Edição 98 de Nov/Dez de 2005
Sobrou Sol
Seca prejudica safra de cana em todo o Brasil e impede novo recorde de produção; mesmo castigado, Centro-Sul registra ligeiro crescimento
Unidade do Grupo Nova América: revisão da produção para baixo
As unidades industriais do Grupo Nova América, instaladas em Tarumã e Maracaí, encerraram o processo de colheita e moagem de cana em meados de novembro. Juntas, as usinas esmagaram 5,8 milhões de toneladas de cana - volume 3% abaixo do previsto e 7% inferior em relação à safra passada.

O Grupo Nova América produziu 9,3 milhões de sacas (50kg) de açúcar e 184,2 milhões de litros de álcool. “Tínhamos uma expectativa inicial mais favorável em fevereiro, mas já em maio fizemos um replanejamento considerando os fatores climáticos. Em relação a previsão inicial, tivemos cerca de 8% a menos de moagem”, informa o diretor industrial do Grupo, Marco Antonio Cardoso de Toledo.

Ao contrário do que houve no ciclo anterior, quando muitas usinas alcançaram recordes de moagem, a temporada 05/06 não entusiasmou os empresários. Uma inesperada – e incomum – estiagem no verão deste ano resumiu o período de safra e determinou quebras de produção no Brasil inteiro. Embora não vá regredir, o Centro-Sul deve registrar um avanço pouco empolgante: aumento de 6% aproximadamente.

Castigada pela seca, a produção nacional de cana-de-açúcar na safra 2005/06 alcançará no máximo 397 milhões de toneladas, segundo a mais recente estimativa realizada pela Consultoria Datagro. A previsão anterior apostava na colheita de 404,3 milhões de toneladas – ainda assim, se os últimos números divulgados forem confirmados, a temporada passada, que registrou 386,22 milhões de t, terá sido superada.

Deste total, 88%, ou 348,5 milhões de toneladas, serão processados por moendas ou difusores de usinas do Centro-Sul. A previsão contrasta com os números da Unica. Segundo a entidade, a safra não deve passar de 345 milhões de toneladas devido as condições climáticas impostas ao desenvolvimento dos canaviais.

A Datagro também estima 48,07 milhões de toneladas no Norte/Nordeste. Conservadas as previsões, a produção nacional deve somar entre 397 e 400 milhões de t – cerca de 5% maior do que a do ano-safra 2004/05.

O presidente da Consultoria, Plínio Nastari, também calcula que a oferta de sacarose atingirá 56,89 milhões de toneladas, uma alta de 2,7% em comparação com a safra anterior, mas ainda aquém da expectativa inicial, que projetava um incremento de 4,6%.

A produção de açúcar indicada pela Datagro é de 27,1 milhões de toneladas, 17,03 milhões de t das quais embarcadas para o exterior – contra 17,13 milhões de t na safra passada. O Brasil também deve concluir a temporada com 15,98 bilhões de litros de álcool. Deste volume, 2,43 bilhões de litros seguirão para o exterior, ante 2,603 bilhões no ciclo anterior.

Nastari assegura que esta safra está tendo enfoque mais alcooleiro. De acordo com a Consultoria, mix de produção deverá destinar, até o final da temporada, 47,94% para o açúcar e 52,06% de álcool no Centro-Sul - no Brasil, os percentuais alcançam 49,89% para o açúcar e 50,11% para o álcool.

Menor rendimento

O Grupo Nova América começou a safra com a intenção de produzir mais de 10,6 milhões de sacas de açúcar e um volume superior a 202 milhões de litros de álcool. Em maio, diante da falta de chuvas, o conglomerado precisou refazer as expectativas: a produção de açúcar ficou estimada em 10,1 milhões de sacas, e a de álcool em 193,3 milhões de litros. O diretor industrial explica que, além da menor quantidade de cana disponível, a qualidade da matéria-prima também foi inferior.

Até abril, explica a Unica, a perspectiva era de aumento significativo da produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul, otimismo também nutrido pelo aumento na área plantada, mas o período seco até setembro impôs o avanço acelerado da moagem, com defasagem de tempo necessário para o amadurecimento da cana. “Por conta disso, tivemos também uma qualidade inferior da matéria prima”, comenta o diretor agrícola do Grupo Nova América, Mário Donisete Chiarinelli.

Segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, no momento em que o rendimento da matéria-prima apresentou crescimento, a produção sofreu novo revés com o tardio surgimento das chuvas.

Porém, conseguimos adotar medidas que minimizaram o efeito climático em nossa lavoura, reduzindo a aplicação de maturadores e trabalhando as perdas no campo de forma sistemática”, explica Chiarinelli.

As chuvas, a partir de setembro, porém, foram benéficas para o desenvolvimento das lavouras para garantir boa produtividade na safra 2006/07.

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