolução.
A OMC decretou que, a partir de 22 de maio de 2006, a União Européia
está obrigada a restringir suas exportações subsidiadas a 1,27 milhão
de toneladas anuais e limitar os benefícios oferecidos a € 499,1 milhões.
A decisão deve render ao Brasil um incremento de US$ 494 milhões na
receita gerada por embarques de açúcar refinado.
O País espera que a extinção do favorecimento europeu possa ampliar
o mercado internacional de açúcar em até 5 milhões de toneladas por
ano. Segundo cálculos do Itamaraty, este volume determina um potencial
de comercialização da ordem de US$ 1,48 bilhão a cada 12 meses.
As possibilidades brasileiras de usufruir esse mercado não vão exigir
aumento de trabalho – e responsabilidade – apenas nos setores de colheita
de matéria-prima, moagem e fabricação de açúcar das usinas. Os laboratórios
de análises também serão bastante requisitados. “O crescimento das
vendas de açúcar vem acompanhado pelo aumento por exigências de qualidade.
Isso nos diz respeito diretamente”, analisa Marli.
Em palestra realizada este ano, o coordenador de processo e microbiologia
da Fermentec, Alexandre Godoy, afirmou que, em comparação com o panorama
de 10 anos atrás, a evolução conseguida na melhoria da qualidade tem
sido bastante significativa. “A implementação de várias metodologias
analíticas, treinamento de pessoal de laboratório, e amostragens confiáveis
foram alguns pontos que ajudaram a conhecer os fatores que mais interferem
na qualidade do açúcar”.
A busca por este tipo de informação deriva de uma necessidade expressa
pelo mercado e pela maior diversidade de clientes das usinas. De acordo
com Marli, que está completando a sua 25ª safra na Santo Antônio,
há anos a usina só fornecia açúcar para um único cliente: a Copersucar.
“Atualmente existe uma variedade muito grande de clientes, cada um
com necessidades específicas”, conta.
Supervisor de fabricação de açúcar na Santo Antônio, Celso Milan,
com 33 safras de experiência, lembra que hoje são solicitados parâmetros
de qualidade impensáveis antigamente. Há 15 anos, o produto era qualificado
como standart, superior e especial, ganhando posteriormente mais uma
categoria, a especial extra. Hoje, por ordem de qualidade, o produto
é classificado em tipo 1, 2, 3 ou 4. “O melhor açúcar da época não
serve nem pra ser o tipo 4 de hoje”, diz Milan.
As exigências para exportação de açúcar não são novidades para o setor,
que já recebe solicitações semelhantes do mercado interno. Clientes
assíduos das usinas, as fábricas de refrigerante não admitem qualquer
interferência no produto final. |
| Produção de açúcar em usina brasileira: especificações hoje
são maiores do que há alguns anos |
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A Coca-Cola realiza pelo menos uma auditoria anual
na Santo Antônio, em que seus técnicos verificam o processo para observar
se a usina está produzindo o açúcar dentro das exigências. Os técnicos
da empresa verificam moenda, fábrica de açúcar, armazenagem, expedição
de açúcar na balança e o laboratório, onde a calibração de aparelhos
e os boletins diários são observados.
O açúcar fornecido para as fábricas de refrigerantes tem especificações
técnicas próprias. Além das análises cotidianas e tradicionais do
setor, os laboratórios examinam também dextrana, amido, granulometria,
turbidez, resíduo gravimétrico, teor de sulfito, floco alcoólico.
“Se algum desses itens estiver fora do padrão, o produto final do
cliente terá problemas”, explica Marli.
O teor de sulfito é uma especificação nova para a produção de açúcar.
Há cinco anos, quando começou a ser exigido, o parâmetro tolerava
20 ppm (parte por milhão), índice já reduzido para 15 ppm atualmente.
Segundo Milan, já se cogita a possibilidade de exigir o produto com
apenas 10 ppm no mercado interno. Além disso, informa, a Europa já
estuda o consumo do açúcar sem sulfito.
Variadas pesquisas já demonstraram que a substância não provoca danos
à saúde humana, mas pode gerar problemas no produto oferecido ao consumidor
final. “Se a empresa produzir guaraná com teor de sulfito alto no
açúcar, quando uma pessoa abre a garrafa dá um cheiro de ovo chocho.
É desagradável, o produto passa a ser rejeitado”, garante Milan.
Riqueza de análises
A descoberta dos parâmetros de fabricação do produto é uma responsabilidade
do laboratório. “É com base no que diz o laboratório que o produto
vai ser comercializado”, frisa Milan. Por isso, as análises obedecem
a critérios rigorosos de realização.
As análises começam desde entrada da cana na usina – por meio do caldo
do PCTS, passando por caldo do primeiro terno, do sexto terno, caldo
misto, xarope bruto, xarope flotado, massa de primeira, massa de segunda,
mel pobre, mel rico, mel final e magma diluído. Em cada substância,
são examinados brix, pol, pureza, pH. “Isso tudo é medido de três
em três horas, além das análises extras, que às vezes são necessárias”,
comenta Marli.
O laboratório entrega os dados para os supervisores de produção de
todas as áreas da usina: moenda, fábrica, destilaria, geração de energia.
Na Santo Antônio, todos os dados são armazenados em um palm-top e
os supervisores têm acesso on-line. São 24 horas ininterruptas de
trabalho.
O laboratório gera um boletim chamado controle de fábrica, onde constam
todos os dados necessários para a monitoração da produção de açúcar.
Uma informação oferecida é o controle de insumo, parâmetro usado para
a realização da mudança de set-point na centrífuga de açúcar, operação
que demanda a correção do tempo cronológico para ser bem sucedida.
O tempo de centrifugação é de três minutos. “Eu separo o mel rico
do mel pobre em função da pureza gerada pelo laboratório. A pureza
do mel rico deve ser igual a pureza do xarope e essa parametria é
calculada em tempo cronológico mesmo”, detalha o supervisor de produção
de açúcar. |
| No laboratório é medida a eficiência das plantas das usinas |
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“Coração da usina”
Milan reconhece que todos os números gerados pelo laboratório são
utilizados para guiar o trabalho da produção. “Sem as informações
que nos são fornecidas, seria como navegar sem bússola, dirigir de
olho fechado. O laboratório mostra os caminhos que a produção deve
seguir”, assegura.
Caso um parâmetro esteja aquém do esperado, os responsáveis são alertados
imediatamente. As análises oferecem condições para o monitoramento
correto do processo – e podem ajudar a usina e reduzir os prejuízos
intrínsecos à produção. Se a pol do bagaço estiver alta, a usina está
perdendo açúcar no bagaço. “É preciso agir rapidamente neste processo
para diminuir a perda e recuperar mais açúcar”, diz o supervisor.
Além disso, de acordo com as respostas registradas nas análises, o
laboratório classifica o tipo do açúcar e calcula por meio de planilhas
a eficiência das plantas das usinas, tanto de açúcar, como de álcool
e geração de energia. “O laboratório é o coração da usina”, compara
Marli. Embora a tese possa gerar polêmica, a opinião é corroborada.
“O laboratório é essencial para a lucratividade das usinas”, ressalta
o gestor de P&D do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), Jaime Finguerut.
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