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Edição 99 de Jan/Fev de 2006
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Ímãs do mercado
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Estados com tradição sucroalcooleira menor realizam
projetos e promovem incentivos para atrair investidores.
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O Grupo Colorado escolheu Goiás para construir
o seu novo empreendimento, a Usina Camen, que deve entrar em operação
até 2008 em Morrinhos. A planta deve acrescentar à produção
do Estado a moagem de 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.
Outra companhia paulista que se estabelece em canaviais goianos é
o Grupo São João, de Araras (SP). A empresa constrói
em Quirinópolis a sua segunda planta industrial, também
com capacidade para esmagar 1,5 milhão de toneladas de cana.
Juntos os dois projetos somam investimentos aproximados de R$ 500
milhões no Estado. Essa é só uma parcela de recursos
que o setor sucroalcooleiro vai injetar na economia goiana. O governo
estadual estima que R$ 4 bilhões serão aplicados em
Goiás nos próximos quatro anos. Mais de 50% desse montante
devem, segundo expectativas locais, financiar a construção
de 20 usinas.
O Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool
de Goiás (Sifaeg) calcula que a área plantada com cana-de-açúcar
no Estado, de 207 mil hectares contabilizados na última safra,
vai ser elevada em 50% até 2010.
De acordo com o governador do Estado, Marconi Perillo, há a
possibilidade de conversão de 5 milhões de hectares
de pastagens em área para cana imediatamente - outros 20 milhões
de ha poderiam ser direcionadas para a cultura posteriormente.
Hoje, 14 usinas operam regularmente no Estado, que também já
conta com outras seis em processo de construção. O Sifaeg
informa ainda que 12 unidades existentes têm planos de expansão.
Queremos chegar a ter 50 unidades industriais de processamento
de álcool, disse recentemente Perillo em evento no Rio
de Janeiro.
Nos dois últimos anos, Goiás ultrapassou Pernambuco
e Mato Grosso e passou da sétima para a quinta colocação
no ranking de produção de álcool do país,
relação liderada por São Paulo. Responsável
por 4,5% do volume total brasileiro, o Estado fabricou 741 milhões
de litros do combustível na safra 05/06 15,5 milhões
de toneladas de cana foram moídas na temporada.
Se conseguir atrair mais usinas e investimentos, o Estado espera rever
esta posição a curto prazo. Além de disponibilidade
de terras, o governo local argumenta com incentivos, como a redução
do ICMS do álcool de 26% para 15%, para seduzir empresários.
Alcoolduto
Em outra frente, Goiás investe na melhoria de infra-estrutura
de logística para tornar o Estado uma vitrine para novos investimentos.
O presidente da Federação da Agricultura de Goiás
(Faeg), Macel Caixeta, disse recentemente que a expansão da
agroindústria canavieira de Goiás ainda é limitada
por faltas de alternativas de escoamento da produção.
A assinatura de um protocolo de intenções entre a Petrobras
e o governo goiano promete rever esta restrição. O acordo
prevê a realização de estudos de viabilidade da
construção de um duto de álcool, que ligaria
o Estado ao interior paulista.
Se concretizado o projeto, a tubulação, com capacidade
para 4 bilhões de litros, transportará a produção
de álcool do Estado a partir de Senador Canedo até a
Refinaria de Paulínia (Replan), na região metropolitana
de Campinas, de onde seguirá até o terminal marítimo
de São Sebastião, litoral norte de São Paulo.
O projeto demanda investimentos de R$ 500 milhões, recursos
que, segundo o presidente da Petrobras, José Sérgio
Gabrielli, vão ajudar Goiás a maximizar seu potencial
para álcool. Vamos ajudar a suprir a crescente demanda
no Brasil e no exterior, afirmou durante a solenidade de assinatura
do acordo, realizada em fevereiro no Rio de Janeiro.
Os estudos de viabilidade do projeto devem ser finalizados no início
de 2007. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de
Álcool de Goiás, Igor Montenegro, o acordo com a Petrobras
oferece competitividade ao Estado no mercado externo de álcool.
O custo de transporte até o porto com o alcoolduto chega
a ser 16 vezes menor do que o transporte rodoviário, o único
disponível no momento, disse durante a formalização
do protocolo de intenções.
Paraná
Goiás não é o único na briga por esse
mercado. O anúncio de novos investimentos no setor sucroalcooleiro
de Minas Gerais também ganhou as manchetes das editorias de
economia de vários jornais nacionais durante a entressafra
do Centro-Sul. O Estado, que passa a abrigar pelo menos sete novas
usinas até 2010, vai receber aportes de US$ 744 milhões
nos próximos quatro anos. O montante pode ainda ser elevado
para até US$ 1,13 bilhão, caso os projetos de construção
de outras cinco unidades sejam aprovados.
As atuais 21 usinas mineiras somaram a produção de 24,5
milhões de toneladas de cana na safra 05/06 os executivos
locais planejam incrementar esse volume em mais três milhões
de t. Para isso, pretendem aproveitar a onda de investimentos na cana
e oferecem as condições de solo e clima favoráveis
do Estado como atrativos para possíveis novos empreendedores.
Com 18 usinas e nove destilarias em funcionamento, o Paraná
não quer perder espaço no mercado. O Estado também
luta por um lugar no auspicioso ambiente sucroalcooleiro nacional
e pretende ser a manchete dos jornais nas próximas entressafras.
Segundo a Alcopar, o Estado apresenta três milhões de
hectares disponíveis para o plantio de cana.Também
vivemos um momento de otimismo. Estamos abertos para acolher novos
investimentos. Temos condição para isso, anuncia
o presidente da entidade, Anísio Tormena.
Os anúncios de novas usinas, porém, ainda são
tímidos. A Alcopar assegura apenas a instalação
de três unidades, por enquanto. Uma delas, do Grupo Santa Terezinha,
deve entrar em operação na safra 07/08 as outras
duas já estão em processo de construção,
mas ainda não têm previsão de funcionamento.
Concretos mesmo até agora apenas os recursos oferecidos pelo
governo estadual, que em 2004 determinou a expansão de 150
mil hectares de cana até 2008 no Estado. As usinas paranaenses
estão absorvendo R$ 1,6 bilhão, verba que permitirá
a duplicação da produção atual de álcool.
Os atuais 1,04 bilhão de litros devem se transformar em 2,3
bi na safra 08/09.
Na temporada 05/06, o Paraná moeu 24,8 milhões de toneladas
de cana, que também foram responsáveis pela produção
de 1,5 milhão de toneladas de açúcar 70%
deste volume foram exportados. O Estado também embarca para
o exterior 20% do álcool que fabrica. Até 2009,
temos intenção de elevar a exportação
do combustível para o patamar de 70% da produção,
informa Tormena.
A safra 06/07 será antecipada no Paraná. No início
de março, várias unidades já planejam começar
as operações. Neste ciclo, o Estado estima produzir
1,2 bilhão de litros.
Logística
Além de trabalhar para atrair novos investidores, o Paraná
também já se prepara para escoar toda a produção
planejada. O Estado aplica recursos na área de infra-estrutura
(transbordo, transporte e portos). O Terminal Portuário de
Açúcar de Paranaguá (PR) dispõe atualmente
de capacidade para embarque de 70 mil toneladas. Ainda no primeiro
semestre, esta capacidade será maior em mais 160 mil toneladas,
diz o superintendente da Alcopar, José Adriano Dias.
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