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O Grupo São João, de Araras, no interior de São
Paulo, anunciou no ano passado a expansão de seus negócios,
por meio da construção de mais uma usina. Para instalar
a nova unidade produtora de açúcar e álcool
no município de Quirinópolis, em Goiás, a diretoria
da empresa obteve do BNDES um financiamento de R$ 166,5 milhões.
O empreendimento do Grupo São João integra a lista
de 40 projetos em carteira do setor sucroalcooleiro nacional atualmente
financiados pelo BNDES. Deste volume, 25% são programas de
montagem de novas usinas - os demais correspondem a iniciativas
de modernização e ampliação das plantas
que já operam no Brasil.
Em quantidades de solicitações, o setor sucroalcooleiro
é o carro-chefe do departamento de agroindústria do
Banco, o maior custeador das atividades do segmento atualmente.
Os financiamentos para o agronegócio canavieiro crescem expressivamente
no BNDES. No ano passado, os recursos liberados alcançaram
quase R$ 843 milhões, um aumento robusto - os desembolsos
não passaram de R$ 165 milhões em 2000.
Em apenas seis anos, houve crescimento superior a 500%. E
a tendência é de se ampliarem os financiamentos para
o setor, em função do crescimento das vendas de veículos
com motores do tipo flex e das exportações de álcool,
explica o assessor de diretoria do BNDES, Carlos Newton.
O desenvolvimento do mercado canavieiro aponta que a demanda por
financiamentos realmente deve aumentar. Quando as moendas começarem
a processar os primeiros volumes de cana da safra 06/07, em março,
19 novas usinas estarão em funcionamento no País
totalmente construídas, as unidades absorveram investimentos
de US$ 700 milhões.
A Unica estima ainda que mais 90 usinas sejam instaladas no Brasil
até 2014, quantidade suficiente para o esmagamento das 120
milhões de toneladas de cana consideradas necessárias
ao suprimento das demandas previstas por açúcar e
álcool. Estatísticos calculam que para cada tonelada
de cana adicional são aplicados US$ 70. Serão investidos
no setor, portanto, mais de US$ 8 bilhões em oito anos
grande parte desses recursos vai requerer financiamento.
O BNDES demonstra interesse em participar deste mercado, mas restringe
os financiamentos a operações destinadas a plantio
de cana-de-açúcar, moagem de cana, refino de açúcar,
produção de álcool, instalação
de novas destilarias, reforma de unidades antigas e geração
de energia com biomassa (bagaço de cana).
Segundo o chefe do departamento de agroindústria do BNDES,
Jaldir Freire Lima, o Banco não trabalha com dotação
setorial de recursos. Não há, logo, critérios
que priorizem determinado tipo de projeto. O que o setor vier
a demandar será atendido. Os itens de financiamento estão
na apresentação e a única restrição
que temos é aquisição de terra. Também
não financiamos plantio desvinculado de unidade industrial,
esclarece.
Newton informa, porém, que há interesse especial no
financiamento das exportações negociadas pelo setor
sucroalcooleiro, tanto de açúcar quanto de álcool.
Os financiamentos são muito importantes para o desenvolvimento
do setor, frisa o presidente do Sindaçúcar/PE,
Renato Cunha.
Além do BNDES e outros bancos privados, no ambiente interno, ainda
aplicam recursos no segmento os Fundos Constitucionais de Financiamento
Regionais, mas estes não se prestam para projetos de longa
maturação. De origem externa, estão disponíveis
o IFC (International Finance Corportion) e o JBIC (Japan Bank for
International Cooperation).
Imprescindíveis ao setor, os financiamentos ainda não
atendem plenamente todas as expectativas da cadeia produtiva. Sabemos
que existem recursos, só falta saber se conseguiremos usá-los,
diz o superintendente da Alcopar, José Adriano Dias. Os principais
empecilhos apontados são a burocracia, considerada relativa,
e as altas taxas de juros praticadas no Brasil. Para utilização
de recursos externos, os empresários indicam a variação
cambial como grande fator de risco.
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